Escritas

VIRTUOSA DE PORTUGAL [MANOEL SERRÃO]

manoelserrao1234
Vede se lhe fazem bem? Vede que altivos sobre mirrados,
Sobre afogados, pobres e miseráveis, se ti querem o bem!

Ó vejam se pisados e perseguidos dos homens gemem, agonizam calados?

Se sobre o planisfério de perplexo espanto, põe-nos subsumidos amados.

Segues, ó virtuosa musa de Portugal! Segue no teu canto o fado aos homens encantados.

Segues a rapsódia dos teus versos de amores brandos, e o purgativo inferno o teu império, tu amais orando.

Vês! Não vês que tua mentira bramida nunca fora mágica da vara de Merlin.

Olha que cedo ou açodado o tempo rapace...
Amar sem vê a alma e o coração?
É amor que não há nem houve, e nem haverá.
Faz dos amores rompantes desencantos.
E como se fora muito firmes;
Faz dos amores ideados fundados sobre castelos...
Ó com que tanto pensaras amar na vida assim?
Apenas os sonhares de um amor conúbio sem despedida!
Mas na terra das pedras e do Sol, acaso vendo o engano da esperança...
Do amor desistirias?




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