Lista de Poemas
Para onde corre o rio

Para onde corre o rio, corre o silêncio abençoado
Indigente oprime as margens do tempo desvelado
Oiçam aquele sepulcral eco absurdamente ultrajado
Para onde corre o rio, escorre a solidão ainda indignada
Sua luminescência engravida uma palavra mais arrojada
Suas nuas brisas confinam cada carícia tão festejada
Para onde corre o rio a noite afoga-se na escuridão melindrada
Mitigáveis as horas acarinham neuróticas gargalhadas resignadas
Ali se desguarnece a vida desmesuradamente insana e transviada
Frederico de Castro
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Os truques do silêncio

Oportunista a solidão dormita no catre das minhas
Emoções cegas, coincidentes e contorcionistas
Uma exígua luminescência exala desta brisa tão altruísta
Com seus truques o silêncio soterra aquele eco alarmista
Surpreende um incrédulo lamento absurdo e calculista
Devagarinho acordo no dorso de uma palavra quase autista
Mais um dia e ali tantas horas fenecem tão esclavagistas
O tempo impotente e insubmisso desabrocha feliz e repentista
Vejam como e para onde peregrina este poente ainda mais intimista
Frederico de Castro
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Antes de dizer adeus...

Antes de dizer adeus saiu a noite pela
Porta discreta do silêncio majestoso
Sem intervalo o tempo reduzido a um
Montão de segundos desdenhosos
Hibernou camuflado em palavras virulentas,
Mortíferas e tão, tão dolorosas
Antes de dizer adeus consumo num trago
Estas escuridões fiéis e facciosas
Esquadrinho cada ai clamando no leito das
Lágrimas intensas e viscosas
Ali resistem tantas horas silenciosas, apáticas
E absolutamente assintomáticas
Frederico de Castro
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Gestos infindos

Na plena transparência dos silêncios escoa a luz
Horizontalmente etérea, sublime e sem tutela
Na vitrine da solidão cantarolam gestos à capela
Além uma fluorescência diurna umidifica aquela
Brisa que ruma ao infinito ávida e tão espalhafatosa
Só o tempo se perde numa labiríntica hora mais sinuosa
Frederico de Castro
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Silêncios esfarrapados

Pendurados e esfarrapados os
Silêncios balouçam engelhados
Soam ao longe como truncados e
Uivados ecos apiedados
Cativam um agigantado lamento tão
Desdenhado, tão abismado
Das minhas dores saturadas o corpo em
Metástases sacode-se quase vergado
E depois das palavras expurgadas o tempo
Fenece num segundo altercado
Quem me lapida estas lágrimas provindas
Deste mesmo breu enviuvado
Frederico de Castro
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Silêncio no sobrado

Junto à sala de sobrado um silêncio intrusivo
Expande-se em cada palavra perene e tão passiva
Complacente o luar imortaliza uma prece quase obsessiva
Com longanimidade a paz permissiva apascenta e
Amamenta as sombras que por ali vagueiam tão persuasivas
Frondosas brisas insuflam todas as solidões quase retroativas
Sobre o telhado da esperança a vida descansa mais imperativa
A seu bel-prazer a fé inunda o caudal de lágrimas tão depurativas
Enchem o odre das emoções lúdicas, sedutoras e interativas
Frederico de Castro
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No meu presídio

No meu presídio o silêncio é estático e genuíno
É anárquico, sagaz, implícito e tão maligno
Extraditado ajoelha-se junto ao ego desnudo e mesquinho
No meu presídio a solidão naufraga no catre desta
Vida perene, intranquila, desassossegada…quase sufocada
Alimenta o mediastino de cada hora prenhe, irreal e rebelada
No meu presídio a noite aperalta-se de breus depravados
Sua escuridão é apenas o eco de cada lamento embargado
Sem rumo ausenta-se num uivo primitivo e tão esfarrapado
Frederico de Castro
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A caminho da minha praia

A caminho da minha praia estende-se a luz altiva
E eternizada por uma paz imensa e tão disponibilizada
A noite amarará além sequiosa latente e mais emancipada
A caminho da minha praia vai a solidão ainda estabilizada
Em cada esquina da maresia uma carícia se curvará escravizada
Ondas de diurnas luminescências se afogarão bem homogeneizadas
A caminho da minha praia cada pigmento de silêncio flutuará
Entre os céus senhoriais, fluidificantes e mais longitudinais
Memórias congénitas habitarão intensas e eternas saudades virais
Frederico de Castro
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E antes do anoitecer...

E antes do anoitecer os pensamentos mais seletos
Deambulam na extremidade dos ecos prenhes e perpétuos
Doam à alma intensos e brutais afagos ígneos e perplexos
E antes do anoitecer o poente lascivo quântico e benevolente
Apronta a última ceia para esta escuridão que chegará de repente
Nos céus flertam-se e acasalam-se ilusões esguias e tão coniventes
Frederico de Castro
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A ponte dos teus olhos

Sulca a noite uma maresia de silêncios inconstantes
Sobre a ponte dos teus olhos navega a escuridão viciante
Da madrugada restam preces de um lamento tão sobrepujante
Entre os cílios da solidão pernoita a vida agora mais coagulante
Suas artérias irrompem pelos socalcos do tempo ali tão saltitante
Ao longe ouço um escasso eco diluir-se numa hora eterna e excitante
Frederico de Castro
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