Lista de Poemas
AUDAZ [Manoel Serrão]
Audaz...
Fazer arte,
Faz parte!
FIGA [Manoel Serrão]
Birra e manha!
Quando é noite:
Sexo e mirra!
Depois jura amor.
Diz que ama, e faz figa!
INTENCIONAL-MENTE [Manoel Serrão]
Intencionalmente
M
e
n
t
e
[Manoel Serrão]
PICADO VERDE [Manoel Serrão]

Seja hombre e coma cru,
Seu pepino verde!
MÊNSTRUO [Manoel Serrão]

Hemácia?
Hematofobia?
Hemorragia?
Olha lá Iaiá,
A Íbis é fluxo...
INFRUTESCENTE [Manoel Serrão]

Se
dá muda
Na Terra
Medra flor?
No Mundo
Sobram abacaxis!
PLACEBO [Manoel Serrão]

CRIME E CASTIGO [Manoel Serrão]

Amiúde promessas, retóricas midiáticas são bem comuns no discurso de palanque daqueles sujeitos que ocupam cargos públicos e estratégicos com poder de decisão e comando mais que nada fazem ou pouco faz. Evidente que o buraco é mais em baixo, aqui não me cabe o meritório da questão histórica do país e outros entulhos mais, porém, atenho-me no que pertine a objetividade como algo imediatista, por exemplo: a intensificação de ações preventivas e contínuas por parte das polícias com seus aparatos e demais parafernálias para tentar conter a onda incessante e crescente dessa peste que assola, dessa praga que se propaga a passos largos alimentados não só pela omissão do Estado que não se faz de modo presente - princípio da eficácia e eficiência - em todos os fronts de acordo com o que reza o preceito constitucional garantindo à cidadania ampla, geral e irrestrita ao povo brasileiro e demais direito básicos assegurados, como também, mormente pela lentidão e morosidade da velha justiça pátria apimentada pela impunidade quase sempre certa daquele que comete um ilícito penal dessa natureza, isto é, crime hediondo e o cumprimento integral em regime fechado da pena sem direito ao gozo de qualquer benefício que lhe assegure a lei. Não estou fazendo apologia tampouco defesa de um Estado-Polícia, muito pelo contrário.
Não à toa, a face mais feia da violência, do crime e da bandidagem, desde alguns anos não se contentando em ficar reclusa aos ditos delitos mais branda, recrudesce o cenho a feiura do mal avançando sobre os campos e as cidades tomam-nos lugares, praças, casas, nichos, clubes, etc. e ameaçam-nos, sufocam-nos e destroem indiscriminadamente vidas e famílias inteiras que choram a perda de algum amigo, filho, pais, parentes próximos ou distantes.
Não bastasse há poucos anos atrás, quem não lembra pelo destaque da imprensa, foram vítimas da violência o cartunista Glauco e seu filho, amanhã poderá ser eu, você, o vizinho e todos nós.
Inaceitável que fatos dessa natureza e gravidade se tornem corriqueiro e, vidas o bem maior do homem o nada sem valor, a morte, o crime e a bandidagem o lugar comum, a banalização da criminalidade pela sociedade como se à regra fosse e não a exceção de um Sistema “civilizado” organizado por leis, normas, tratados, costumes, etc. que regulamentam e disciplinam a conduta humana.
Inconcebível hodiernamente aceitar-se o silêncio ou a omissão de quem quer que seja ao presenciar ou ter a notitia crimines da consumação de qualquer tipo ou espécie assombrosa ou macabra de crime, venha calar.
Infelizmente em pleno terceiro milenium teima reinar no seio e na base da sociedade cristã tal desdita: a família é o berço e a inerente razão de ser de tudo que se relaciona a vida perene do homem.
A monstruosidade de crimes de tal natureza em que toda a sociedade repudia pela covardia imposta às vítimas indefesas, deve ter em definitivo um basta.
Qual a razão do homicídio e da crueldade homicida desde priscas eras?
Por que o homem se torna animal irracional e sanguinário a ponto de cometer tão descabida maldade?
De acordo com a jornalista Sheila Pereira, matéria publicada em Conhecimento Prático Filosofia – Ed. 20 – pág. 30 e 31 – Dostoievski e o mundo-cão, conforme transcrição ipis litteris, alude que: “A obra “Crime e Castigo”, o russo Fiôdor Dostoievski, retrata a racionalização do crime e a culpa que vem da consciência, além da redenção, hoje em dia, parece que essa consciência, na maioria das vezes, não existe mais, ou seja, se o homem comete um crime, não recorre mais a consciência, na verdade, o que o incomoda é a punição em si [acresço então que: não aqui no Brasil onde impera a impunidade]”.
