Lista de Poemas
Medo - Reboque da vida
Ainda jovem ouvi de um sábio grego que,
Me tomariam a inocência,
Me privariam a liberdade,
E parte de minha consciência.
E que não falhariam em me roubar os sonhos,
A força de minhas pernas,
o compasso de meu peito...
Que amputariam meus amores,
Dos carnais - aos virtuosos.
E por fim, definhariam minha dignidade pouco a pouco,
Até que meu nome se fizesse maldito entre trigos e joios.
E eu, simplesmente segui vivendo até que me fosse completamente extirpado o medo do oculto e do incompreensível.
Me tomariam a inocência,
Me privariam a liberdade,
E parte de minha consciência.
E que não falhariam em me roubar os sonhos,
A força de minhas pernas,
o compasso de meu peito...
Que amputariam meus amores,
Dos carnais - aos virtuosos.
E por fim, definhariam minha dignidade pouco a pouco,
Até que meu nome se fizesse maldito entre trigos e joios.
E eu, simplesmente segui vivendo até que me fosse completamente extirpado o medo do oculto e do incompreensível.
👁️ 289
chama Eterna Chama (Em resposta a Manuel Bandeira)
O amor chama, e depois, Chama!
Faz refletir caro Bandeira.
A Chama vem, o amor chama...
Basta mirar, a artéria inflama
inerte ante o encanto da roseira.
O amor chama, e depois, Chama!
O peito alastra, é feito grama.
Orgulho cede - e da bandeira.
A chama vem, o amor chama...
E vale relva, e vale cama,
é luta séria - é brincadeira.
O amor chama, e depois, Chama!
E com o tempo, o amor escama,
vê fenecida - tua fogueira.
A Chama vem, o amor chama...
Vive saudade, peito reclama.
Revém a alma ardendo inteira.
O amor chama, e depois, Chama!
Se é amor, ninguém se engana
Vai ser eterno - desta maneira.
A Chama vem, o amor chama...
O amor chama, e depois, Chama!
Faz refletir caro Bandeira.
A chama vem, o amor chama!
Faz refletir caro Bandeira.
A Chama vem, o amor chama...
Basta mirar, a artéria inflama
inerte ante o encanto da roseira.
O amor chama, e depois, Chama!
O peito alastra, é feito grama.
Orgulho cede - e da bandeira.
A chama vem, o amor chama...
E vale relva, e vale cama,
é luta séria - é brincadeira.
O amor chama, e depois, Chama!
E com o tempo, o amor escama,
vê fenecida - tua fogueira.
A Chama vem, o amor chama...
Vive saudade, peito reclama.
Revém a alma ardendo inteira.
O amor chama, e depois, Chama!
Se é amor, ninguém se engana
Vai ser eterno - desta maneira.
A Chama vem, o amor chama...
O amor chama, e depois, Chama!
Faz refletir caro Bandeira.
A chama vem, o amor chama!
👁️ 378
Contemplação
Eu vi a face da morte
É rubra e é branca e é azul.
Eu vi que a face da morte
É a própria face de Exu.
Anjo - Orixá - Luminoso
Despido de túnica e foice.
É a face guerreira da morte
Exu: Bravo, vigoroso.
Eu vi a face da morte
A morte mais forte que a vida
A morte mais santa que a vida
A morte mais viva que a vida.
Senti a força da morte.
- Um peso enorme nas costas
- Um lume a cegar os meus olhos
- A paz que não mora entre os homens
- Um canto a zunir meus ouvidos
- A morte em face do morto
Eu vi a face da morte
É rubra e é branca e é azul.
Eu vi que a face da morte
É a própria face de Exu.
É rubra e é branca e é azul.
Eu vi que a face da morte
É a própria face de Exu.
Anjo - Orixá - Luminoso
Despido de túnica e foice.
É a face guerreira da morte
Exu: Bravo, vigoroso.
Eu vi a face da morte
A morte mais forte que a vida
A morte mais santa que a vida
A morte mais viva que a vida.
Senti a força da morte.
- Um peso enorme nas costas
- Um lume a cegar os meus olhos
- A paz que não mora entre os homens
- Um canto a zunir meus ouvidos
- A morte em face do morto
Eu vi a face da morte
É rubra e é branca e é azul.
Eu vi que a face da morte
É a própria face de Exu.
👁️ 305
Devagarzinho à morte
Quando partires feche a porta bem devagarzinho, de modo que eu possa contemplar o derradeiro pranto no teu rosto amarguradamente meu.
Celebremos assim os quatrocentos e vinte e dois dias do arrastar de um amor sombrio, nebuloso, úmido.
Ah vida minha, deixa que eu contemple a beleza desta mágoa infinda, deste último instante de palpitação, deste corpo fugindo dos meus braços lentamente - centímetro a centímetro.
