Lista de Poemas
ONÍRICO [Manoel Serrão]

Onde a poesia triunfa,
Nenhum poema se basta.
Onde a esperança desperta,
Nenhum sonho se acaba.
Onde o sonho sonha...
Sonha porque sonhos
E poesias não são em vão!
DESCONTROL [Manoel Serrão]
Ucha fina, "baú" high-tech, vício, o poder da luz sem cura. O menu com voz avançada; o mal invisível no infravermelho! O lixo arrebatador à 80HDR polegadas!A hipnose global do soft lux digital,
Onde o preto é o preto mais preto e o puro é o branco mais branco apuro.
Ei-lo, OLED de contraste infinito: “véu” que cega e os embesta!
Ei-lo, O Smart que aparta no home theate e o separa “da TV” a massa cinza “da labuta” diária.
Sol a sol! Luau a luau! Ó alli 'stá naquele symbol e naquela imago: o “mundo real”!
Ó alli 'stá naquela boca secura, espectro sem cura de incontinência verbal! Há um "novo homem-na-ordem-manual"!
Ao passo que, muito aquém do que seriam na ordem de aparição: jaz n'uma ABC- Colorado sem lamentar-se da Velha Nova Ordem Mundial.
DESSEDENTA [Manoel Serrão]

Dessedentas a língua
E o céu da boca!
Cuspis o velho,
E salivais o novo.
ASSEMELHADOS [Manoel Serrão]

E ei-los ai distraídos!
Anjos belos mais-que-perfeitos,
Ó deixai-os livres, deixai-os...
Vês que às vós e nós se assemelham.
Ó vês, n'almas ocultas, onde a beleza se elabora?
Guardais o elo, os nós, e sê-lo-emos todos iguais e diversos,
Anjos imperfeitos que dessemelham inda mais belos!
BICHOS-DA-SEDA [Manoel Serrão]
Belo afã, sedosa lã d’um só novelo. Tricô d’fleur que a traça não rói.
Veste amorosa que o tempo não desbota.
Ó deu-nos D'us, teceu-nos a vida na roca.
E deu-nos a roca linha ao amor tecido em ouro na borda.
E deu-nos a roca linha aos fios d’almas afins e beijos à porta.
E deu-nos a roca linha ao elo à dois por um amor eterno que nos conforta.
Inda larvas do bicho-da-seda, ostes no casulo d’ alcova.
Inda infinitos fios pr’os teares e eternos corações pr’os teceres.
Anelo, afã! Lã d'um só novelo num só emaranhado de nós.
Ó não sem dous sãos ciosos amantes? E deu-nos D'us, teceu-nos eternos destinos na roca.
EX LEGE (Manoel Serrão)

Dão-no por tempestivo, bem concebido, recebido (cor)respondido, e bem preparado.
Ó vê-se não quadram reparos! E subira ao "reino" (ao) encantado.
Daí acolhido do verbo o Apelo e do verso o Acórdão: decidiu-se (o) poema?
De resto, cumpre ao poeta, e o faz, valer-se da poesia salvante a beleza do mundo.
Mas decidido, se não constar haja, na forma do coração!
Sem custas ex lege.
Ödipuskomplex [Manoel Serrão]
No caráter, fora Hamlet.
No destino, fora Édipo.
Mas no elo do trágico?
Ó fora Freud!!!!
UNDERGROUND [Manoel Serrão]

Passo
a passo
um
degrau...
Vivo
no diviso
Front que separa
O verso unforgettable,
Do indiviso underground.
PARLEZ-VOUS [Manoel Serrão]

Selo, não sê-lo?
Passai a língua nelle.
Ó parlez-vous amor!
Mas sede universal.
QUARENTENA [Manoel Serrão]
Ó amém! Rezarei a quem?
Ó D'us! À todos peço-lhes perdão!
Eu... Logo eu pálido Deus que fora à quarentena de febre e delírio... delírio... delírio... Ó D'us! Rezarei a quem?
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
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