Lista de Poemas
Mademoiselle [Manoel Serrão]
Vai buscar-te? Vai?
E 'fei-o' não é, dá-se em presente coração valente!
Não na há noutras devesas lábios de mel, nem donde lhe vem a luz de tão rico ‘splendor.
Co’a peregrina sorte que vos acompanha, vê-a bem neste olhar! Havíeis de muito sonhares? Ó petiz que da bela se assenhoreia, põe-te a andar? Teus passos deixarão teus passos. Ó porque não te amas sem escolher à quém? Para amá-la e amar-te é preciso saber amar!
Imagem: Jacqueline Kennedy Onassis.
RESILIÊNCIA [Manoel Serrão]
Vírgula errada, découpage à ambiguidade.Úmbria, impermanência ungida à finitude.
Sinecura, incompletude urdido à imperfeição.
Sou, assim, alfaia sem fala! O desde d'antes,
A espora do agora em modo de espera no mundo.
Sou, assim, posta ilusa, resina quebrada,
Resíduo sobre os contrários dos magos.
Ó sou tal qual visto o Hamlet à “deformação”
Do Eu que se amolda a “perfeição”.
Ó bravo! Bravo! Bravo parto!
Brado sem pranto meio a “multidão,
O resiliu varo o vergo, o tudo sem começo.
O peregrino vago recomeçar no verbo antes do fim.
Ó bravo! Bravo! Bravo poeta!
Se há no púcaro a dor cava lamenta do choro,
Ad restam gotas de assemelhada ressignificação.
Já revelei noutra oportunidade que sou admirador da poética de Manoel Serrão. É-me – aos meus olhos – provavelmente, o poeta mais complexo do Maranhão, na atualidade. Dono de uma larga obra (toda ela socializada na Internet), Manoel Serrão, desde que tive a primazia de conhecê-lo, “espanta-me” com os seus versos, e muitas vezes, me conduz a reflexões dialético-materialista-fenomenológicas.
REZA O CREDO [Manoel Serrão]

Vai! Arreda! Rezar o credo inveja.
CARTILHA DO ABC [Manoel Serrão]

Na cartilha do aprender,
Quem desaprende o ABC?
O feito não se desfaz.
A vida não se tresler.
NICOLAU COPÉRNICO [Manoel Serrão]

Nicolau provou.
A terra em torno do sol,
Roda a baiana.
OUTONOS [Manoel Serrão]
Afeito às lutas,
Vivera rios e poços de sonhos...
Hoje caduco por sorte? Sorrir da morte!
AUDAZ [Manoel Serrão]

Vai
Fazer arte,
Audaz!
Faz parte!
CORAGEM [Manoel Serrão]

Coragem.
Confiais em Deus.
E Eu versos por ti!
RECOMEÇO [Manoel Serrão]

Em pranto e riso, ei-me aqui!
Mesmo assim, entre o rito do amor e o mito do sonho,
O amanhã recomeço hoje.
ILUMINADO [Manoel Serrão]
Volt iluminar!
Ora outro? O watt elementar meu caro Watson?
Não há trevas que apague a luz do saber!
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
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