Lista de Poemas

Sobre as ondas


Translado todas as ondas à beira do oceano tresmalhado
Dou-me em comunhão com todos os silêncios intensos e enamorados
Devagar, devagarinho trilho a espinha dorsal dos ecos mais logrados

Sobre as ondas emerge a sinfonia de todos os cânticos aclamados
Solfeja-se um lamento grudado em gemidos e sussurros tão almejados
Sufocam-me silêncios escapulindo em mil desejos poéticos e delicados

Frederico de Castro
👁️ 118

Este meu silêncio tão assíduo


Este meu silêncio tão assíduo confina-me as palavras
Alimenta-me a razão prenhe de memórias tão alegóricas
Depura-me os sentidos fluindo em preces voláteis e mais retóricas

Este meu silêncio tão assíduo confunde-se no horizonte estético
Burla até o calendário onde vagueia e vadia um inerte segundo patético
Ausenta-se naquele sussurro inquietante introvertido e quase profético

Frederico de Castro
👁️ 162

Indisfarçavelmente II


Indisfarçavelmente o tempo recua um centésimo de
Segundo ao ruir num excêntrico silêncio descomedido
Canoniza e enaltece aquele eco síncrono e tão ensurdecido

Indisfarçavelmente a noite sucumbe abarrotada de breus fugidios
No cárcere da escuridão dormita um uivo desgrenhado e desnutrido
Crónico será um sussurro pandêmico, quântico e quase, quase dissuadido

Frederico de Castro
👁️ 88

Silêncios do sul


Ouço um silêncio vindo do sul e nele flutua minha
Prece tranquilamente indiscutível, felina e intangível
As Palavras desvairadas adentram este poente quase invencível

Do sul a maresia navega à bolina de um brisa fresca e irresistível
O oceano vestido de ondas pacíficas amara além fiel é percetível
Dos céus cai uma luminescência miudinha, picuinhas e insubstituível

Pigmentos de solidão mergulham na doce melancolia do tempo remível
A eternidade pare milhões e triliões de horas indigentes e imprescindíveis
Egoísta e temível cada eco infiltra-se no anonimato dos silêncios mais irreversíveis

Ffrederico de Castro
👁️ 161

Unguento para a noite


Qual unguento para a noite a escuridão apascenta 

um breu intenso e apaixonante

Pincela a via-láctea com seduzidas  e intensas

fluorescências divagantes

Suas cores fecundam o genoma das palavras mais

acalentadoras e inebriantes

Frederico de Castro
👁️ 165

Indisfarçavelmente...


Sibila a solidão indisfarçável meteórica e benevolente
Plena de empatia a manhã amamenta sua luz tão indulgente
Cada hora servil e voraz disseca o meu silêncio quase absorvente

Indisfarçavelmente o tempo cabe todinho numa prece benevolente
Urde seu destino contido em memórias afoitas, prazerosas e efervescentes
Os sentimentos partiram e deixaram na derme da solidão tantos sonhos inconfidentes

Frederico de Castro
👁️ 164

Num momento...


Num momento de tempo o tempo sucumbe algemado
A este colossal silêncio decadente…oh tão indulgente
À superfície das emoções emerge uma hora quase inclemente

Num momento de tempo a vida refloresce harmónica e conivente
De sorriso em sorriso escancara-se uma gargalhada tão afavelmente
De prece em prece a fé aperalta o altar dos sonhos mais transcendentes

Num momento de tempo a música baila ao sabor de uma carícia fremente
Corteja e flerta a luz da manhã que renasce intemporal, e tão peneirenta
Além um desejo vagabundo e eloquente desfragmenta-se numa rima evidente

Frederico de Castro
👁️ 111

Anarquia dos silêncios


Na anarquia dos silêncios sobrevive um eco quase asfixiado
Diacrítico o tempo modula a fonética de cada desejo enamorado
Sem til, acento, cedilhas ou tremas o dia reverbera quase tresloucado

Na anarquia dos silêncios cavalgam palavras e verbos tão fictícios
Adentram o bordel dos silêncios e sussurros vorazes e catalíticos
Renascem a jusante de todos os voláteis lamentos mais apocalípticos

Frederico de Castro
👁️ 138

Passageiro da noite


Passageira e notívaga a escuridão passarinha degustando
Toda esta solidão excêntrica profusa, absoluta e simétrica
Glosada a noite estende-se no divã de cada prece geométrica

Ao relento o silêncio esboroa-se num eco funesto e tão incisivo
Ensombradas palavras regurgitam um breu parentérico e furtivo
Sem redenção o tempo castra seus derradeiros segundos mais desnutridos

Perdido no prefácio dos lamentos ardentes cada sonho jaz além introspetivo
Doces brisas adentram a madrugada calejada de emoções e sussurros latentes
No vazio impotente dos silêncios recria-se este verso meditativo e tão contundente

Frederico de Castro
👁️ 187

Entre as curvas da maresia


Numa curva oblonga a maresia vagueia arredondada
E elipticamente fluida ao longo da maré tão devassada
Assintomática a solidão persiste, persiste e persiste tão grada

Nas margens suaves do tempo cada hora regurgita uma
Onda de preces intensas, melódicas e absolutamente prolíficas
Excessivamente fecundo o silêncio amara encriptado a palavras tão pacíficas

Entre as curvas da maresia a paz embebeda-se da manhã além desmascarada
Sem destino o horizonte transmuta toda a ilusão carente magnífica e refinada
Sinto possuir-me o unguento de cada caricia apaziguante rechonchuda e indomada

Frederico de Castro
👁️ 125

Comentários (3)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!