Lista de Poemas
Poder dos céus

Namoro cada gomo de luz airoso
Escorregando neste silêncio vigoroso
Ribomba além rebelado enfeitando um
Lamento contido e desmazelado
A noite engrandecida rói a memória
Emaranhada num montão de solidões
Interpeladas…nunca antes desveladas
Deixando nos céus esta escuridão flagelada
Frederico de Castro
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Semeando estrelas

Semeio nos céus virtuais aquela estrela
Que a escuridão quer pilhar até vestir a
Noite que teima cada sonho vasculhar
Com luminescências sempre pujantes a luz
Suspira tão fulgente…tão divertidamente,
Deixando uma estrela brilhar assim admiravelmente
Frederico de Castro
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Deste coração...até lhe dói a alma

O silêncio pisoteado estende-se na ladeira do
Tempo desvinculado até deixar qualquer hora
Morrer absurdamente inacabada
Deste semblante que dói até ao fundo da alma
Flui uma súbita lágrima corroborada, qual sussurro
De palavras dolorosamente enclausuradas
Frederico de Castro
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Sereno Espaço

Pinga a luz uma luminescência fragrante
Colhe no seu regaço cada emoção correndo
Pra jusante desta solidão tão refrigerante
Dentro do espaço corre o tempo delirante
Acomodado numa brisa elegante, deixando
Uma escassa hora a delirar, assim itinerante
Ouço além o silêncio a desfazer-se em pequenos
Tufos de ilusão, para que nenhum eco esbaforido se
Abeire do abismo e depois feneça mudo e desprevenido
Frederico de Castro
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A moldura

No quadro das ilusões pintam-se tantas
Emoções gigantescas onde um sereno
Gesto desemboca nesta rima tão arabesca
Nas bordas do tempo esquadrinho aquela
Hora final ruidosamente recambolesca comendo
Com gula cada afecto principescamente pitoresco
Na manhã tagarela que nasce vaidosa brilha um
Concupiscente silêncio, quase dantesco, adagio
Para um oboé vibrar, vibrar tão gigantesco
Dos troncos da noite brotam agora pequenos ramos
Desta solidão extasiada e complacente, qual seiva
Escorrendo no perfil de uma caricia sempre convincente
Frederico de Castro
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Escuridão coagida

Fitei de perto a madrugada desnudar-se
No meio da escuridão desprevenida onde
Se enlaçam caricias namorando tão unidas
Hospedei-me numa hora solitária catando
Cada sonho vergado e empedernido que
Bronzeava o silêncio exímio e muito atrevido
A manhã viril e satisfeita escarra um gomo
De luz tão carcomido, até desmantelar de vez a
Escuridão encaixotada numa solidão sempre coagida
Ensaboei os céus com um aguaceiro esbaforido
Até desaguar num prazer milhões de vezes suprido
Que se afoga num cativo silêncio agora bem remido
Frederico de Castro
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Cada degrau

Cada degrau range em silêncio quando
Pisamos a fasquia do tempo esquecido
Ali onde mora uma hora carcomida…tão fatídica
Cada degrau range devagarinho pois o
Caruncho da solidão impensada corroeu
Cada lance da ilusão sitiada numa palavra aliada
Passo a passo subimos e não chegamos
A lugar nenhum porque no corrimão dos silêncios
Mora uma saudade erecta e em plena obscuridão
Preso aos balaustres da vida, do subterrâneo até
À mansarda vislumbro cada lancil onde as pegadas
Do tempo pousarão por fim felizes e homologadas
Frederico de Castro
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Rivederti

A luz cambaleia triste e borda cada gomo
De solidão mais vetusta, até abraçar a beatitude
De cada palavra agrilhoada fluindo no meu alaúde
O olhar vazio, olhando além do estuário da vida
Bajula esta ilusão qual pluma esvoaçando entre
As brumas da manhã, esfrangalhada e dissonante
Até se desvendar a noite obsoleta ferida e vigilante
No painel do tempo adentram a alma tantas horas
Saltitantes, tecendo em nós as insígnias do amor
Para que unam eternamente cada incoercível,
Cada inalienável silêncio mais incorrosível
Nos bastidores das memórias abrem-se as cortinas, e de
Lá se encenam lembranças para uma plateia aplaudir cada
Acto trazido à ribalta no proscénio da vida ali a eclodir
Frederico de Castro
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Gingando pela noite

O corpo da noite esculpido num eco
Abismado beberica cada gomo de luz colhido
E santificado num bruá majestoso e sofisticado
Escasso é este silêncio quase hagiológico deixando
Um halo de esperança iluminar e desabar nesta oração
Fanática peregrinando pelo altar da vida mais fleumática
Frederico de Castro
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O pastor

Leva cada rebanho de silêncios ali a pastar
Aconchega a solidão nos seu braços e com
Ela dormita no aprisco da esperança apaziguada
E quando a noite de mansinho se põe além
Num acto sublime de amor recolhe, uma a uma
No cortelho da esperança persuadida e almejada
Com sua samarra bem aconchegada acoita-se
Do frio e da brisa ventando na refrega do desgarrado
Sonho balindo cabalmente fecundo e combalido
No diâmetro de uma solidão tão vagabunda
Domestico cada eco que se expande no tempo abolido
Oh, ruminante ilusão regurgitada neste silêncio expedito
Frederico de Castro
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