Escritas

Lista de Poemas

ÓCIO [Manoel Serrão]





Ócio... Ócio...

Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!



👁️ 3 558

SES’SEN’TA [Manoel Serrão]



Ó qu’eu por amor à ti vida, não fiz?
Se por ti me fiz uma janela aberta sobre o mundo fechado afora;
o verbo errado para o acerto da borracha; quão o verso avesso arriado aposto à rima do Parnaso.
Se por ti me fiz busca além dos edifícios de concreto sujo e das minhas ruas descalças pela absolvição do cadafalso; o silente dorido que sofre, cala e berra, quão a diferença do ser que É ser-de-pois-quê, o ser que fala.
Se por ti me fiz verdade quase impotente para mentir? Quão o dom do ser criador, o dom que faz do desejo, sacrifício; o gosto desconhecido de água e sangue sem sabor, meu próprio gosto de ser existido;

Ó qu'eu por amor à ti vida, não fiz! Se por ti me fiz o sono leve, o sonho, e o pesadelo; a luz e a sombra. Se me fiz pouco a pouco a paz e a escuridão sem medo da noite;  

Se me fiz o Sol, o céu preclaro, o sal, o cio, dias rútilos –, sementes; plantei-me em ipês de floradas amarelas. Se me fiz o modular do bem-ti-vi cantador, e o revoar do colibri  beija-flor.

Águas... águas de abril, chuva benta, rios correntes, me fiz o vaivém das ondas e dos mares n'áreia: me fiz oceanos e os litorais. me fiz o protoplasma d’onde advém ao mundo: o homem.

Se me fiz creu, increu, o São Thomé descrente;  a rocha fraca, o riso forte, o fogo-fátuo. Se me fiz o sulco-do-cenho, a lepra da face quão a cura no amor que grassa.
Fiz-me a [I]mago, a purga de Hades, o ósculo amagor, o Eden-, Fiz-me o Pai, o Filho, o Espírito, o Santo belo da dor.
Construção... obra em curso: o ninguém por merecer, valer a pena conhecer-, Fiz-me a essência, o existir do ser acontecer. Fiz-me prantos e revoados cantos, os “Todos” e os “Nenhuns” do meu onthos, - fiz-me o apego, o liberto, o desejo e o desapego. Ó incompreendido? Fiz-me ser a compreensão do Ser que se descobre até no aquilo que aparece como já tendo sido. Ó  vida, tenho pressa.
Tenho pressa? Não vês que o tempo urge para o quê me resta?
Não vês que pó pra sê-lo uma só prece no poema é o que me presta?  
Não vês que todo o homem não é mais que um sopro, tenho pressa? Ó tempo, diz-me: o que me resta? O que me resta?
Ó nada há mais são na minha carne, mas devora-me a carne? Nada há intato nos meus ossos, mas quebra-me os ossos?
Inda débil, couraça coberta de pelos e as cãs povilhadas de neves... Ó tempo, perguntas em aberto: o futuro? É o hoje! Ó não dei voltas, não escondeis da vossa face o oblívio da morte! Ó tempo, eu juro, à fé em D'us, sem pressa aos ses’sen’ta chega árdego sem espera! Ó onde nada mais se repete, já me pesas! 

 



Esta obra, ora analisada, dispõe de um palavriado ‘alienígena’ muito pertinente às ideias diferenciadas de Serrão, em sua construção lírica. Até, muito pertinentes às escritas por Gaston Bachelard: "O exterior e o interior formam uma dialética de esquartejamento, e a geometria evidente dessa dialética nos cega tão logo a introduzimos em âmbitos metafóricos. Ela tem a nitidez crucial da dialética do sim e do não, que tudo decide. Fazemos dela, sem o percebermos, uma base de imagens que comandam todos os pensamentos do positivo e do negativo". 
 
