Lista de Poemas

Quatro,cinco

Morri de fome um dia desses
Ninguém conversava comigo no Céu
Chamei um anjo de filho da puta
E fui direto pro Inferno

Matei meu pai um dia desses
Disse um pobre pecador
Aqui conversam comigo
Solidão não me atinge mais

Morri de infarto, disse um daqueles
Neguei a minha pobre mãezinha
Cortei meus pulsos dia cinco
E agora to aqui

Mas ainda que sofram no fogo
Eles sentem pena de mim
Morrer de fome não é fácil
E é um tremendo sofrimento

Depois de uns dias a gente esquece,
Digo, depois de um tempo a barriga nem dói mais
A gente sente que o mundo fica diferente
Aí não sente mais nada

Impressionados, dizem que sou muito frio
Por não sentir a minha morte
Respondo que a vida é um mistério
Precisa-se de sorte pra viver

Morri de fome um dia qualquer
Segunda-feira, muito calor
Eu tinha leitura
Era um sol camusiano

Leitura, ler era bom
No céu não havia livros
Nem nenhum amigo
Só eu e os anjos filhos da puta

Foi

que
começou
a
falta
de
sentido
Anjos filhos da puta, calor e ódio, eu morri de fome
Não conseguia aceitar





mAS O CÉU EXISTE
então pra lá eu fui

Céu terra e mar, eu morri de fome, de FOME! FOME! Como pode um ser humano ser deixado esquecido em um canto imundo de uma cidade para morrer de FOME meu Deus. A fome doí, eu minto para meus companheiros de castigo, a fome dói. Não há nesse sentido, quem morre de fome merece o céu? Ser miserável nesse sentido é merecer o céu? Eu morri de fome, cortei os pulsos no dia cinco e morri de fome e matei meu pai para depois morrer de fome com um infarto fulmiante dez dias depois embrulhado em um cobertor sujo enquanto fazia frio na cidade de ouro preto cerca de 4 graus era julho mas quando eu morri era setembro eu acho que chovia no dia eu não me lembro


Morri de fome

eu sinto fome no meu inferno sede desejo e fome
meu deus do céu eu morri de fome eu choro eu morri de fome
morri de dor de fome depois cortei os pulsos dia cinco de setembro
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Céu, Terra, Mar

A Terra, O Mar, O Sol,
O Solo, tudo se conecta.
Enfim, O Céu, A Terra
O Chão, A Terra
O Chão, de barro, que infinda,
O Homem, Deus, o conflito
O Homem antes de Deus.
A Lua, O Sol, A Terra,
A Terra esquece do Homem;
homem com agá minúsculo.
Será o Homem ou
O homem?
O Homem; o homem?
No Mundo, é o que importa
Indefinido é o enigma, será que viveremos para desafiá-lo?
Oh Homem, homem do Homem
Que a terra lhe abençoa, que a Terra permita-lhe viver
Para sempre, eis o homem, mero ser, matável, morrível
Esquecível
Mal lembro o nome
De certo homens que conheceu
Homem, Terra, Mar...
Até quando isso vai durar?
Nada disso importa
Quando o homem nada absorta
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A Mulher

Uma mulher tão branca assim
És uma jóia de marfim
Aquela que é cheia de segredos
Nos anéis que enfeitam vossos dedos
E é este colar em vossa garganta
O adereço que mais me encanta
Tal qual o amor: Uma diáspora
Essa mulher é uma metáfora!
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O Deserto

Em dias de tempestade,
Eu imagino o deserto.
E vislumbro-o, de certo:
Meu devaneio da verdade!

Encanto-me com as dunas..
Este céu, tão limpo! Ó calor!
Há de chover neste seco torpor!
Mares de areia, imensas colunas!

