Devagarzinho à morte
Quando partires feche a porta bem devagarzinho, de modo que eu possa contemplar o derradeiro pranto no teu rosto amarguradamente meu.
Celebremos assim os quatrocentos e vinte e dois dias do arrastar de um amor sombrio, nebuloso, úmido.
Ah vida minha, deixa que eu contemple a beleza desta mágoa infinda, deste último instante de palpitação, deste corpo fugindo dos meus braços lentamente - centímetro a centímetro.
Querida, quando partires feche a porte bem devagarzinho, de modo que guardes os quatrocentos e vinte e três dias em que fomos desumanamente tristes...
Dias que chovemos hora a hora, paúra a paúra numa inquietude sólida como a morte.
Horas que passaram cálidas e sujas e murchas e pálidas... e todos os segundos que nos rasgaram impiedosamente.
Feche a porta bem devagarzinho simplesmente, para que guardemos enfim, a última intensidade, os últimos momentos em que estaremos absurdamente vivos.
Celebremos assim os quatrocentos e vinte e dois dias do arrastar de um amor sombrio, nebuloso, úmido.
Ah vida minha, deixa que eu contemple a beleza desta mágoa infinda, deste último instante de palpitação, deste corpo fugindo dos meus braços lentamente - centímetro a centímetro.
Querida, quando partires feche a porte bem devagarzinho, de modo que guardes os quatrocentos e vinte e três dias em que fomos desumanamente tristes...
Dias que chovemos hora a hora, paúra a paúra numa inquietude sólida como a morte.
Horas que passaram cálidas e sujas e murchas e pálidas... e todos os segundos que nos rasgaram impiedosamente.
Feche a porta bem devagarzinho simplesmente, para que guardemos enfim, a última intensidade, os últimos momentos em que estaremos absurdamente vivos.
Português
English
Español