Lista de Poemas
Transmigração lunar

Migra o luar agasalhado à noite e a um breu alheatório
A escuridão sem destino esfarrapa-se num silêncio contraditório
Nos céus galopa a lua franzina, abençoada por palavras premonitórias
Sem dó nem piedade emerge na noite um flutuante afago impetuoso
Perniciosos são até os sussurros deambulando pelo peitoril do tempo rigoroso
Ali se dá a transmigração de cada sonho intruso e passionalmente escandaloso
Frederico de Castro
👁️ 150
Morfologia de um lamento

Morfologicamente a solidão acoberta o poente plenamente
Corroído de ilusões e saudades emergindo tão astutas e latentes
Pensativas e convergentes hibernam todas as marés tão intermitentes
Assim fenecem de hipotermia todas as escuridões persistentes
Assim desaguam no horizonte quânticas palavras mais penitentes
Refrescantes caricias temperam uma onda de lamentos tão pungentes
Frederico de Castro
👁️ 169
Sigiloso recantos dos silêncios

No sigiloso recanto dos silêncios desabrocha uma
Hora imensa felina e absurdamente apaixonada
De mansinho a manhã acorda feliz e quase embebedada
No sigiloso recanto dos silêncios a solidão aguça uma
Prece esmerada, ensurdecedora e tão resguardada
Nos céus a luz aconchega-se a uma palavra mais emocionada
No sigiloso recanto dos silêncios a paz amara ali bem enxaguada
Qualquer poética carícia escolta um uivo e um queixume segredado
Assim se sacia e degusta um sedutor desejo felino, voraz e abnegado
Frederico de Castro
👁️ 177
Em queda...

Em queda livre o corpo distende-se no lajedo
E no vácuo do tempo feroz aleatório e disruptivo
Ao redor de cada segundo perdido esfarela-se
O fluido de tantos, tantos lamentos cognitivos
Em queda a solidão encurva o vazio dos desejos esquivos
Desassossegados os sonhos amiúde alvitram um verso lascivo
Indigente extingue-se um grito anónimo, egoísta e tão intuitivo
Descalço cada uivo baila pelas artérias do silêncio mais inofensivo
Frederico de Castro
👁️ 143
Password

Deixei o silêncio trancado e fechado a sete chaves
Iludi a verticalidade das minhas preces alimentando
Todas as memórias labirínticas, sinuosas…enclíticas
Sem senhas e sem códigos a solidão programa-se tão massiva
Sem autenticação toda a caricia exala uma quântica ilusão intuitiva
Assim se armazenam palavras manipuladas, pesquisadas…discursivas
Sem antivírus a vida embrenha-se numa maliciosa luz tão atrativa
Infetada cada emoção ali se infiltra ilícita, gratuita e mais apetitiva
Hostil e intruso assim prolifera todo algoritmo fiel, furtivo…quase obsessivo
Frederico de Castro
👁️ 157
Revelação dos silêncios

Os silêncios em fuga colidem na escuridão quase irredutível
Sua fisionomia maviosa serena a noite lírica e tão impreterível
Chegam até às entranhas de um lamento conivente e irrepreensível
Cada brisa colorida em tons de anis, encharca este verso acalentado
Aquieta o céu e o horizonte embebedado de breus tão assustados
Sem pudores fotografam tantos sussurros uivando e ganindo desaçaimados
FC
👁️ 161
O trem que passou por aqui...

O trem que passou por aqui…levou-me as preces mais lúbricas
Mais ígneas, mais resvaladiças, mais intensas e comunicativas
Descarrilará além após todas as escuridões sucumbirem tão intuitivas
O trem que passou por aqui…levou-me o tempo e tantas horas atrativas
Bafejou os céus com um manto de aguaceiros, vorazes e depurativos
Infiltrou a paisagem com sorrisos e afagos tão preciosos e tão intrusivos
O trem que passou por aqui.. converteu todos os lamentos mais evocativos
Em mil gotículas de fé fluidificantes, fecundas, mais delicadas e furtivas
Mimoseou todas as preces convictas, derradeiras e absolutamente apreciativas
Frederico de Castro
👁️ 158
Além depois do infinito
Além, depois do infinito estatela-se o tempo quase espavorido
Sua comorbidade infecta até o silêncio voraz, felino e dolorido
Amnésico ensombra cada eco solitário inquieto, absoluto e híbrido
Além, depois do infinito as horas tão corrompidas e desnutridas
Amaram inconscientes junto ao jazigo das emoções preteridas
Só um lúbrico silêncio embala e adormece minhas preces indeferidas
Além, depois do infinito todos os poentes fenecem arrogantes e aturdidos
Sem alarido desnudam palavras que chuviscam na caleira dos afagos coloridos
A noite indefesa transborda num tsunami de sorrisos atordoados e persuadidos
Frederico de Castro
Sua comorbidade infecta até o silêncio voraz, felino e dolorido
Amnésico ensombra cada eco solitário inquieto, absoluto e híbrido
Além, depois do infinito as horas tão corrompidas e desnutridas
Amaram inconscientes junto ao jazigo das emoções preteridas
Só um lúbrico silêncio embala e adormece minhas preces indeferidas
Além, depois do infinito todos os poentes fenecem arrogantes e aturdidos
Sem alarido desnudam palavras que chuviscam na caleira dos afagos coloridos
A noite indefesa transborda num tsunami de sorrisos atordoados e persuadidos
Frederico de Castro
👁️ 173
Silêncios e instantes
Num instante o silêncio colide com uma simbiose
De ecos prenhes, indigentes e tão imprescritíveis
São o soporífero para minhas memórias quase inacessíveis
Uma radical fosforescência vadia pela horizontalidade
Dos céus ígneos voláteis e absurdamente indescritíveis
No index do tempo pairam palavras proíbidas e irredutíveis
Em plena combustão todas as solidões alastram impulsivamente
Na geometria dos desejos traço a esquadria a uma carícia tão permissível
Ali, brandindo o silêncio, a alma recheia cada beijo e cada afago mais irascível
Frederico de Castro
👁️ 205
Sublimação do silêncio
Volátil e tão gasoso o silêncio sublima a solidão
Em estado puro, primitivo e virtualmente lascivo
Despenteado o tempo perpendiculariza um segundo indutivo
Inconsolável e molestado cada lamento convulsa colérico e ofensivo
Ali se refazem e desenham tantos infecundos ecos herméticos e furtivos
Absurdo e quase patético o silêncio anela tantos empilhados uivos coletivos
Frederico de Castro
Em estado puro, primitivo e virtualmente lascivo
Despenteado o tempo perpendiculariza um segundo indutivo
Inconsolável e molestado cada lamento convulsa colérico e ofensivo
Ali se refazem e desenham tantos infecundos ecos herméticos e furtivos
Absurdo e quase patético o silêncio anela tantos empilhados uivos coletivos
Frederico de Castro
👁️ 242
Comentários (3)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.