Lista de Poemas
Holografia da solidão

Subtraí ao silêncio um gomo de luz ecoando
Pela madrugada que chega agora tão apressada
Atropelando o dia travestido de ígneas luminescências tão ousadas
Num suspiro sustive o perfume sereno onde bebericamos
Uma acossada hora fenecendo até se vindicar aquela
Milimétrica solidão fugindo coalescida e devassada
Algemei o tempo que lavro neste destino desamparado
Deixando em cada eco um vazio disperso...quase dilacerado
Sucumbindo naquele ardente minuto vagando, senil e compenetrado
Filtrei todo silêncio decantado na vindima da vida
Incubando uma lágrima maturando na adega das ilusões amenas
Quando nos embebedamos atufados num desejo quase obsceno
Chispa o entardecer, morrendo depois entre as colinas
Fronteiriças daquele silêncio repisado, ratificado, sorvendo
Da noite toda a quietude ateada a este verso hibernando apaixonado
Estica-se o infinito céu tão sedutor tocando suas madeixas
Meu sonho mais codificado assim que penteio o tempo barricado
Na pústula e viçiante ilusão onde corrompo a solidão assim triplicada
Na holografia da madrugada reproduzi nossas sombras que
Se esgueiram pela galeria da noite deixando um matrimonial desejo radiante
Recolher toda a monotonia que repousa no semblante do teu sorriso itinerante
Sem mais estardalhaço beberico cada rima reconfortante alimentando
A serenidade das palavras adiadas, petrificando aquele subtil minuto insinuante
Sossegando o crepúsculo grácil, irreverente...inexplicavelmente dócil e arrebatante
FC
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A ante penúltima solidão

De per si o tempo converteu-se num carinho latindo em
Cada hora sorumbática morrendo minuto a minuto
Ao revogar até este silêncio esdrúxulo, absolutamente
Espontâneo divagando...por mim assim tão cutâneo
A solidão nem hora tem de chegada ou partida
Cada instante, num instante quase extemporâneo deixa
Aquela gargalhada interna acrochar-se na engrenagem do
Silêncio lacrimogéneo, excêntrico, retilíneo...tão heterogéneo
A noite vagando mais só ruma a um desconhecido
Sonho bailando lá naquele ante penúltimo beijo atónito
Solidário, submergindo no nupcial prazer tecido e embalado
Numa rejuvenescida emoção glamorosa, implícita...matemática
Sobram os sorrisos da manhã que desperta excepcional para acalento
Dos meus lirismos mais artesanais onde como empreiteiro da poesia
Reconstruo dos cacos a felicidade colmatada, desinibida embebedando
Estes versos debruados com palavras de amor intrépidas e bem supridas
Frederico de Castro
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Ergometria do silêncio

Alvoreceu quase imperturbável esta melodia do tempo,
Alimentando a ergometria do silêncio numa triste e aveludada
Palavra residindo na nomenclatura de uma rima, subtil que em
Festejos depois incondicionalmente ali eclodia
Pontiagudas ficaram as estalactites da minha solidão
Namorando cada ressaca dos sonhos que se estilhaçam
Pelo tempo hipnotizado, arguto, refrescando cada desejo metódico,
Absoluto onde descalço o tédio de tantos lamentos apátridas e astutos
Murmuram as fantasias repletas de gigantescas alegrias
Percorrendo as veias e artérias dos meus desasossegos onde
Cirurgicamente me refaço num recobro excêntrico petiscando
Com achego este sonho que em nós se orquestra assim saçaricando
Pudesse eu ofertar a luz que flui dos meus silêncios mais
Prolongados e decerto iluminaria todo o teu ser egocêntrico
Que reveste os aposentos do amor mais geocêntrico medindo cada
Quilómetro de desejos que quero ainda saborear de modo mais excêntrico
Frederico de Castro
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Palavras e sentidos

