Lista de Poemas
Finalmente...

Despojei-me dos sonhos cifrados na noite polvilhada
Por desejos matreiros, manufacturados com ímpeto
Desenvencilhados com mestria até que este telepático
Silêncio reitere um eco conivente e incinerado
Finalmente reencontro os cacos deixados no fanico
Do tempo catando cada pedacinho de imarcescíveis tristezas
Onde inventario nossas solidões ali cativas tão árduas e assíduas
Calcinando o longílineo momento minguando numa trégua tão contigua
Finalmente o sossego preciso e corajoso, fitando o espectro da noite
Expressiva, calculista calcorreando as vestes expectantes de um olhar
Sumptuoso morada dos nossos seres instigados, imputados ao elegante
Séquito de prazeres pousando entre nós...assim colmatados e agregantes
Sinto as mãos delicadas do tempo treparem no vão
Das minhas ilusões fraternas tateando aquele silêncio que agora
Paira em cada abraço mais musculado deixando um buquê de prantos
Ofegantes e debilitados prestigiar um verso doloroso, urgente...desconcertado
Ah...servil existência que me intentas tão diligente alimentando
A catástrofe das mais simbólicas e tamanhas saudades plangentes ao enferrujar
A fardada madrugada que se entranha felina em nós para farejar e deglutir a
Cambiante luz mortiça, tão requintada onde finalmente queremos nos realojar
Desfez-se o vento perfumando generosamente o silêncio ecoando qual sobremesa
Celestial, depois de incinerar a intangível chama que lacrimeja arrestada por
Uma oração quântica e reveladora onde blindamos esta fé tão irredutível feita confissão
Extravagante, aclamada neste compromisso indissolúvel, apetecível...consumado
Frederico de Castro
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Latin lovers

- para João Bosco um músico formidável
Nos quebros e requebros da vida desengonço um bailado
Felino por entre as coxas do tempo zurzindo pelo desfiladeiro
Do eruptivo lamento , resvalando por ti em labaredas bem destiladas
Pernoito rejubilando nos braços desse amor latino
Maquilhando as sombras da noite que se entregam a nós
Assolapadas, sedutoras e bem estriladas
E mobilando o silêncio anexo à paixão os ecos
Dos desejos mais desenfreados para deleite das caricias
E beijos arquitectados na amalgama dos sentidos assim aliciados
Embalados pela madrugada conspiram nossos corpos ressarcidos
Noite a dentro enjaulados num suspiro sassaricando...ah tão incontrolado
Que o desejo depois refilando se entrega farto, feliz... abilolado
Despindo a pele à blusa da solidão entranho-me todo nas
Mais internas fantasias deglutidas e assolapadas embebedando
O adágio de uma carícia, profana que nos enferniza quase amuada
A ilusão em contra mão autuou-me a razão arpuada no ardor destes
Versos espanejando as labaredas de uma paixão exacerbada e latina
Onde armadilho uma dócil e assanhada lembrança que a ti se destina
Enquanto qual cometa percorrendo a via láctea do teu sorriso deixo
Na escuridão o lastro dos teus beijos dormitando no flanco de um desejo
Refastelado, esvoaçando até aos confins do prazer tão bem burilado
Frederico de Castro
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Repiques & chiliques

Como uma brisa suave ondulando ao relento da manhã
Desdobra-se com docilidade um sorriso configurado no miolo
Daquele lamento algemado a todo aromatizante sonho que abrigo
Como prioridade das memórias e loucuras que agora coligo
Despi este poema de todos os trajes da solidão que
Sustinha uma hora ardendo no vocabulário em reclusão
Até que debulhando o tempo decreto com açoites a solidez
Destas palavras refinadas só na minha imaginação
O dia extasiado prenhe de salamaleques enfeita-se para
Nós decretando outras tantas lunáticas gargalhadas, umas chiques,
Outras aos salpiques deambulam entre os berloques e frenicoques da vida
Que Subscrevo em cada alínea deste súbtil sorriso quase me dando um chilique
Dorme pra sempre a madrugada, branda conquistada tão cacique
Chilreando enraizada a tantos horizontes que dormitam no mais pleno clique
E conjugal momento de amor onde na empena do sorriso desenho a repique o
Sonho consumido num ápice de prazer desde que a criatividade sempre justifique
Frederico de Castro
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Miríades de silêncios