Isto é, Serrão é grandioso em sua construção e desconstrução pseudo-oníricas quase perfeitas, como cirrostratus: (Ó qu’eu por amor à ti vida fiz-me o verso a borracha, a escrita poesia, o corpo e ánima: [a] fala e o Sujeito com a palavra. Fiz-me o zéfiro, a tormenta, a bonança e os temporais; o sono, o sonho e o pesadelo, o ruído e o silêncio, a luz e a sombra, a rosa dos ventos. Fiz-me pouco a pouco a paz e a escuridão sem medo da noite. (...)” . / Construção... obra em curso: o ninguém por merecer, valer a pena conhecer-, Fiz-me a essência, o existir do ser acontecer. Fiz-me prantos e revoados cantos, os “Todos” e os “Nenhuns” do meu onthos, - fiz-me o apego, o liberto, o desejo e o desapego. Ó incompreendido? Fiz-me ser a compreensão do Ser que se descobre até no aquilo que aparece como já tendo sido. Ó  vida, tenho pressa. (...)”.

A beleza da obra de Manoel Serrão da Silveira não diz respeito, apenas, à solidão reencarnada de Horácio ou à metafísica do inconcluso construtiva ou desconstrutivo de Bachelard. Mas sim, na forma portentosa da criação, onde fatores ortográficos acabam não se misturando com o fator temático, quase que tecendo uma lírica sob efeito de uma – dialética (que) nos cega tão logo a introduzimos em âmbitos metafóricos - como escreveu esse filósofo e poeta francês em A POÉTICA DO ESPAÇO, pg. 215.  

Mhario Lincoln                                                                                   
Presidente da Academia Poética Brasileira                                          
Curitiba, 14.02.2018.


Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br - Acredito eu que a POESIA e a Literatura especificamente, deveriam ter um tratamento mais razoável neste País chamado Brasil. Que não só os folhetins novelescos repetitivos e enfadonhos a se perpetuar, cada vez mais, no ilusório coletivo. A poesia deveria (como estamos tentando fazer em nossas publicações) ter um lugar especial. Por exemplo, Antonio Candido de Mello e Souza, sociólogo, literato e professor universitário brasileiro, estudioso da literatura brasileira e estrangeira, pensa igual: 'A literatura é pois um sistema vivo de obras, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem...'. Então, se não há produção literária, não há leitores e não havendo leitores, não sobrevive, por si só, a literatura.(...)" #domeulivro ML

Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br






👁️ 3 434

O SINTHOMA COLETIVO DO SUJEITO [Manoel Serrão]


Prometa-se! Prometa-se! Dê-se em recompensas! Dê-se em recompensas antes mesmo que os pequenos caminhos, as veredas e as estreitas sendas se tornem grandes distâncias sem destinos.

Cheia de conclusões e novos começos, o que quer que tenha estado no seu tempo e na sua energia, o que agora acabou está findo. Doe-se a lembrança de honrar no desafio o Sinthoma [Lacan] do Sujeito e todos os demais perigos das escolhas que os rondam. Tu és a vida, a força, a alegria nada pode abatê-lo [a]. Que algum novo possa ter começo.

Só se pode pensar que sim! Se si pode dizer um não! Que não digas. Que não fales. Que não respondas. Não dizer as coisas até o fim? Não se trata de uma resposta para uma pergunta, mas de algo maior do que a resposta. Sabeis, ó sabeis então honrá-los?  “Resta-nos entre “razões” opostas, “extremos” e radicais”, o totalitarismo e o combate [a reação] – a realidade e sua outra cena - o mar de dentro, o mar de fora, há de suster-se no tempo presente – o sim e o não – o destro e o esquerdo – entre - sempre demasiado abismos até o cume alto do onthos, a cadeia montanhosa dos vossos purificados. Exortados a não recuar ante os contrários, subais com redobrada atenção, mas também com veemente leniência e aspiração o pico da existência e de lá contemplais a finitude da “eternidade” de um por do sol.
 
Sim! Vá e – voilá - sem fille-au-pair creia quando por lá chegardes que a vossa compaixão sejais a arte de abater o frio invasor dos corações de neve, e assim, após, o toque fraterno e solidário na tropa de todas as tribos, tangeis infatigável o vosso rebanho rumo ao melhor dos homens.