Querida, quando partires feche a porte bem devagarzinho, de modo que guardes os quatrocentos e vinte e três dias em que fomos desumanamente tristes...
Dias que chovemos hora a hora, paúra a paúra numa inquietude sólida como a morte.
Horas que passaram cálidas e sujas e murchas e pálidas... e todos os segundos que nos rasgaram impiedosamente.
Feche a porta bem devagarzinho simplesmente, para que guardemos enfim, a última intensidade, os últimos momentos em que estaremos absurdamente vivos.
Celebremos assim os quatrocentos e vinte e dois dias do arrastar de um amor sombrio, nebuloso, úmido.
Ah vida minha, deixa que eu contemple a beleza desta mágoa infinda, deste último instante de palpitação, deste corpo fugindo dos meus braços lentamente - centímetro a centímetro.
Querida, quando partires feche a porte bem devagarzinho, de modo que guardes os quatrocentos e vinte e três dias em que fomos desumanamente tristes...
Dias que chovemos hora a hora, paúra a paúra numa inquietude sólida como a morte.
Horas que passaram cálidas e sujas e murchas e pálidas... e todos os segundos que nos rasgaram impiedosamente.
Feche a porta bem devagarzinho simplesmente, para que guardemos enfim, a última intensidade, os últimos momentos em que estaremos absurdamente vivos.
👁️ 350
Não há poesia nos homens
Hoje quero sentir os homens,
Quero escrever a poesia dos homens.
Hoje prometo não pensar o verso,
Só quero exaltar a beleza dos homens.
Quero ver encanto em cada rosto parco que me cerca.
Quero despir a malícia dos homens,
Quero despir a mentira dos homens,
Quero, por um instante, extirpar o pudor da terra eternamente.
Hoje só quero a nudez inconsútil dos homens.
Quero sentir sentimento nos homens,
Quero enxergar poesia nos homens.
Hoje, só quero sentir que há vida nos homens.
Quero escrever a poesia dos homens.
Hoje prometo não pensar o verso,
Só quero exaltar a beleza dos homens.
Quero ver encanto em cada rosto parco que me cerca.
Quero despir a malícia dos homens,
Quero despir a mentira dos homens,
Quero, por um instante, extirpar o pudor da terra eternamente.
Hoje só quero a nudez inconsútil dos homens.
Quero sentir sentimento nos homens,
Quero enxergar poesia nos homens.
Hoje, só quero sentir que há vida nos homens.
👁️ 331
O golpe
Hoje o céu amanheceu mais turvo,
o ar está irrespirável.
Carros se engavetam no cruzamento,
mesmo as máquinas perderam a força.
Hoje não tem chorinho no mercado municipal,
os músicos estão em prantos mudos.
É primavera e não se vê sequer uma flor,
As árvores estão mortas, como as de Manchester,
os prédios, murchos, curvam-se na diagonal
como quem quisesse descansar.
No hospital, bebês nascem urrando
e os médicos agem fria e naturalmente.
Na indústria a fumaça corre para a chaminé
e se dispersa rapidamente na atmosfera
numa fuga desesperada.
Alguns sentimentos se encontram cativos
nos cofres e presídios da cidade,
outros ainda caminham livres pelas ruas
e fazem revolução.
É o golpe da mágoa, do oco, do ódio.
o ar está irrespirável.
Carros se engavetam no cruzamento,
mesmo as máquinas perderam a força.
Hoje não tem chorinho no mercado municipal,
os músicos estão em prantos mudos.
É primavera e não se vê sequer uma flor,
As árvores estão mortas, como as de Manchester,
os prédios, murchos, curvam-se na diagonal
como quem quisesse descansar.
No hospital, bebês nascem urrando
e os médicos agem fria e naturalmente.
Na indústria a fumaça corre para a chaminé
e se dispersa rapidamente na atmosfera
numa fuga desesperada.
Alguns sentimentos se encontram cativos
nos cofres e presídios da cidade,
outros ainda caminham livres pelas ruas
e fazem revolução.
É o golpe da mágoa, do oco, do ódio.
👁️ 393
A Vela
E vela é ela
Vela sou eu.
Ela tão bela,
Tão mais que eu.
A chama delas
Em apogeu,
Derrete ela,
Derrete eu.
Num mar de cera
Resto de vela,
Unem-se alegres
Em aquarela,
O lume dela
E o fosco meu.
Vela sou eu.
Ela tão bela,
Tão mais que eu.
A chama delas
Em apogeu,
Derrete ela,
Derrete eu.
Num mar de cera
Resto de vela,
Unem-se alegres
Em aquarela,
O lume dela
E o fosco meu.
👁️ 474
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments
Português
English
Español