Escritas

Lista de Poemas

(quermesse)

se eu soubesse
cantar cantaria
ou faria uma prece
se eu pudesse
dançar dançaria
mesmo quando
música não houvesse

a cada passo um caminho
para cada cabeça um sol

se você quisesse
o mundo lhe daria
com tudo que lhe apetece
viajaria no tempo
e com estrelas
nos olhos voltaria
aos dias de quermesse

se eu soubesse cantar cantaria
se você quisesse o mundo lhe daria
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(o sol na cumeeira)

tocar os acordes
como quem toca as estrelas

com o sol na cumeeira
sentir o pulsar do momento

acordar as flores
por o jardim em movimento

para que o circular da vida
transporte as nossas cabeças
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(Belatucadrus)

e vinha, aura mítica
na palidez da neblina

talvez sofresse
e ninguém soubesse
talvez amasse
ou louco estivesse

olhar sagrado metia medo
chama viva queimava entre os dedos

o hálito quente dilacerava os nervos
em tempos de guerra
a alma mística animava a carne
em delírios de paz

noite mascarada de estrelas
deuses em trajes mundanos
👁️ 370

(noites sem fim)

nas noites sem amor
o tempo corre lento
a madrugada apavora
desperta lembranças
paixões de outrora

são noites sem fim
ardendo saudades
corações em motim
vertendo vontades
querendo dizer sim

em noites assim
a gente se perde
em duplos atalhos
criando ilusões
ou fazendo canções

agora, se você viesse
talvez eu chorasse
e quem não chora
quando em altas horas
reencontra o bem que perdeu

mais uma noite sem amor
e eu procuro descobrir
onde foi que errei
encontro só a certeza
de que nunca mais te verei
👁️ 44

(luz distante)

migrar para o espaço sonhado
derreter o olhar nas sombras
lavar o dia das noites impuras

o que diz a voz que dialoga com a incoerência?
o que fazer da vida quando a voz destoa da 'multidão'?

não tenho medo das horas paradas
sei que o tempo às vezes nos entorpece

...tateando o vazio
vejo uma luz distante
dizer o que o sol nos cala
👁️ 31

(retórica do caos)

querer
só é poder
na retórica do caos
👁️ 495

(solitário arlequim)

crise em reprise
a coisa desandou
eu de mim
me desavim
solerte fui pra vida
solitário arlequim
mal começo, triste fim
mas nem sempre é assim
um passo a frente
vai-se da superfície ao fundo
o tempo vira num segundo
e a gente nem sente

quem diz que
o amor é bobagem
desconhece essa força motriz
que transforma
o medo em coragem
e deixa o coração por um triz
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(Atroz)

eu morro de medo
quando acordo cedo
e vejo que não tenho nada para fazer

é que a banalidade anda solta
já virou até receita
mas a mediocridade só impera
se você aceita

na mídia, só programam
o que ninguém quer ver
o que não dá prazer

o que interessa a eles
são os ritos alinhados
os mitos consagrados
os ditos alienados

mas não pensem que estou morto
nem cortem a linha pensante

pois sou voraz
quando preciso de mais
um louco atroz
com as armas do algoz
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(Pastor de estrelas)

sou águas de um outro rio
nascente do infinito ancestral
versos colhidos no alvorecer
alegria de um eterno carnaval

sou pacato
simples sensato
mas bem que eu podia ser
espalhafatoso
rebelde raivoso

singular e plural
poeta de estética marginal
ator sem teatro
Carlitos numa foto 3x4
pastor de estrelas
num céu de nuvens domadas

nas noites mágicas de amor
sigo o revoar dos silêncios
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(tem dias)

'tem dias de sol
dias de imensa alegria

tem dia que nem é dia
dia que já nasce noite

tem saudade
que logo vira nostalgia
dias de afagos e açoites

tem dias de febre
dias de cão
dias de dor e aflição

tem dias em que bebo
dias em que guardo segredos
dias de devoção

tem dias que o sim significa não
canção de negro em degredo
tem amor que só arranha o coração.'

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