Lista de Poemas
INTENCIONAL-MENTE [Manoel Serrão]
Intencionalmente
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[Manoel Serrão]
CRIME E CASTIGO [Manoel Serrão]

Amiúde promessas, retóricas midiáticas são bem comuns no discurso de palanque daqueles sujeitos que ocupam cargos públicos e estratégicos com poder de decisão e comando mais que nada fazem ou pouco faz. Evidente que o buraco é mais em baixo, aqui não me cabe o meritório da questão histórica do país e outros entulhos mais, porém, atenho-me no que pertine a objetividade como algo imediatista, por exemplo: a intensificação de ações preventivas e contínuas por parte das polícias com seus aparatos e demais parafernálias para tentar conter a onda incessante e crescente dessa peste que assola, dessa praga que se propaga a passos largos alimentados não só pela omissão do Estado que não se faz de modo presente - princípio da eficácia e eficiência - em todos os fronts de acordo com o que reza o preceito constitucional garantindo à cidadania ampla, geral e irrestrita ao povo brasileiro e demais direito básicos assegurados, como também, mormente pela lentidão e morosidade da velha justiça pátria apimentada pela impunidade quase sempre certa daquele que comete um ilícito penal dessa natureza, isto é, crime hediondo e o cumprimento integral em regime fechado da pena sem direito ao gozo de qualquer benefício que lhe assegure a lei. Não estou fazendo apologia tampouco defesa de um Estado-Polícia, muito pelo contrário.
Não à toa, a face mais feia da violência, do crime e da bandidagem, desde alguns anos não se contentando em ficar reclusa aos ditos delitos mais branda, recrudesce o cenho a feiura do mal avançando sobre os campos e as cidades tomam-nos lugares, praças, casas, nichos, clubes, etc. e ameaçam-nos, sufocam-nos e destroem indiscriminadamente vidas e famílias inteiras que choram a perda de algum amigo, filho, pais, parentes próximos ou distantes.
Não bastasse há poucos anos atrás, quem não lembra pelo destaque da imprensa, foram vítimas da violência o cartunista Glauco e seu filho, amanhã poderá ser eu, você, o vizinho e todos nós.
Inaceitável que fatos dessa natureza e gravidade se tornem corriqueiro e, vidas o bem maior do homem o nada sem valor, a morte, o crime e a bandidagem o lugar comum, a banalização da criminalidade pela sociedade como se à regra fosse e não a exceção de um Sistema “civilizado” organizado por leis, normas, tratados, costumes, etc. que regulamentam e disciplinam a conduta humana.
Inconcebível hodiernamente aceitar-se o silêncio ou a omissão de quem quer que seja ao presenciar ou ter a notitia crimines da consumação de qualquer tipo ou espécie assombrosa ou macabra de crime, venha calar.
Infelizmente em pleno terceiro milenium teima reinar no seio e na base da sociedade cristã tal desdita: a família é o berço e a inerente razão de ser de tudo que se relaciona a vida perene do homem.
A monstruosidade de crimes de tal natureza em que toda a sociedade repudia pela covardia imposta às vítimas indefesas, deve ter em definitivo um basta.
Qual a razão do homicídio e da crueldade homicida desde priscas eras?
Por que o homem se torna animal irracional e sanguinário a ponto de cometer tão descabida maldade?
De acordo com a jornalista Sheila Pereira, matéria publicada em Conhecimento Prático Filosofia – Ed. 20 – pág. 30 e 31 – Dostoievski e o mundo-cão, conforme transcrição ipis litteris, alude que: “A obra “Crime e Castigo”, o russo Fiôdor Dostoievski, retrata a racionalização do crime e a culpa que vem da consciência, além da redenção, hoje em dia, parece que essa consciência, na maioria das vezes, não existe mais, ou seja, se o homem comete um crime, não recorre mais a consciência, na verdade, o que o incomoda é a punição em si [acresço então que: não aqui no Brasil onde impera a impunidade]”.
Nesse contexto, e por extensão, afirma o Bacharel em Teologia; e Bacharel, Mestre e Doutorando em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Jonas Madureira, assim como Marcos Sidnei Pagotto-Euzébio, Graduado em Filosofia pela FFLCH-USP, Mestre e Doutor em Filosofia da Educação pela FE-USP. É professor de Filosofia na Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, vide transcrição in ver bis que: o primeiro afirma que um dos primeiros “filósofos que levantaram a questão da culpabilidade e a fundamentação da consciência, pela reflexão e não pelo peso da culpa foi Michael Foucault”. De acordo com o mestre “ele levanta a questão de que a nossa consciência é constituída a partir de uma história e de um contexto cultural que a gente vive”. “[...] que a nossa consciência é constituída, todas as nossas ações são baseadas em uma consciência inata que nos pertence desde que nascemos, mas foi construída a partir de nossa vivência no mundo”. E segue fundamentando que: “E quando essa consciência é constituída pelo sistema da culpa, da punição, do que você faz você paga, toda a teoria da ação passa a se fundamentar não mais em numa consciência do bem, mas em uma consciência da punição, pelo que eu tenho que pagar”. Por outro lado o segundo mestre preconiza que: “De fato, onde encontrar justificativa para não se agir como se quiser, ainda que isso causasse mal aos outros”? Por que ser bondoso se isso não me traz vantagem? Como fundamentar a ética sem recurso absoluto [Deus, a Razão, etc.]? Esse é o problema de nosso tempo... As chamadas “grandes narrativas” tradicionais perderam a força e não são capazes de suprir sentido ou determinar nossas ações. Sendo assim, uma infinidade de “pequenas narrativas” passa a cumprir esse propósito: [tribos, grupos de todo tipo, derivações de outras narrativas [o extremismo religioso, por exemplo,] se põem a doar sentido para nossos atos]. Atualmente, nossa “grande narrativa”, se quiser continuar a pensar assim, é aquela que faz do sucesso pessoal, individual, o grande objetivo da vida; dele derivaria a felicidade e a realização. Ora, tendo esse ponto de partida, podemos imaginar inúmeras possibilidades de justificativa para ações que consideramos, no geral, egoístas, medonhas, cruéis [o assassinato, o roubo violento]: aquilo que se coloca entre meu desejo e sua realização deve ser afastado, pois o sentido da vida é cumprir as promessas de felicidade que me foram feitas por essa sociedade do capitalismo avançado [ironicamente, a mesma sociedade que se horroriza com tais ações], em que tudo é objeto, mesmo as “Pessoas”.
Para Bertrand Russell, na obra - Ensaios Céticos - Editora Nacional - corroborando com o objeto da matéria sub examine este leciona in ver bis que: "O homicídio é um crime antigo, e encaramo-lo através duma névoa de horror secular.
A falsificação é um crime moderno, e a encaramos racionalmente. Punimos os falsários, porém não os consideramos estes estranhos, a afastar de nós, como os assassinos. E ainda pensamos, na prática social, independentemente do que digamos em teoria, que a virtude consiste mais em não fazer do que em fazer certos atos rotulados de "pecaminosos” é bom, mesmo que nada faça para promover o bem-estar dos outros. Esta, naturalmente, não é a atitude inculcada nos Evangelhos: "Ama o teu próximo como a ti mesmo" é um preceito positivo. Mas em todas as comunidades cristãs o homem que obedece a este preceito é perseguido, sofrendo no mínimo pobreza, em geral prisão, e às vezes a morte. O mundo esta cheio de injustiça, e os que lucram com a injustiça está em situação de administrar recompensas e castigos. Os prêmios cabem àqueles que inventam engenhosas justificativas para a desigualdade, e os castigos aos que procuram remediá-la".
Destarte, sejam quais forem os motivos ou quais sejam o limite ou não limite da perversidade d'alma humana, da pessoa, da mente com a agravante de propósito deliberado, frio e calculista... impiedosos desalmados e indignos de qualquer clemência machucam, esganam e atiram a queima roupa são merecedores de penas severas além do desterro absoluto e pleno em cárcere privado do ventre livre da sociedade dita “moderna”.
Ao querido e estimado cartunista Glauco com suas charges de humor crítico apurado o Deus criador do personagem Geral dão, Níquel Náusea, Woodstock, Piratas. Etc. e tantos outros mais que muito acompanhei e me fizeram sorrir e gargalhar de maneira inteligente e filho respectivamente nos resta um Cho rale e um adeus.
Ó Glauco [in memorian], vai ser "charge" lá no céu!
Manoel Serrão da Silveira Lacerda [Advogado – Poeta e Pofessor de Direito].
ORELHA DE LIVRO [Manoel Serrão]