Nesse contexto, e por extensão, afirma o Bacharel em Teologia; e Bacharel, Mestre e Doutorando em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Jonas Madureira, assim como Marcos Sidnei Pagotto-Euzébio, Graduado em Filosofia pela FFLCH-USP, Mestre e Doutor em Filosofia da Educação pela FE-USP. É professor de Filosofia na Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, vide transcrição in ver bis que: o primeiro afirma que um dos primeiros “filósofos que levantaram a questão da culpabilidade e a fundamentação da consciência, pela reflexão e não pelo peso da culpa foi Michael Foucault”. De acordo com o mestre “ele levanta a questão de que a nossa consciência é constituída a partir de uma história e de um contexto cultural que a gente vive”. “[...] que a nossa consciência é constituída, todas as nossas ações são baseadas em uma consciência inata que nos pertence desde que nascemos, mas foi construída a partir de nossa vivência no mundo”. E segue fundamentando que: “E quando essa consciência é constituída pelo sistema da culpa, da punição, do que você faz você paga, toda a teoria da ação passa a se fundamentar não mais em numa consciência do bem, mas em uma consciência da punição, pelo que eu tenho que pagar”. Por outro lado o segundo mestre preconiza que: “De fato, onde encontrar justificativa para não se agir como se quiser, ainda que isso causasse mal aos outros”? Por que ser bondoso se isso não me traz vantagem? Como fundamentar a ética sem recurso absoluto [Deus, a Razão, etc.]? Esse é o problema de nosso tempo... As chamadas “grandes narrativas” tradicionais perderam a força e não são capazes de suprir sentido ou determinar nossas ações. Sendo assim, uma infinidade de “pequenas narrativas” passa a cumprir esse propósito: [tribos, grupos de todo tipo, derivações de outras narrativas [o extremismo religioso, por exemplo,] se põem a doar sentido para nossos atos]. Atualmente, nossa “grande narrativa”, se quiser continuar a pensar assim, é aquela que faz do sucesso pessoal, individual, o grande objetivo da vida; dele derivaria a felicidade e a realização. Ora, tendo esse ponto de partida, podemos imaginar inúmeras possibilidades de justificativa para ações que consideramos, no geral, egoístas, medonhas, cruéis [o assassinato, o roubo violento]: aquilo que se coloca entre meu desejo e sua realização deve ser afastado, pois o sentido da vida é cumprir as promessas de felicidade que me foram feitas por essa sociedade do capitalismo avançado [ironicamente, a mesma sociedade que se horroriza com tais ações], em que tudo é objeto, mesmo as “Pessoas”.
Para Bertrand Russell, na obra - Ensaios Céticos - Editora Nacional - corroborando com o objeto da matéria sub examine este leciona in ver bis que: "O homicídio é um crime antigo, e encaramo-lo através duma névoa de horror secular.
A falsificação é um crime moderno, e a encaramos racionalmente. Punimos os falsários, porém não os consideramos estes estranhos, a afastar de nós, como os assassinos. E ainda pensamos, na prática social, independentemente do que digamos em teoria, que a virtude consiste mais em não fazer do que em fazer certos atos rotulados de "pecaminosos” é bom, mesmo que nada faça para promover o bem-estar dos outros. Esta, naturalmente, não é a atitude inculcada nos Evangelhos: "Ama o teu próximo como a ti mesmo" é um preceito positivo. Mas em todas as comunidades cristãs o homem que obedece a este preceito é perseguido, sofrendo no mínimo pobreza, em geral prisão, e às vezes a morte. O mundo esta cheio de injustiça, e os que lucram com a injustiça está em situação de administrar recompensas e castigos. Os prêmios cabem àqueles que inventam engenhosas justificativas para a desigualdade, e os castigos aos que procuram remediá-la".
Destarte, sejam quais forem os motivos ou quais sejam o limite ou não limite da perversidade d'alma humana, da pessoa, da mente com a agravante de propósito deliberado, frio e calculista... impiedosos desalmados e indignos de qualquer clemência machucam, esganam e atiram a queima roupa são merecedores de penas severas além do desterro absoluto e pleno em cárcere privado do ventre livre da sociedade dita “moderna”.
Ao querido e estimado cartunista Glauco com suas charges de humor crítico apurado o Deus criador do personagem Geral dão, Níquel Náusea, Woodstock, Piratas. Etc. e tantos outros mais que muito acompanhei e me fizeram sorrir e gargalhar de maneira inteligente e filho respectivamente nos resta um Cho rale e um adeus.
Ó Glauco [in memorian], vai ser "charge" lá no céu!
Manoel Serrão da Silveira Lacerda [Advogado – Poeta e Pofessor de Direito].
PORQUE A NOITE É MAIS DA LUA [Manoel Serrão].
Desde bem pequenininho
Eu fazia um beicinho
Para me deitar.
E a janela me abria o céu,
O vento entrava
Para me carregar.
Com meus olhos de menino,
Nada mais eu via,
Além de vislumbrar.
Porque a noite é mais da lua,
Ela é mais das violas e dos corações.
Hoje vejo o dia a dia,
O sol se pôr aquém
Meu sonho a derramar.
Trago um travo na garganta
E se não fosse louco
Eu podia gritar.
Muito além do que se sabe
Não seria a noite
O dia a se findar.
Posto que não se fizesse
Aquilo que eu queria
Não sei lamentar.
Porque a noite é mais da lua,
Ela é mais das violas e dos corações.
FÉ: O REMÉDIO [Manoel Serrão].

