A ponte dos teus olhos
Frederico de Castro

Sulca a noite uma maresia de silêncios inconstantes
Sobre a ponte dos teus olhos navega a escuridão viciante
Da madrugada restam preces de um lamento tão sobrepujante
Entre os cílios da solidão pernoita a vida agora mais coagulante
Suas artérias irrompem pelos socalcos do tempo ali tão saltitante
Ao longe ouço um escasso eco diluir-se numa hora eterna e excitante
Frederico de Castro
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