Mascarei o silêncio cronológico despertando em cada
Gentil enlevo do tempo cativante, transfigurando a manhã
Tão enferma escorrendo pelas estreitas horas anónimas
Premiando a solidão com uma bravura quase desvairada
E assim se suicidou a inocência com que alimentava
Minha esperança
Cresceu, viçou espumando gargalhadas distraídas
Evaporando-se num verso híbrido qual negror de
Tanta tristeza horrendamente monótona e abstraída
A ilusão é brava e grotesca, alimenta todos os fantasmas
Que se agigantam no teatro da minha reclusão fazendo até
Murchar aquele sonho embebedando os desgostos de uma vida
Infrene...desenfreadamente contraída e perene
Formosa e tão pura nasceu a manhã beijando todos aqueles
Aromatizantes desejos em delírio secundando a hecatombe
De saudades fermentando na miríade de memórias crepitantes
Sublimando a vida neste ornado e etéreo verso tão desconcertante
Pincelei a noite que se cobriu de um redundante breu
Vestindo a luz que resvala num redimido lamento excitante
Até que todas as tristeza se tornem póstumas e palpitantes
Espalmando o silêncio abençoado, inspirador...incitante
Frederico de Castro
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Ponto de fuga

Escondi-me num silêncio revelador e acutilante
Recolhendo da madrugada toda a luz imersa
Nesta catarse de desejos inebriantes
E assim brota a esperança suspensa num cardume
De ilusões tão gratificantes, sorvendo cada gota desta
Saudade urgente, refinada...ofegante
Deixo por momentos a semi-recta da solidão colidir com
A bissectriz de um sonho geometricamente desenhado entre
Nosso ponto de fuga e a raiz quadrada deste verso bem alinhado
E no vício da escrita me embrenho pois necessito desta lógica
Sistemática derivando em cada estrofe qual axioma aritmético
Multiplicação de tão óbvias palavras numa rima dedutiva e hipotética
Quão genéticos se tornaram os sonhos nesta engenharia poética
Dando à luz o software de paixões alegóricas complementando este
Teorema de amor esquemático, proporcional...apologético
De cálculo em cálculo divido a asserção deste sistema operativo executando
A linguagem universal colhida e armazenada na interface da vida
Preciso desktop onde cogito cada rima frenética, explícita... tão atrevida
Em algoritmos codifico o quociente do silêncio que se aloja na drive
Da minha memória interna...alimentando aquele gigabyte de amor que o
Amor arquiva, computa e sempre quando quer...acessa e loucamente nos disputa
Frederico de Castro
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Holografia da solidão

Subtraí ao silêncio um gomo de luz ecoando
Pela madrugada que chega agora tão apressada
Atropelando o dia travestido de ígneas luminescências tão ousadas
Num suspiro sustive o perfume sereno onde bebericamos
Uma acossada hora fenecendo até se vindicar aquela
Milimétrica solidão fugindo coalescida e devassada
Algemei o tempo que lavro neste destino desamparado
Deixando em cada eco um vazio disperso...quase dilacerado
Sucumbindo naquele ardente minuto vagando, senil e compenetrado
Filtrei todo silêncio decantado na vindima da vida
Incubando uma lágrima maturando na adega das ilusões amenas
Quando nos embebedamos atufados num desejo quase obsceno
Chispa o entardecer, morrendo depois entre as colinas
Fronteiriças daquele silêncio repisado, ratificado, sorvendo
Da noite toda a quietude ateada a este verso hibernando apaixonado
Estica-se o infinito céu tão sedutor tocando suas madeixas
Meu sonho mais codificado assim que penteio o tempo barricado
Na pústula e viçiante ilusão onde corrompo a solidão assim triplicada
Na holografia da madrugada reproduzi nossas sombras que
Se esgueiram pela galeria da noite deixando um matrimonial desejo radiante
Recolher toda a monotonia que repousa no semblante do teu sorriso itinerante
Sem mais estardalhaço beberico cada rima reconfortante alimentando
A serenidade das palavras adiadas, petrificando aquele subtil minuto insinuante
Sossegando o crepúsculo grácil, irreverente...inexplicavelmente dócil e arrebatante
FC
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A ante penúltima solidão