Na tira dobrada,
Da contracapa assinada?
Obra o livro atrás da orelha!
SINUCA DE BICO [Manoel Serrão]

Amor sem tesão é sinuca de bico.
Se encaçapar na cruzeta do taco?
Não há solução. É "suicídio"!
MÊNSTRUO [Manoel Serrão]

Hemácia?
Hematofobia?
Hemorragia?
Olha lá Iaiá,
A Íbis é fluxo...
ARMAGEDOM [Manoel Serrão]

Sinto todo,
Sinto tudo.
Sinto atempo,
Sinto mudo.
Sinto tempo,
Sinto imundo.
Sinto fundo,
Sinto novo mundo.
Sinto profundo,
Sinto terceiro mundo.
Sinto infecundo,
Sinto sub-mundo.
Sinto mundo,
Sinto cu-do-mundo.
Sinto moribundo
Sinto outromundo,
Sinto muito!
Armagedom!
Sinto o fim do mundo.
COM FÉ ANDO [Manoel Serrão]

Em
Zigue
Zagueando Vou...
Mas com fé Ando!..
INFRUTESCENTE [Manoel Serrão]

Se
dá muda
Na Terra
Medra flor?
No Mundo
Sobram abacaxis!
RESILIÊNCIA [Manoel Serrão]
Vírgula errada, découpage à ambiguidade.Úmbria, impermanência ungida à finitude.
Sinecura, incompletude urdido à imperfeição.
Sou, assim, alfaia sem fala! O desde d'antes,
A espora do agora em modo de espera no mundo.
Sou, assim, posta ilusa, resina quebrada,
Resíduo sobre os contrários dos magos.
Ó sou tal qual visto o Hamlet à “deformação”
Do Eu que se amolda a “perfeição”.
Ó bravo! Bravo! Bravo parto!
Brado sem pranto meio a “multidão,
O resiliu varo o vergo, o tudo sem começo.
O peregrino vago recomeçar no verbo antes do fim.
Ó bravo! Bravo! Bravo poeta!
Se há no púcaro a dor cava lamenta do choro,
Ad restam gotas de assemelhada ressignificação.
Já revelei noutra oportunidade que sou admirador da poética de Manoel Serrão. É-me – aos meus olhos – provavelmente, o poeta mais complexo do Maranhão, na atualidade. Dono de uma larga obra (toda ela socializada na Internet), Manoel Serrão, desde que tive a primazia de conhecê-lo, “espanta-me” com os seus versos, e muitas vezes, me conduz a reflexões dialético-materialista-fenomenológicas.
OUTDOOR [Manoel Serrão]

No post-it
O leve love
Que era note?
Em outdoor: ficou enorme!
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.