Escritas

Lista de Poemas

Velejar ao luar



A noite deixa a lua enfunar um luar ascético
Navega em cada nuance da esperança
Que veleja mar adentro de forma tão estética
Até se afogar entre os pêndulos de uma hora herética

Frederico de Castro
👁️ 140

Na rota dos candeeiros



Na rota dos candeeiros acende-se uma
Escuridão estratificada que deambula na
Perfeita junção deste silêncio notável onde
Fluem palavras ali bem barricadas

Suga a noite todas as luminescências
Nunca antes vindicadas pois boquiaberta
Ficou a saudade repleta de instantes memoráveis
Festejando cada lembrança poeticamente inexorável

No palco do tempo entra em cena uma oração
Sempre imprescindível, vestido a fé declamada
Em palavras doces e tão inigualáveis

Desamordaçada e feliz a manhã atiça um gomo de luz
Arisco e indefectível, qual coreografia para as nossas
Almas renascendo bem entrelaçadas e incorruptiveis

Frederico de Castro
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À sombra do silêncio



Meço a noite que se esconde numa hora
Vergada…tão desacertada, onde o tempo
Dilacera cada segundo sumptuoso fluindo
Pela espessura deste silêncio sempre impetuoso

Cerzidos na cambraia da noite acoitam-se entre
Nós pequenos gomos de luz agora reconciliada,
Qual diapasão para tantos ecos rugindo
E latindo com tamanha sofreguidão

Frederico de Castro
👁️ 240

Da minha janela...



O dia estava assim…
Vazio, amedrontado, parasítico
Rasgando com ímpeto a memória esborratada
Num silêncio agreste…tão paleolítico

Da minha janela
Caía uma chuva Inconfundivelmente enigmática
Estancando todas as hemorragias da solidão
Feita de gímnicas palavras quase profiláticas

Frederico de Castro
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Ponto...e virgula



Num pictograma diacrítico arquitecto e

Desenho palavras banais, alimentando a génese
Do tempo onde toda a panorâmica do silêncio
Se estatela entre o ponto e a virgula de
Uma esperança indubitavelmente dinâmica

Frederico de Castro
👁️ 184

Stand up



Neste poente ecoa uma catarse musical
Purgando e purificando os sentidos num dramático
Lamento substantivamente sinusal, qual overdose
Para o coração batendo, batendo de forma cordial

Restos de luz persistem emaranhados num céu
Felino, quase acidental até ensopar uma hora que irrompe
Pela alma irreverente, faminta…absolutamente carente

Frederico de Castro
👁️ 200

Lá vem o dia...



Numa enxurrada de luz a manhã
Desponta introspectiva,
Lá vem o dia…para iluminar a esperança
Prescrita entre a fé saltitando no meio de
Uma oração veementemente explicita

A terra ávida e apreciativa enrodilha-se de
Ecos e silêncios absolutos espreitando por entre
As curvas do tempo onde se simulam
E cativam as palavras mais argutas e convictas

Frederico de Castro
👁️ 203

Brisas gentis



Enquanto a manhã se espraia numa brisa
Conivente a luz desnorteada e subserviente
Trespassa um sublime silêncio que pousa
Enternecidamente num gomo de ilusão omnisciente

Ainda perplexa a madrugada destila seus lamentos
Ao longo da escuridão finada e enterrada, onde jaz
Tanta emoção impaciente, sorrateiramente empoleirada
Na destilaria das caricias copiosamente embriagadas

Escrevo para que as palavras não fiquem caladas
Perante o crepúsculo lírico que se adivinha obcecado
Ou para que as réstias deste sol jamais feneçam intimidadas

Numa brisa gentil e desnudada sussurram mansas maresias
Sempre descuidadas, blindando aquela onda que a meu jeito
Perscruto e aconchego à tona de tantos desejos bem fecundados

Frederico de Castro
👁️ 210

Fosforescências



Ainda que decrépito o silêncio esponja-se no

Lajedo deste tempo decadente e marginal
Deixa a fumegar uma fosforescência
Exaltada…tão sensorial

Esmorece além o dia e cai depois devagarinho,
Alimentando este decímetro de solidão derradeira
Que arde sem alarde furtiva e desordeira

Frederico de Castro
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Sonâmbulo silêncio



À noite a escuridão tomba freneticamente gentia
Escorrega pelas sombras para não mais amnistiar
Aquele breu que além divaga, divaga tão escanifrado

Em seu sonambulismo furtuito cada hora alberga
Uma solidão sempre indignada e deixa sem pestanejar
Todo este silêncio que soçobra ante um eco tão desamparado

No meu imaginário incorporam-se memórias solidárias
Agitam-se palavras roçagando uma utopia imaginária
Constrói-se um poema feito de rimas absolutamente arbitrárias

E assim deixo a alma a meditar, recostada no divã de uma
Saudade que sei tão autoritária como quem pressente um
Afago demente…ou uma caricia omnipresente e totalitária

Frederico de Castro
👁️ 165

Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!