Lista de Poemas
O lado negro da noite

E assim fenece lentamente o dia quase aparatoso
A perseverança só acampa onde a esperança resplandecer
Onde a vida absoluta e absurdamente feliz endoidecer
Solidões quase delinquentes gotejam pela caleira das
Ilusões incoerentes e substantivamente impiedosas
Assim como a noite refilando entre escuridões gananciosas
Breus levitando em tantos tenebrosos silêncios adormecidos
Vendam um olhar tão doloso dormitando ali quase queixoso
Saltitam escravizados por um tarado desejo tinhoso…tão guloso
Frederico de Castro
👁️ 120
Hora veloz

Escorre pelos carris do tempo um lamento assustado
Dribla o silêncio que infeliz ainda cogita prenhe e consolado
Flui qual lufada de emoções descarrilando tão assanhadas
Palavras desassossegadas deambulam solitárias ao longo
Destes versos flertando a minha imaginação quase desvairada
Tamanha é a contemplação da cada hora veloz fenecendo eclipsada
Pelas ruelas da noite calcetada com ilusões fantasmagóricas
Amarga a vida perdida numa imensidão de tristezas catastróficas
Só me conforta a alma uma mão cheia de esperanças quase eufóricas
Frederico de Castro
👁️ 135
Altar do tempo

No altar do tempo reza a solidão quase Divinal
A fé adocicada com palavras tão originais
Brota meiga, jovial, absurdamente genial
O silêncio prostrado enxagua uma lágrima imparcial
Quase agoniza a bordo de cada lamento antiviral
É arquirrival daquele sonho delirando tão imperial
A esperança sublimada pro preces francas e incondicionais
Alimenta tantas afetuosas emoções tão tridimensionais
Amamenta-me a alma repleta de alegrias quase insurrecionais
Frederico de Castro
👁️ 150
O fardo da solidão

Curtida e mais despida fervendo deslambida
A solidão paira a bordo deste tempo já falido
Injecta em mim o fardo de cada lamento sentido
Cada hora absolvida pela memória mais dolorida
Sequestra uma palavra purgada, expurgada e iludida
São fonte de inspiração para esta esfrofe agora seduzida
Nasce voluntariosa toda a esperança empolgada e colorida
Deixa cada sonho encostado nas ombreiras fé bem esculpida
Desperta etérea, atada a cada tristeza que além trepida comovida
Frederico de Castro
👁️ 116
Indo com o poente

Lambe-se o poente nestas derradeiras luminescências sequiosas
Para além dos céus vibra afrontada toda esta solidão harmoniosa
Sem abrigo a noite pernoita ali mesmo bajulada e tão imperiosa
Emoções contagiantes singram pela memória mais minuciosa
Despertam e apaziguam mil lembranças hoje quase mirabolantes
Adiam crentes palavras acutilantes, amanhã decerto tão estimulantes
Frederico de Castro
👁️ 119
Brumas submersas

Numa bruma submersa a manhã espreguiça-se fragrante
Deita uma olhadela a cada hora que se esvai tão divagante
Dilui-se paralela a tanta migalha de luz fluindo mais ofegante
Reclusa numa parcela de solidões degradantes toda a emoção
Fulminante debela a saudade eclipsada pela memória excitante
Ali se cinge e ajoelha cada prece aromatizada…quase fulminante
Frederico de Castro
👁️ 132
Silêncio cativo

- para a Noemi, Ciro e Lucas, meus filhos
Nas prateleiras do tempo repousa a vida
Feita de erosões e saudades cativantes
Embalam uma oferenda de palavras excitantes
Sobre a esfinge do silêncio esboroa-se um eco
Sonante, tão borbulhante…quase embirrante
Aquieta cada brisa perfumada e tão latejante
Ao longe nos beirados do horizonte fervilhante
Dormita a memória fecundada na maternidade
De todos aqueles silêncios ávidos e provocantes
A noite agigantada por esta escuridão claudicante
Ronrona sossegada entre os cílios de um olhar incitante
Faz cócegas à alma dissimuladamente feliz e radiante
Frederico de Castro
👁️ 160
Esfuma-se o tempo...

A manhã renascida atropelou a solidão quase idolatrada
Sem fé resmungou e soletrou uma oração ainda inacabada
Falsificou a esperança impressa nesta estrofe inconformada
Plagiou a memória estatelada num fatal poente exonerado
Confinou a saudade disruptiva contraceptiva…lisonjeada
Fecundou esta arisca ilusão tão refinada, tão escrutinada
Esfuma-se no tempo uma hora corruptível e indesejada
Refaz todos os inviáveis desejos quânticos e insondáveis
Municia-me as palavras com carícias selectivas e inexoráveis
Frederico de Castro
👁️ 165
À hora certa...

À hora certa o relógio esconde cada silêncio secreto
Badala triste e sentido pois ali vai o féretro do tempo
Esquartejado constrangido, tão sombrio quanto um eco ferido
À hora certa a noite esbanja todas as suas escuridões introvertidas
Apalpa a melancolia das mil e uma emoções carentes e denegridas
Sangra ferida deixando na alma vestígios de tantas tristezas incontidas
À hora certa cada centésimo de segundo esboroa-se reprimido
Ali reage inerte o tempo castrado, desprezado, quase encardido
Expurga-se o simbólico silêncio despedaçado,subjugado…contorcido
Frederico de Castro
👁️ 137
Manda chuva

Mirabolante e convergente assim transpira aquele aguaceiro renitente
Qual brado acanhado gentil e fluente esvazia o silêncio velozmente
Impera além, contudo uma paz sedenta, distinta e tão estridente
Escorrem pela caleira do tempo tantas gotas de um chuvisco dormente
Consola a terra ávida bebericando um ávido lamento delinquente
Naufraga a bordo de um fictício eco esmerado…assim tão docilmente
Frederico de Castro
👁️ 145
Comentários (3)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.