Nessas noites tão frias...
Que passo neste deserto infiel
As tristezas que canto às damas de um bordel

De nada adianta se a tempestade esquecias,
E se agora só resta um deserto a quem te ama
Depois da chuva nada sobra, somente a lama!
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Ilustração

Um corpo que cai
E a terra não traga:
Poucas palavras amargas
Saíram da boca dela...
Vida vida... vida bela;
Que vida é essa
Meu Deus?
Meu corpo cai
A terra traga
Vida vida... triste vida;
Poucas palavras amargas
Já não me atingem mais
Foi-se o tempo de paz
Vida vida... que vida é essa?
Palavras da vida não voltam atrás
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A priori

Arte só se for para mim,
para na arte ser findado.
E uns poemas fracassados também
me disseram que, no fim, foram para lá

Lá atrás daquele morro
nunca bate Sol, todo dia, toda noite
faz sombra naquele lado do morro.
O Sol não chega lá onde eu moro.

Viver para a arte não traz a significância:
Quando volto para casa, atrás daquele morro,
a cachorrada passa latindo para mim
como se eu fosse outro alguém.

Cachorros demais, são muitos cachorros-
que não vale o lixo que comem!
Aquela cachorra não diz uma palavra;
Não consigo chegar em casa-
o Sol não ilumina meu caminho.

Que arte egoísta:
Nem para mim, nem para ninguém,
quem quiser, que faça por onde
e cale a boca da cachorrada,
porque eu cansei de usar palavras!
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Garrafas de veneno

Sozinho apenas, de novo, eu...
Quem sabe não fico sozinho.
Mais uma noite; só, quem sabe?
Bebendo de novo, às vezes, agora
Estou sozinho em casa, de novo,
Só, eu sopro a poeira da mesa
Para colocar a taça de vinho
Que eu vou beber sozinho.
De novo, nessa casa não tem
Ninguém para beber comigo!
Se eu grito ninguém ouve!
Se eu choro ninguém pergunta
Por quê; eu estou sozinho!
Bebendo mais uma garrafa...
De vinho seco que nem
Mais um daqueles perdidos
Que não têm ninguém
E nem onde cair morto
Já que estão sozinhos... no
Mundo ninguém te quer
Ver bem, ele te quer sozinho
Bebendo várias garrafas 
De veneno: Desfaça o gosto
Do vinho, aqui estou eu
Em casa com ninguém, talvez 
Eu fique de novo bebendo, mais,
Uma garrafa de vinho, sozinho.
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Senhor do ser

O ser não é sabedoria infinita
O castigo da alma não é saber
Se sou ou se não sou o ser
Senhor de pouca hora, pouca vida

Não sou aquele que está ali
Sendo sempre cego ao acaso
Ser ambíguo, tédio e ódio não atraso
Ser aquilo que não fui, ser aí

No lastro daquilo que é, ser, não fui
Já não sei mais como acaba
As tantas vezes que não fui como desejava

Naquilo que toca a vida, o ser eu fui
Sendo a arte, do ser amado, fui o adeus
Fui a sombra dos verso que foram meus
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Morte e vida não se explica

Morte e vida nunca escolhi
Me deram três dias, mas vivi
Três décadas de morte
Tinha na vida alguma e pouca sorte

Morte e vida me disseram
Meu triste fim não mais esperam
Quem me mata a vida diz
Ressucita-me, porque a morte não condiz

Morte e vida não me aconteceu
Mas se largo tudo para viver
Passa logo, logo morro, penso eu

Morte! Logo chega, e vejo minha linda
Vida! Vai passando, e choro porque sei
Que a minha hora não chegou ainda

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Nas chuvas de abril

Em verdade agora direi 
Em versos maldosos
Contarei meus remorsos
De dias além

O passado? Enganei
Para trás, foste embora
Embora eu diga que outrora
Sinto saudades também

Pergunto para que sonhar
Se tudo que estou a ver
Em minha alma há de esvaecer
Findado em triste devaneio

Respondo que tudo vai acabar:
Nas chuvas tristes de abril;
Em teu peito quieto e febril;
Nos alvos campos de centeio

Ledo engano meu
Ora, que futuro espero?
Um curto e cheio de esmero
Eis,vida, meu clamor!

Dirão que sozinho morreu!
Encontrarão contigo penúrias:
As tristezas, amores, fúrias
E intrinsecamente a dor!
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Comentários (3)

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wilson1970
2020-09-23

Parabéns pela tua poesia !

thaisftnl
2020-04-09

Gostei muito da sua escrita, magnífico!

petit_bateaux
2019-10-28

voce eh fera dms, vamos ser amigos ?