Lista de Poemas
FEMINISTAS [Manoel Serrão]

Para as feministas,
Todos os homens devem morrer:
Menos os poetas!
BACO & MORFEU [Manoel Serrão]
Como DEUSCOMO, Deus Morfeu.
Como Deus Baco bebeu tanto?
Como nos teus braços Deus Morfeu, dormiu Baco?
Como DEUSCOMO, como pode?
Como pode o Deus Baco andar de gatinho!
Cair Deus Morfeu no teu colo, roncar tão sonoro?
Como DEUSCOMO, Deus Baco, Deus Morfeu, como pode?
Como pode no plano terral beber-se tanto, ficar de fogo com cara de porre?
Ó ouvi-me, pois, ouvi-me bem!
Como Deus Baco, Deus Morfeu,
Como DEUSCOMO, como beber-se tanto assim!
Ó como se phode Deus ?
AGRIPA [Manoel Serrão]

Ora o Ogro do gene, cio, parto d’agripa.
Ora o feal Petiz, xiita, salvo d’ordálio.
Ora o Mancebo assaz, xita de vão reparo.
Ora o Turista atipa dorido c’os vaios.
Mas no cabente?
O Gajo, só à fórceps nascor, ó raios!
BOIAS FRIAS [Manoel Serrão]

Êi Etanol,
Bio combustão? Ração flex?
Ó não boia [s], tendes, fé!
Se não for Power é fome!
A fria [s] é assobiar e cortar cana.
COISA APARENTE [Manoel Serrão]
Uns negam, emudecem, e mentem!
Outros consentem, consomem, e dêsmentem!
Entre uns e outros pelos diferentes, apenas uma “coisa” aparente adeja no ar.
SERAPHIM [Manoel Serrão]
Ó d'ingrata o labéu, errância, desdouro confeito infiel, inda que amargue-me com oo vosso fel.
Ostento em terra os pés, do que sê-lo "céu", e o servil no "paraísio" do teu bordel.
Não! Não sou o Pégaso, nem o Ego alado “solipso” dos vossos desenfastos.
Não! Não sou a verme, nem a rês do canzil, a marca à ferro dos vossos cobiçados.
Não! Não sou a presa inútil no calabouço da vossa purga, nem o surto de Tântalo o suplício:
Ora tão perto e, ora distante, tornado a pedra agastada do vosso anel.
Ó vês, sei d’Eu tanto quanto mais sei do que sei, e quem sou,
E do que sei, não sabendo, eu, assim como não sei, quem não sou:
Ora cheio de nãos, outras vaguezas de sins?
Ser afim, de per si, assim: solitude soluçada, queiras ou não?
Inda A insita liberta da minha orbe calejada.
Inda A gota suicida estilada, clara, tão útil, tão alma, tão cava na bátega afogada.
Inda O papel crepom azul, ora leve brisa sul, ora plúmbico céu encrespa, sob o manto celeste dos meus ceos.
Anjo ardente de mim, Seraphim! Sou o meu único e, insito fim.
EROS FLECHA [Manoel Serrão]

Lança a cúspide! "Cuspilha" curto o ego e a cútis com o curare da paixão.
Quando o Eros crava a cútis? Encanta e “cega”!
É contágio o amor! Não há "cura" para o coração.
A TRINDADE [Manoel Serrão]
Ao sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman.
Impalpáveis, infinitas e tão eternas...
Imutáveis, imateriais e tão transcendentais...
Ó assentai-vos, e olhais para o que há no espaço!
Olhais os rios, os mares e a larga vastidão dos oceanos de Pontos.
Espiais os dias, as noites e o altivo de Urano e Gaia à procura da remota humana;
Olhais para as profundezas "intestinas" e entranhas de Tártaros.
Ó assentai-vos, e olhais para o que há no tempo!
Espiais o presente tão falto de verdade e paz, com os seus peregrinos errantes e miseráveis desesperançados sem liberdade que desencontra o humano;
Olhais essa "massa" passiva, invisível e sacrificada, meros expectros, filhos dessa pátria saqueada;
Espiais esse “rebanho” forjado no aço do passado; e, para todos os sonhos futuros de redenção, que vão-se em ondas de normose aos rés entre os dedos da ilusão, aceleram o trágico espetáculo da decadência humana.
Ó assentai-vos, e olhais para o que há na base da matéria!
Olhais o primeiro, a carga positiva dos prótons; e, no meio dos prótons, impedindo que eles tenham contato direto os nêutrons;
Olhais para os elétrons, partículas dotadas de carga elétrica negativa.
Ó assentai-vos, e olhais para o que há no estado da matéria!
Espiais o sólido que se liquidifica; onde todas as iterações e encontros dos entes se tornaram provisórios e temporários, fugazes e passageiros, válidos apenas até um novo dia;
Olhais para d'onde impera o individualismo, a desigualdade, a revolução digital, e a efemeridade das relações, e quão gases volatizam todos os mais belos sonhos.
Ó assentai-vos, e olhais para o que há na música!
Escutais a tão suave e sonora melodia da vida; e os cânticos harmoniosos da Terra; as cítaras e as harpas do silêncio; a concisa harmonia do amor fraterno;
Ó olhais o ritmo que se dará à paz no mundo.
Então vedes, olhais o que deu-nos Deus em 3 em Um e no 3 e Um, uma assinatura para a redenção dos homens: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
E nós homens todos amém!
TERCEIRA VIA [Manoel Serrão]

A regra rege.
A lei obriga.
E o reggae embala a vida.
CÓRTEX [Manoel Serrão]

Pensando bem?
Pensar é vital para o córtex cerebral.
No fundo tem um quê de metabólico.
É que o cérebro tem mais juízo do que voz!
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
Português
English
Español