Quente e úmida, inóspita, tesouro de grande riqueza é o poder da floresta amazônica com sua biodiversidade, o seu látex, o ciclo das águas e dos igarapés, ao penetrares as suas entranhas, beijais a fauna, abraçais a flora, e sob a regente baqueta da eco-band compúnheis uma ode, uma tocata si fonia que fale de amor e de preservação pela mata da vida. No útero, aprofundais vossa conexão com a natureza, com as estrelas, somos, todos, filhos da Terra.
 
Conquanto ao correrdes vossos olhos para o Oriente segue a Vésper, o bando e a constelação da estrela d'alva.

Ó lançais outro olhar sobre o mundo. Em nada reconheceis como verdadeiro. Não esqueceis da caravana ao atravessardes na solidão do homem em converso segue em fila passo a passo e como tal tudo anda e tudo passa, e que junto a si haverá sempre alguém que te acompanhará em demasia. Seja ao menos cigano, nômade, pária!

O seu - eu sou lida e labor que passo a passo
só o perseverante com a astúcia dos bons propósitos e o bom senso da verdade relativa, vence-a com sangue, suor e a cáfila na vastidão do vosso deserto existencial.

Ao visitares os campos das paixões e amores silvestres fazes do Eu - Teu e de Mim o aroma e do buquê ramalhete do perfume a tua morada, assim como fazes da fartura do cardume, o mel do enxame, da penca, do chacho o néctar que alimenta o beija-flor da t'alma.

No planisfério do atlas ao abri-lo só o faças com o espírito e a xacra iluminados, portanto quando falares da paz o faça numa só língua do abecedário. Jamais percamos a conexão com aqueles que amamos.

Finalmente fotografe tudo e grave, registre como um filme na mente para que jamais esqueçam no álbum da vida as lembranças amareladas do tempo pretérito, do tempo presente e do por vir do tempo perfeito que insiste em fazê-lo partir.

Correndo o mundo, cruzando mares, faz de vós um Crusoé, jamais desista, porque não há uma marine e existem batalhões e batalhas, mas também há perto de mim, de ti e de nós a presença divina do Deus Pai onipresente, onisciente e onipotente que vale por todo o exército e todas as batalhas. Não há inimigo tampouco mau que os vença.
 
Já viste teu o D'US pai nosso que está no Universo em forma una - plena coletiva e substantivada em poesias. Afinal, que mundo queremos?

Manoel Serrão da Silveira Lacerda – Advogado – Professor de Direito – Poeta e Escritor.
👁️ 1 678

SUICIDÁRIO [Manoel Serrão]


Ó Gaia, adeus! Fui escrever uns versos e, à hora em que imortalizaes este poema, espero já estar banido da poesia!

Estou cansado de viver com tanta felicidade o sal das palavras, vou convencer a minha loucura, e a minha doidivana poesia a denunciar-me por violação ao verbo ser contrafeito à hipocrisia do verbo ter.

Assim, além de perpétua e imortalizada, alcanço na fila dos homens sozinhos, a cadeira "elétrica" da Academia.
👁️ 1 982

O'HARA [Manoel Serrão]




Um píxel na imensidão,
A anos-luz te espero... 

Virei pedra, o elo, o souvenir de borracha.
A "partícula de D'us", o big bang...
Virei a matéria, o ectoplasma,  
O'hara? E tu não passas!!!!
👁️ 1 588

O DESDÁ-O-NÓ [Manoel Serrão]



Qu’inda à escave.
Qu’inda à esterque.
A vida, mais que tudo:
É sempre O ater-se,
E nunca O atar-se.



Esta obra, ora analisada, dispõe de um palavriado ‘alienígena’ muito pertinente às ideias diferenciadas de Serrão, em sua construção lírica. Até, muito pertinentes às escritas por Gaston Bachelard: "O exterior e o interior formam uma dialética de esquartejamento, e a geometria evidente dessa dialética nos cega tão logo a introduzimos em âmbitos metafóricos. Ela tem a nitidez crucial da dialética do sim e do não, que tudo decide. Fazemos dela, sem o percebermos, uma base de imagens que comandam todos os pensamentos do positivo e do negativo".  

