RESILIÊNCIA [Manoel Serrão]
Vírgula errada, découpage à ambiguidade.Úmbria, impermanência ungida à finitude.
Sinecura, incompletude urdido à imperfeição.
Sou, assim, alfaia sem fala! O desde d'antes,
A espora do agora em modo de espera no mundo.
Sou, assim, posta ilusa, resina quebrada,
Resíduo sobre os contrários dos magos.
Ó sou tal qual visto o Hamlet à “deformação”
Do Eu que se amolda a “perfeição”.
Ó bravo! Bravo! Bravo parto!
Brado sem pranto meio a “multidão,
O resiliu varo o vergo, o tudo sem começo.
O peregrino vago recomeçar no verbo antes do fim.
Ó bravo! Bravo! Bravo poeta!
Se há no púcaro a dor cava lamenta do choro,
Ad restam gotas de assemelhada ressignificação.
Já revelei noutra oportunidade que sou admirador da poética de Manoel Serrão. É-me – aos meus olhos – provavelmente, o poeta mais complexo do Maranhão, na atualidade. Dono de uma larga obra (toda ela socializada na Internet), Manoel Serrão, desde que tive a primazia de conhecê-lo, “espanta-me” com os seus versos, e muitas vezes, me conduz a reflexões dialético-materialista-fenomenológicas.