As palavras com seus significados
Bebo-as inteiras sem mastigar ou sentir seu tacto
Engulo-as devoradoramente até mitigar de facto
Cada lamento, gostoso, apaparicado...a levitar...estupefacto
Vigio-as de noite, agregando-as em rimas expostas
Desnudas galgando desejos e paixões que se imolam
Na oralidade de uma palavra terna desfragmentada
Onde pernoitam as minhas solidões tecidas no desvelo
De uma madrugada que morre tão suavemente desapontada
Com palavras besunto o amor que caustico num
Beijo fiel e derradeiro
Deixo o rito de tempo macerando em sonhos corriqueiros
Inconfessáveis, atarantados...cochilando assim desordeiros
Derramo sob o mar dos meus versos todas as
Palavras que outrora me afogavam num aguaceiro
Prenhe de rimas forasteiras, esbravatando todo verbo
Carente, manietado, ululante, desaguando lesto nesta
Maresia de palavras apaixonantes e matreiras
Ficou só uma noite escassa, perdida no vão de um
Comovido silêncio, calcorreando todas as colinas desta
Minha solidão aventureira, consumindo a luz que agora amaina
Tanta escuridão, ousada, nefasta contorcendo-se perante a
Dissoluta vida, feita utopia num incontido bramido tão absoluto
As palavras estendem-se pelo tempo, letra por letra
Soletrando ilusões que despertam até deglutir o ténue
Poente que reverbera pela serenidade de tantos sorrisos grogues
Apaixonados, plicando os sentidos dançantes entre os estuários
Da vida, ambulante, aventureira...ovacionada...enfeitiçante
Frederico de Castro
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À bolina dos ventos

Respiro e saboreio cada momento definitivo
Tenho na intuição dos prazeres o reencontro
E a assinatura do silêncio quase coercivo gotejando
Entre a solidão e os deleites de um sonho tão bem nutrido
Na horta das minhas ilusões planto a esperança
Que renasce esgotando o cálice onde deposito cada
Lágrima de júbilo escorrendo na face do tempo fugitivo
Exibindo seu indomável silêncio sempre mais paliativo
Nado num passível momento do tempo onde me afogo
Em cada sufocante maresia bradando intempestiva até
Que as margens do amor se unam para sempre assim interactivas
O vento iça para longe teus perfumes poluindo o oceano de solidão onde
Visto aquela onda uivando à bolina, desaguando cativa, para gáudio
De cada maré sucumbindo a nossos pés tão afoita virtuosa...regenerativa
Frederico de Castro
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Memórias unilaterais

Geme a alma, carente, castigada esculpindo o ser
Fugitivo que forjo neste destino excursionando pelos atalhos
Deste mundo primitivo guarnecido por versos insanos e instintivos
Ao anoitecer chega o silêncio quase petrificado
Deixando no ar as essências da sua escuridão inibitiva
Contristada acamando meus ais e lamentos mais receptivos
Domei cada hora calcorreando o dorso da solidão
Deixando sob disfarce aquela ilusão patenteada por
Um pasmo e devorador desejo ali cativo
Lenta, lentamente embebedo-me da manhã despontado
Invulgar e depurativa standartizando todos os beijos casuais
Sussurrando nos becos da minha solidão insatisfeita e factual
Recreio-me pelos pastos alados projectando nos céus
Virtuais um vassalo silêncio rumando à catedral das
Minhas memórias onde a fé imerge imperativa e unilateral
Murcharam os lamentos vindos desses olhos tristes
Caiando nosso jardim com mil perfumes primaveris
Numa rara embriaguez saborosamente submissa e viril
É tempo de nos emanciparmos desta meiga ilusão peregrina
Empoleirada nas crinas da solidão centrifugante por onde cavalgo
Desatinado pilhando o tempo proscrito, alucinado...protuberante
Na catedral deste mundo poético exponho a fé que celebro num
Rito sagrado , ajoelhando as rimas modeladas, supracitadas com mestria
Qual incenso vagando pelo altar das palavras assim empolgadas
Morreu por fim o silêncio...enterrei-o de vez...rigorosamente
Numa elegia de festejos pincelando o jazigo onde se extingue
Também a noite esgotada, taciturna...transladada...integralmente
Frederico de Castro
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Tenho que ser...