Na minha interpretação geral, como pintar uma tela com um milhão de cores invisíveis, porém, com a sensibilidade indelével de se fazer notar a olho nu. Leia: 

“Qu’inda à escave./ Qu’inda à esterque./ A vida, mais que tudo:/ É sempre O ater-se, / E nunca O atar-se.”. 
Este é Manuel Serrão que Thomas Stearns Eliot deveria ter conhecido, se em carne e osso ainda aqui estivesse. Talvez reforçaria a sua frase ódica mais lembrada entre os poetas: 

“Um clássico só pode aparecer quando uma civilização estiver madura, quando uma língua e uma literatura estiverem maduras; e deve constituir a obra de uma mente madura. E a importância dessa civilização e dessa língua, bem como a abrangência da mente do poeta individual, que proporcionam a universalidade. (...)”. 

Mhario Lincoln                                                                                   
Presidente da Academia Poética Brasileira                                          
Curitiba, 14.02.2018.



Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br - Acredito eu que a POESIA e a Literatura especificamente, deveriam ter um tratamento mais razoável neste País chamado Brasil. Que não só os folhetins novelescos repetitivos e enfadonhos a se perpetuar, cada vez mais, no ilusório coletivo. A poesia deveria (como estamos tentando fazer em nossas publicações) ter um lugar especial. Por exemplo, Antonio Candido de Mello e Souza, sociólogo, literato e professor universitário brasileiro, estudioso da literatura brasileira e estrangeira, pensa igual: 'A literatura é pois um sistema vivo de obras, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem...'. Então, se não há produção literária, não há leitores e não havendo leitores, não sobrevive, por si só, a literatura.(...)" #domeulivro ML

Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br

👁️ 3 125

D’OSGEMEOS [Manoel Serrão]

https://c1.staticflickr.com/3/2065/1806802918_e66c0b96cb_z.jpg?zz=1

Ó “Poseidon” -, D’us dos Mares -, Guardiã das Águas profundas e das marés rasas.
Ó tu imortal que ao sal das vagas emerge das entranhas líquidas, que desaba em fúria severa sobre o tombadilho, e quão um punho em brasais, esbatia-se contra o rochedo do "Náutilos": arremessa-o contra o tempo pelo eterno; desafia-o num só gesto à morte; e, atormenta-o nos interiores pelos seus contrários o mundo ao redor.

Ó inda que mal traçada a rota pelo azimute, acaso D’us, viste-os vencidos? Vês são bravos “Vernes” rumo às “Ilhas” desérticas de suas almas etéricas. Vês, lá d’onde o homem-criança [os bons], reinventa o mundo, povoa-o, fecha-o e nele em claustro na caixa Nau se encerra, e a tornar-se retina viajante, é a mesma Nau que, de leve, afagam infinitos e causa amiúde partidas.

Ó Bendicto! Não vês? São heróis mortais sem desonra -, escutai-os e guardai-os só para vós no coração: por que não poupais os bons e os maus mandem-nos a purga de Hades? Ó se até o “Celeste” que outrora fora ao pique em cresta e brasa, nem à cais do porto – o destino -, a Sagração o salvara? Ó se até o “Bateau ivre” de Rimbaud, a exora, nau que se dissera “eu”, e, liberto de seu banker, fizera do Homem-pequeno homúnculo das sombras, passar de sua caverna a uma sublima alma poética?

Ó vês, inda que suprima da matéria o homem e deixeis a nau às sós: nada escapará ao ectoplasma, nem mesmo o mais remoto esférico e liso dos Universos infinitos.

Então, espiais? De Gaia, o Ponto virá a ti...

