Lista de Poemas

O pastor



Leva cada rebanho de silêncios ali a pastar
Aconchega a solidão nos seu braços e com
Ela dormita no aprisco da esperança apaziguada

E quando a noite de mansinho se põe além
Num acto sublime de amor recolhe, uma a uma
No cortelho da esperança persuadida e almejada

Com sua samarra bem aconchegada acoita-se
Do frio e da brisa ventando na refrega do desgarrado
Sonho balindo cabalmente fecundo e combalido

No diâmetro de uma solidão tão vagabunda
Domestico cada eco que se expande no tempo abolido
Oh, ruminante ilusão regurgitada neste silêncio expedito

Frederico de Castro
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A noite e a escuridão



Estampada na noite a escuridão unta e afaga 
Cada gomo de luar que se esvai até a luz minguar
Enleva-se num eco resvalando pela ribanceira
De um sonho nunca antes revelado

Frederico de Castro
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Razão de viver



- para o Lucas com amor

A noite vadia flui num cortejo de lamentos
Às vezes tão acabrunhados
Gravita na rota de um eco erecto suspirando
Absolutamente desdenhado e insurrecto

Tão sôfrega, tão desejada, a esperança
E a fé sacodem cada palavra empoleirada
No altar do amor dando à razão a sísmica
Esperança de viver ainda mais arrojada

Frederico de Castro
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Réstias de luz



Entre as paredes do tempo resguardo
Aquele silêncio desalinhado e vagabundo
Deixando atordoada qualquer hora gravada
Numa multidão de memórias tão gradas

De Mozart a Vivaldi ecoa uma catarse musical
Purgando e purificando os sentidos num dramático
Lamento substantivamente sinusal, qual overdose
Para o coração batendo, batendo de forma bestial

Em desordem a noite sacode esta escuridão
Quase funesta e abissal onde impera a emoção
Mais introspectiva efémera e colossal

Restos de luz persistem emaranhadas num breu
Felino, quase acidental até ensopar a saudade que irrompe
Pela alma carente, faminta…admiravelmente irreverente

Frederico de Castro
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Luar indomável



Pintalgo no tempo a dimensão do silêncio até
Deixar uma sequela de felicidade a velejar além
Sorrateira no regaço de uma maresia que
Baloiça, baloiça tão buliceira

Enquanto a noite se remenda num gomo de luz
Indomável, a solidão castra cada sombra vagando
Neste luar vergado e embutido em silabas e
Palavras que esquadrinho empolgado

Frederico de Castro
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E lá vou eu...



A luz flácida espreguiça-se tão habilidosa até
Se empoleirar suculenta e rendosa entre o
Poliéster dos silêncios mais aveludados e charmosos

São incontáveis as horas que ficaram retorcidas entre
Os escombros do tempo e delas, inalo apenas um estético
Silêncio que se estende neste verso confidente e frenético

Frederico de Castro
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Panorâmica da solidão



Uma lágrima muda vagueia pelos
Escombros deste silêncio exasperado
Até se fundir na noite que além tão
Lívida e volátil desaparece dilacerada

Num monograma artístico arquitecto e
Desenho versos banais alimentando a génese
Inicial da vida onde toda a panorâmica da solidão
Se estatela entre a derme de uma caricia balsâmica

Telegraficamente a memória deixa como fiança
Uma saudade eufórica…sem equívocos, apenas
Perpetuada por uma lembrança, fiel e sempre categórica

A poesia que nasce de mim, oferto-a ao mundo
E não mais me pertence pois circula numa brisa telúrica
Embalando a alma num tântrico silêncio quase sulfúrico

Frederico de Castro
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Luar ancorado



A luz fria e sedosa da noite chuleia cada espasmo
Desta ilusão penetrando pelos peitoris da escuridão
Repercutida num galhardo silêncio atordoado e em reclusão

Revigora-se cada gomo de luz além daquela sombra
Que galopa feliz tamborilando na maresia que flui
Pasteurizada na esperança derradeira e enamorada

Frederico de Castro
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Farol da noite



Online e em toda extensão do silêncio
Esta escuridão furtiva, ficou embutida num verso
Casto, emotivo e repleto de presságios

Subtilmente a luz desnuda-se fiel e esplêndida
De nada valendo à escuridão que além sobeja
Insinuando um nardo desejo bem perfumado

Apanágio desta hora tão tirânica e em pânico
O silêncio percorre a torcida do tempo qual flâmula
Luzidia e icónica, deixando uma tépida emoção
A fibrilar entre palavras tão atónitas

Frederico de Castro
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Suave calmaria



Garimpo nas memórias aquela pepita de
Silêncio brilhando tão magnífica …tão unívoca
Ilumina cada penumbra que desmaia na calmaria
E deliquescência de uma palavra tão inequívoca

Na tara do tempo peso cada emoção evocativa
Que me é tão cordial para que em cada estrofe
Descubra a essência de um verso tão filosofal, qual
Suave caricia que me alimenta assim de forma visceral

Frederico de Castro
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Comentários (3)

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asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!