Fui um eco avulso, sem indulto morando junto
Ao pecado reduzido a cinzas e pó...sepultado ao
Lado da solidão recheada de tenazes versos em reclusão
Fui silêncio em dia de festa engolindo cada lamento mudo
Tamborilando entre vigorosos fragmentos de um sisudo sorriso
Aconchegado à felpuda noite fenecendo sem mais constrangimentos
Fui escuridão nesta noite de um breu quase incalculável
Desabando em mim toda a luz malabarista e imolável
Argamassa dos meus versos perdidos numa hora lentamente maculável
Fui geometria da tua aritmética precisa e sistemática vasculhando
Cada semi-recta onde pernoitámos embrulhados num desejo incansável
Esquadria para tantos beijos multiplicados com um sabor quase inquestionável
Frederico de Castro
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Versos em clausura

Assim se desnuda cada latido dócil
Enfeitando nossos sentimentos esborratados
Num mavioso ronronar pulsando assim recatado
Sob aquele pungente abraço melodioso...agora colmatado
No murmúrio dos ventos recostei-me entre as brisas
Passageiras desbaratando toda a saudade inquebrantável
Latente, bem aquilatada e matreira até que o toque
Da tua sombra assoalhe o lajedo de tantas memórias forasteiras
No vazio dos dias preenchi as horas varejando pela cumeeira
Das mesmas palavras corriqueiras conjugando a semântica dos meus
Versos unânimes, enclausurados numa paixão deveras tão derradeira
Estanquei no baldio dos meus silêncios o acto de solidão que transbordou
Em cada migalha de luz tateando o momento resoluto onde nos entregamos
Condolentes, intoxicados...quase absolutos, mais contundentes...pacificados
Frederico de Castro
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Para além da distância

Com efeitos curativos a noite esvazia-se
Na escuridão, adormecendo a malandrice do silêncio
Que nos apetece...aromatizando o dia que nasce
Impaciente e de esperanças se reabastece
O ponteiro marca cada hora deambulando pelas
Esquinas deste tempo impaciente, perdido num coktail
De solidões onde me embebedo em cada beijo tão subserviente
Aprisionado naquele calafrio de desejos tão coniventes
Do alto do precipício pulam as palavras apoteóticas
Planam no planalto das ilusões aliciantes deixando no quociente
Do amor a aritmética de mil desilusões escalando este silêncio
Mastigando todo o prazer displicente...quase narcótico
Mitigo nesta lágrima um pouco da saudade em mim enclausurada
Recupero num fôlego aquele abraço recriado com muita elegância onde
Não existem mais distâncias, apenas e só a confidente circunstância desta
Ausência escapulindo consumada na reeleita esperança escorada com Tamanha exuberância
Frederico de Castro
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Nos subúrbios do tempo

Encontrei algures espaçada entre as
Cortinas do tempo aquela brisa esvoaçante
Orlando o horizonte quase embriagado pela
Melodia comemorativa de um dia rompendo extravagante
Plantei cada palavra no jardim da poesia expectante
Onde se noivam as rimas dos meus versos mais semânticos
Onde se adoçam os lábios com beijos tão petulantes
Onde raia a aurora impregnada de superlativos abraços galantes
Sossego a noite que se deita em lençóis sedosos iluminando cada
Gomo de luz fascinante e escancarado, confortando todo aquele silêncio
Solene, subtil reentrando em cada sentido desvairado vadiando pelos subúrbios
De uma manhã carente, entulhada num dócil e religioso silêncio inebriante
Caminho agora sob toda a tenda da solidão inquieta pendurada nos
Cavaletes da minha saudade prostrada, obsoleta, depondo aos pés
De tão meigo sorriso uma rejubilante e enamorada carícia
Transformando cada desejo unívoco num verso mais embelezado e recíproco
Frederico de Castro
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Comentários (3)
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asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
ania_lepp
2017-11-04
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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