Ó "Eólio" -, D’us dos Ventos -, ó tu imortal de os teres consigo a soprar-lhe as vê-las do reino humano até voar: o vento suão; o furacão; o temporal; o vento gélido; a tempestade; e, o vento cáustico às vossas erigidas ameias aos céus do Olimpo ruiu - o destino – virara estrelas encarnadas e a imortalidade quebrando as madrugadas o alcançara.

Ó D’us que o indago e proclamo ser teu aliado: e que homem sem sonhos aos céus pode chegar? Por que não haveria de vagar pelos campos à colheita do sonho? Nossos sonhos são como um sopro dos ventos, mais que tudo precisão: a própria vida do Ser que se quer ser existido.

Ó imortal, como me vos desfizestes! Não vedes que nós, mortais são-nos destinos, e nossos dias de imortais são-nos contados.

Então, espias? De Gaia, Urano virá a ti...

Ó d’osgemeos” fúria do vento e do mar, entre - humanos e divinos – os diferentes, urge-te do estro unguento da poesia quão o sábio Gilgamesh o mais antigo que o Dilúvio – o épico do poema. Sim! Aquele que tudo vira que singrou os mares, que soubera de todas as coisas, e fora aos céus pelos ventos.

Então, espiais? De Gilgamesh, a Poesia virá a ti...

Ó dize-o tu, severo Mito? Por que acusas os mortais dos sonhares e do mal que há imortal no homem não vos dás a cura? Acaso vós sabeis dos mares vindos da corrente que os arrastam para longe, para sempre, a rota de voltar à morte para a vida, o caminho?

Acaso vós sabeis? Sabeis? Ó severo Mito, assustado, sabeis dos reveses que vos afliges quão o rito de mantê-lo à tona vivente no presente revivido?

Então, espiais? Do Rito, o Mito virá a ti...

Ó d’osgemeos dos mares e dos ventos, acaso procurareis vento no meio dos ventos? Água no meio dos mares? Ó se ali Deus imortal dela vos serás; morto ali o homem em vão dela não serás.

Ó D’us imortal “Poseidon”, agora que somos vida para amar. Ó D’us imortal “Eólio”, agora que somos sonhos para sonhar.

Ó que sejamos Vida e Sonhos, não vês? A Vida no “Berçário da Evolução” a ti virá dos Homens!
Mas dos Homens que devemos aprender a morrer para o que somos, e renascer pelos sonhos.

Então, espiais? Só assim, de Zeus, o Olimpo virá a ti...



 

 



 

 

👁️ 3 707

CANTEIROS [Manoel Serrão]





Em canteiros de versos ensolarados,
Plantei um jardim de poemas.
👁️ 3 207

Ödipuskomplex [Manoel Serrão]




No caráter, fora Hamlet.

No destino, fora Édipo,
Mas no elo do trágico?
Ó fora FREUD!!!!
 
👁️ 1 765

VIRTUOSA DE PORTUGAL [MANOEL SERRÃO]

Vede se lhe fazem bem? Vede que altivos sobre mirrados,
Sobre afogados, pobres e miseráveis, se ti querem o bem!

Ó vejam se pisados e perseguidos dos homens gemem, agonizam calados?

Se sobre o planisfério de perplexo espanto, põe-nos subsumidos amados.

Segues, ó virtuosa musa de Portugal! Segue no teu canto o fado aos homens encantados.

Segues a rapsódia dos teus versos de amores brandos, e o purgativo inferno o teu império, tu amais orando.

Vês! Não vês que tua mentira bramida nunca fora mágica da vara de Merlin.

Olha que cedo ou açodado o tempo rapace...
Amar sem vê a alma e o coração?
É amor que não há nem houve, e nem haverá.
Faz dos amores rompantes desencantos.
E como se fora muito firmes;
Faz dos amores ideados fundados sobre castelos...
Ó com que tanto pensaras amar na vida assim?
Apenas os sonhares de um amor conúbio sem despedida!
Mas na terra das pedras e do Sol, acaso vendo o engano da esperança...
Do amor desistirias?




👁️ 467

Comentários (1)

Iniciar sessão ToPostComment
321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.