Quando me perguntam qual é a minha religião, onde fica o endereço da "minha" igreja, do "meu" templo, do "meu" terreiro ou da "minha" catedral, etc. Quando me indagam se freqüento, freqüentei ou com que freqüência participa das cerimônias religiosas, digo-vo-los: a nenhum e a nenhuma delas participo se for apenas para dar satisfação a alguém ou a quem quer que seja. Não freqüento por mera obrigação ou curiosidade daqueles que carregam nas mãos a bíblia sagrada, e nunca, jamais por conta daqueles que abrem e finge-a lê-la. Porque lê não é o lê que se passa a vista balbuciando palavras e dizendo-as aos outros ["pregando"] sem que as tenha passado primeiro pela alma, pelo espírito e verdadeiramente pelo coração cristão. A estes os chamo de hipócritas.
Afirmo-lhes com plena convicção que o meu louvor ao Deus Pai é diário. Ao Deus cristão Pai onipotente, onipresente e onisciente. Ao Nosso Senhor Jesus Cristo, ao Espírito Santo, enfim, a Santíssima Trindade em comunhão permanente para com Ele. É de adoração e louvor; é de prece e oração. É de renovação e fortalecimento, de respeito e silêncio que alimento a minha fé e a minha religiosidade, enfim, é de gratidão e obediência que me entrego à Soberana Vontade. Não se trata de idiossincrasias. Não! O meu amor e respeito a Deus é veiculado de forma objetiva e simples. É comunicação que faço por linha direta via satélite, seja por em canal aberto, fechado, TV a cabo. Seja por link, banda larga ou cauda longa, não importa, o que deveras importa é que não tenho hora nem audiência designada, nem agenda mento, etc., para com ele falar e trocar figurinhas em tempo real durante as 24 horas do dia. Porque é plenamente possível se ter religiosidade sem que haja a necessidade de adotar-se uma religião customizada A, B, C e D em que se paga para ter, e se paga caro.
Mentem e cometem pecado o homem que caminha sobre a face da terra e que afirma ter se tornado um ser melhor ou pior por conta da sua religião. Religiosidade com fé. Religiosidade aplicada na prática sem discurso religioso, porém, sublimada, levando-a ao próximo a palavra de Deus como dever nosso de cada dia.
Não se trata daquele discurso pasteurizado, insipiente e piegas que mais parece uma lavagem cerebral [e o é de verdade] como ato preparatório para o confisco e a posse do dízimo.
Portando, anotem o endereço da "minha" igreja, do "meu" templo e do "meu" terreiro: “Sou da igreja e da catedral sem nome e sem endereço situado em lugar incerto e não sabido”. Sou da igreja, do templo e da catedral que mais agradece do que invoca e pede Deus. Sou da igreja em que a palavra do Pai quando pregada eleva e engrandece cada vez mais o espírito fraternal, o altruísmo, e que desperta o verdadeiro significado do termo generosidade e amor ao próximo. Aquela que alimenta o bem-querer, o amor divino e ao ente querido tal como sustenta a auto-estima e não sopesa sobre os ombros como um sentimento de domínio e perda pela culpa, pela censura, pela proibição, pelo falso moralismo e pudor, mormente, pelas regras descabidas de conduta.
Não sou daquela igreja que prega a palavra de Deus para que fique temeroso, triste, pesaroso, desolado e deprimido com aquela sensação de culpa ou de que fizemos alguma coisa errada. Não, Deus não quer esse tipo de subserviência, submissão, culpabilidade, etc., Deus te quer um ser de luz feliz e próspero em altíssima superioridade espiritual e sintonia, amando e compartilhando com o próximo a boa aventurança.
Sim, sou da igreja e das catedrais sem dogmas. Sim, sou do templo sem fronteiras, sem doutrinas esdrúxulas imposta por repetição a qualquer preço e a qualquer custo a fim de limitar propositadamente a alma humana, o rebanho, pois em nada engrandece o homem em sua anima.
Sou de todos os cultos, não importa se passo pelo reverente temor de Calvino perante a Soberana Vontade ou pelo arrependimento e adoração de Lutero. A mim não importa se a diferença entre um e outro é o do cosmo visão. Se Lutero é gratidão. Se Calvino é obediência.
“Por fim, afirmo com a mais plena convicção que sou da CATEDRAL onde COMUNGAM todas as VERDADES DE DEUS”.
Fica com Ele irmão. E cuida muito bem da tua religiosidade. Ela é tua e do melhor alimento espiritual ela merece receber, o Deus Cristão!
Amém. Deus seja louvado.
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
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