De per si o tempo converteu-se num carinho latindo em
Cada hora sorumbática morrendo minuto a minuto
Ao revogar até este silêncio esdrúxulo, absolutamente
Espontâneo divagando...por mim assim tão cutâneo
A solidão nem hora tem de chegada ou partida
Cada instante, num instante quase extemporâneo deixa
Aquela gargalhada interna acrochar-se na engrenagem do
Silêncio lacrimogéneo, excêntrico, retilíneo...tão heterogéneo
A noite vagando mais só ruma a um desconhecido
Sonho bailando lá naquele ante penúltimo beijo atónito
Solidário, submergindo no nupcial prazer tecido e embalado
Numa rejuvenescida emoção glamorosa, implícita...matemática
Sobram os sorrisos da manhã que desperta excepcional para acalento
Dos meus lirismos mais artesanais onde como empreiteiro da poesia
Reconstruo dos cacos a felicidade colmatada, desinibida embebedando
Estes versos debruados com palavras de amor intrépidas e bem supridas
Frederico de Castro
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Ergometria do silêncio

Alvoreceu quase imperturbável esta melodia do tempo,
Alimentando a ergometria do silêncio numa triste e aveludada
Palavra residindo na nomenclatura de uma rima, subtil que em
Festejos depois incondicionalmente ali eclodia
Pontiagudas ficaram as estalactites da minha solidão
Namorando cada ressaca dos sonhos que se estilhaçam
Pelo tempo hipnotizado, arguto, refrescando cada desejo metódico,
Absoluto onde descalço o tédio de tantos lamentos apátridas e astutos
Murmuram as fantasias repletas de gigantescas alegrias
Percorrendo as veias e artérias dos meus desasossegos onde
Cirurgicamente me refaço num recobro excêntrico petiscando
Com achego este sonho que em nós se orquestra assim saçaricando
Pudesse eu ofertar a luz que flui dos meus silêncios mais
Prolongados e decerto iluminaria todo o teu ser egocêntrico
Que reveste os aposentos do amor mais geocêntrico medindo cada
Quilómetro de desejos que quero ainda saborear de modo mais excêntrico
Frederico de Castro
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Palavras e sentidos

As palavras com seus significados
Bebo-as inteiras sem mastigar ou sentir seu tacto
Engulo-as devoradoramente até mitigar de facto
Cada lamento, gostoso, apaparicado...a levitar...estupefacto
Vigio-as de noite, agregando-as em rimas expostas
Desnudas galgando desejos e paixões que se imolam
Na oralidade de uma palavra terna desfragmentada
Onde pernoitam as minhas solidões tecidas no desvelo
De uma madrugada que morre tão suavemente desapontada
Com palavras besunto o amor que caustico num
Beijo fiel e derradeiro
Deixo o rito de tempo macerando em sonhos corriqueiros
Inconfessáveis, atarantados...cochilando assim desordeiros
Derramo sob o mar dos meus versos todas as
Palavras que outrora me afogavam num aguaceiro
Prenhe de rimas forasteiras, esbravatando todo verbo
Carente, manietado, ululante, desaguando lesto nesta
Maresia de palavras apaixonantes e matreiras
Ficou só uma noite escassa, perdida no vão de um
Comovido silêncio, calcorreando todas as colinas desta
Minha solidão aventureira, consumindo a luz que agora amaina
Tanta escuridão, ousada, nefasta contorcendo-se perante a
Dissoluta vida, feita utopia num incontido bramido tão absoluto
As palavras estendem-se pelo tempo, letra por letra
Soletrando ilusões que despertam até deglutir o ténue
Poente que reverbera pela serenidade de tantos sorrisos grogues
Apaixonados, plicando os sentidos dançantes entre os estuários
Da vida, ambulante, aventureira...ovacionada...enfeitiçante
Frederico de Castro
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À bolina dos ventos

Respiro e saboreio cada momento definitivo
Tenho na intuição dos prazeres o reencontro
E a assinatura do silêncio quase coercivo gotejando
Entre a solidão e os deleites de um sonho tão bem nutrido
Na horta das minhas ilusões planto a esperança
Que renasce esgotando o cálice onde deposito cada
Lágrima de júbilo escorrendo na face do tempo fugitivo
Exibindo seu indomável silêncio sempre mais paliativo
Nado num passível momento do tempo onde me afogo
Em cada sufocante maresia bradando intempestiva até
Que as margens do amor se unam para sempre assim interactivas
O vento iça para longe teus perfumes poluindo o oceano de solidão onde
Visto aquela onda uivando à bolina, desaguando cativa, para gáudio
De cada maré sucumbindo a nossos pés tão afoita virtuosa...regenerativa
Frederico de Castro
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