Lista de Poemas
(resquícios da memória)
o trem que cortava a cidade
perdeu os trilhos e a estação
ficaram as histórias
o cheiro bruto do suor, o rastilho das bagagens
a carpintaria dos causos nos versos sem medida
rodando no vento
os destinos se cruzavam e se perdiam
eram flores passageiras
mas na arqueologia dos sonhos
nada restou além dos resquícios da memória
hoje
outras cores cobrem de silêncio
a desvirtuada paisagem
perdeu os trilhos e a estação
ficaram as histórias
o cheiro bruto do suor, o rastilho das bagagens
a carpintaria dos causos nos versos sem medida
rodando no vento
os destinos se cruzavam e se perdiam
eram flores passageiras
mas na arqueologia dos sonhos
nada restou além dos resquícios da memória
hoje
outras cores cobrem de silêncio
a desvirtuada paisagem
👁️ 4
(clicando vertigens)
intensa neblina
o sol enjaulado
mãos ocultas dessangram o amanhecer
cartesianas emoções
cotidianos conflitos
passos dados em segredo
olhos clicando vertigens
asas que a alma liberta
voo cego
sagrado
o sol enjaulado
mãos ocultas dessangram o amanhecer
cartesianas emoções
cotidianos conflitos
passos dados em segredo
olhos clicando vertigens
asas que a alma liberta
voo cego
sagrado
👁️ 4
(na boca da noite)
na boca da noite
bailam as línguas
em beijos roubados
de peito aberto
e olhos fechados
sigo folheando a alma
colho segredos
com as pontas dos dedos
neste céu de seda suave
há algo por trás do acaso
leis que trocam os sinais
luzes abrindo os portais
para que o meu coração
conecte-se ao teu
e nossos sonhos sejam reais
bailam as línguas
em beijos roubados
de peito aberto
e olhos fechados
sigo folheando a alma
colho segredos
com as pontas dos dedos
neste céu de seda suave
há algo por trás do acaso
leis que trocam os sinais
luzes abrindo os portais
para que o meu coração
conecte-se ao teu
e nossos sonhos sejam reais
👁️ 284
(maravilhoso)
maravilhoso
é ter o céu
coalhado de estrelas
e uma lua
para reger
nossos sonhos
é olhar o mar
e se abismar
é ouvir o silêncio falar
é ter o céu
coalhado de estrelas
e uma lua
para reger
nossos sonhos
é olhar o mar
e se abismar
é ouvir o silêncio falar
👁️ 63
(visão de um xamã)
quando os ventos incorporarem os sons das palavras proibidas
a esperança libertará a visão
quando do chão o futuro surgir em rastros seguros
será hora de sair do chão
quando os passos fingirem caminhos
será preciso abandonar a trilha e recolher o destino
quando a madrugada matizar o nascente
soará o alerta do tempo vencido. será preciso recuar para prosseguir
após o último suspiro - o recomeço - a revolução
após o último giro - o salto - a evolução
as águas se acalmarão no azul
o milagre da semente se fará fartura
o sol continuará sol
manada de luz a nos abrasar
sagrados segredos guardados na terra
e dentro de nós laços imantados de paz
a esperança libertará a visão
quando do chão o futuro surgir em rastros seguros
será hora de sair do chão
quando os passos fingirem caminhos
será preciso abandonar a trilha e recolher o destino
quando a madrugada matizar o nascente
soará o alerta do tempo vencido. será preciso recuar para prosseguir
após o último suspiro - o recomeço - a revolução
após o último giro - o salto - a evolução
as águas se acalmarão no azul
o milagre da semente se fará fartura
o sol continuará sol
manada de luz a nos abrasar
sagrados segredos guardados na terra
e dentro de nós laços imantados de paz
👁️ 333
(versos timbrados de mar)
no milagre da voz
posta-se o canto
que carrega segredos
ao negar o pranto
a vida escrita em partituras
evoca o divino, poesia pura
é sol em noite de luar
rondó de breves encantos
versos timbrados de mar
rico é o silêncio
ao som das palavras
posta-se o canto
que carrega segredos
ao negar o pranto
a vida escrita em partituras
evoca o divino, poesia pura
é sol em noite de luar
rondó de breves encantos
versos timbrados de mar
rico é o silêncio
ao som das palavras
👁️ 89
(amanheço pássaro)
amanheço pássaro
com o canto preso na garganta
fiz-me bruxo amotinando sortilégios
dispenso elogios, busco amavios
tenho o tempo disperso da memória
carrego o mundo em minhas mãos
cortes e cicatrizes de guerras e motins
sou o começo e também sou o fim
nas vozes que alimentam o caminho
todos os passos sedimentam nossa existência
com o canto preso na garganta
fiz-me bruxo amotinando sortilégios
dispenso elogios, busco amavios
tenho o tempo disperso da memória
carrego o mundo em minhas mãos
cortes e cicatrizes de guerras e motins
sou o começo e também sou o fim
nas vozes que alimentam o caminho
todos os passos sedimentam nossa existência
👁️ 308
(qualquer viagem)
quando olho pra você
o tempo para na retina
o sol insólito se perde
nos fiapos da neblina
o horizonte franze
e sutilmente se inclina
no hiato da vertigem
qualquer viagem alucina
não pede paz nem silêncio
é amor que desatina
sem cortina de fumaça
nosso céu se ilumina
o tempo para na retina
o sol insólito se perde
nos fiapos da neblina
o horizonte franze
e sutilmente se inclina
no hiato da vertigem
qualquer viagem alucina
não pede paz nem silêncio
é amor que desatina
sem cortina de fumaça
nosso céu se ilumina
👁️ 289
(psicotrópico)
plantar no mar
as estradas, abrir caminhos
sinalizar estrelas
perder o medo, ver moinhos
agora o tempo sobra
a tarde reparte silêncios
na sombra que sopra
a noite referenda o mito
mas cobra o preço do sacrifício
esses paraísos são meros artifícios
banais e fazem parte de um rito
rugir quando a lua surgir
ou esperar o que não é soul nem pranto
eis a cota do devaneio e do espanto
as estradas, abrir caminhos
sinalizar estrelas
perder o medo, ver moinhos
agora o tempo sobra
a tarde reparte silêncios
na sombra que sopra
a noite referenda o mito
mas cobra o preço do sacrifício
esses paraísos são meros artifícios
banais e fazem parte de um rito
rugir quando a lua surgir
ou esperar o que não é soul nem pranto
eis a cota do devaneio e do espanto
👁️ 339
(Sol de Glauber))
faca de gume afiado
a dialética do caos
coloca lado a lado
os bons e os maus
rio perene, imaginário
nuvens de arribação
são pés cortando caminhos
é o sol castigando o sertão
terra seca, esturricada
abrindo-se em estrias
mostra-nos a saga macabra
de um povo em agonia
o céu ardente cria redemoinhos
mó inclemente nos reduzindo a pó
imagem triste e degradante
de uma região esquecida
onde, 'o sertão é quase nada
e não tem quase nada.'
a dialética do caos
coloca lado a lado
os bons e os maus
rio perene, imaginário
nuvens de arribação
são pés cortando caminhos
é o sol castigando o sertão
terra seca, esturricada
abrindo-se em estrias
mostra-nos a saga macabra
de um povo em agonia
o céu ardente cria redemoinhos
mó inclemente nos reduzindo a pó
imagem triste e degradante
de uma região esquecida
onde, 'o sertão é quase nada
e não tem quase nada.'
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