Escritas

Lista de Poemas

(Queria ter)

queria ter
a lucidez dos profetas
e a loucura dos poetas
a alegria dos palhaços
e a inocência das crianças
a liberdade dos ventos
e o encanto dos oceanos

vontade que me faz viver
verdade que me faz sonhar

queria ter
a têmpera do aço
e a mobilidade dos pássaros
a energia das mãos
e a malícia do laço
a mística do luar
e a magia do espaço

vontade que me faz viver
verdade que me faz sonhar

queria ter

na ponta da língua
uma frase lapidar

para te conquistar

e o poder absoluto

do verbo amar

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Babilônia descartável

piegas e plena
mãe de meninas
'messalinas'.
arrogante, cheia de desplante
com seu progresso de fancaria
jardins e palácios, piscinas e haras
cópias grotescas, obras de pirataria.

desalmada, iníqua e bela
cinderela de lixo e escárnio
aposta paga em moeda falsa

tudo pura fumaça
remix do ridículo
mixórdia e trapaça.

caricaturas do mal
tudo muito igual
'admirável mundo novo'
babilônia descartável
o ódio no poder
justiça desigual.


(José Carlos de Souza)

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(rio aceso)

no encarte da alma
quebramos palavras
sem despertar eco

as idas e vindas da vida
silencia o coração
saudade é um rio aceso
queimando solidão

se o céu mudar de cor
mude de estação
logo o sol voltará a brilhar

é preciso olhar a vida
com olhos de quem vai gostar
e gostar
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(Anjo tântrico)

eu que ando por outras trilhas
eu que encarno um novo sol
visto as asas do crepúsculo
pirilampo...sou a luz do farol

sou nego dito, maldito
carrossel transcendental
girando os sonhos
em órbita abissal

tenho meu carma atilado
batizado capitão arlequim
voo em ave de arribação
nave da canção tupiniquim

sou nego dito, bendito
anjo tântrico querubim
estrela que rege constelações
mântrico e quimérico serafim

(José Carlos de Souza)

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(no quintal...)

no quintal
numa dança de iguais
brincam os pardais.

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(tua boca)

tua boca
        "cais"
         que num beijo
                                  atraco.

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(Rimbaud)

Rimbaud navega
solitário pelos ares

eterno
atemporal
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(Caos e cais)

tanto azul
nenhum sol

para esperar em silêncio
e se assombrar com o vazio

caos
e cais
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(Giz e carvão)

lua parindo solidão
no silêncio da madrugada

arando a terra
que engole os sonhos
escriturando o medo
que se refugia no futuro

traços de giz
borras de carvão
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Orquídeas de aço ( Alegoria)

em curtos espaços
de pedra e cimento
nascem e morrem
orquídeas de aço.

nas ruas,
-percalços-
gritos sintetizados
buzinas norteiam comboios
-tecno aboio-
cérebros fossilizados.

no sonho montado
usei de arremedos
para burlar a vida.
quando dei por mim
estava em Andara,
uma fina alegoria
que toca os calos
da América Latina.
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