Lista de Poemas
De que cor são as memórias

É urgente inventar o silêncio
Lá fora, imune ao ruído ele reverbera
Aos pés da solidão quase impune
As memórias coloridas espraiam-se pelo
Ventre da terra deixando no museu do tempo
O retrato das tranquilas madrugadas por ali
Divagando tão inexactas
Serena e tão formal a noite desnuda-se perante a
Assembleia das minhas ilusões impregnando um subtil
Gomo de luz macerando na escuridão obsoleta e intáctil
Ficam as impressões digitalizadas no semblante deste
Silêncio imemorável, flagelando cada longa hora ancorada
Ao luto que velo nas minhas tristezas desconsoladas
Pingando entre tantas, destelhadas solidões bem enclausuradas
Frederico de Castro
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Como gizar o silêncio

Na tela dos silêncios pinto coloridos
Ecos projectados na mais subtil e
Geométrica brisa espavorida
Contemplo as aguarelas dos céus magistrais
Onde se povoam paixões gigantescas louvando
Cada pasto das minhas solidões mais sofridas e burlescas
Mergulha a noite numa onda energizante rodeando suas
Margens de pitorescas memórias tão insinuantes
Embelezando esta maré espigada e deveras mais perfumante
Deixo na antologia dos meus versos qualquer palavra
Apaixonada e pactuante embebedando e metamorfoseando
Os sentidos que de ti respiro, apetecido, assim contagiante
Apetece rimar tanto quanto amar, falar, respirar
Mergulhar na manhã repleta de beijos a enfeitar
Pensar, sentir desabar em cada murmúrio que quero apurar
Acalorar a vida que escapa pelos silêncios mui nobres
Ou viver-te minha poesia em cada estrofe emocionada
Tateando a alma que transparece numa gargalhada bem gizada
Frederico de Castro
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No exílio da noite

Emaranhados no horizonte dos tempos
Amadurecem grãos de luz silenciando
Todos os ecos e devaneios predestinados
Descansam em soltas partículas de solidão
Espanejando outras lembranças que trago na
Baínha das memórias em reclusão
Regateio da madrugada oclusa toda a negrura
Da noite profusa decapitando aquelas emoções
Sonolentas trazidas pelo silêncio de muitas comoções
Cansada e só a saudade retira-se para o divã das
Minhas fiéis prelecções amorosas ao acudir um
Verso sustido em suspiros e palavras tão fogosas
Numa proposta indecente o dia roubou-me
Aquela hora meticulosamente medida e apaixonada
Estimulando os adornos sensuais da alma ofegante e alucinada
Instável e perene a solidão desgarrou-se no labirinto de
Todos os meus desassossegos complacentes ao patentear
O exílio onde sem lacunas fenece o tempo quase demente
Frederico de Castro
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Desaguando entre o silêncio

Fechei as persianas a este silêncio
Que teima violar a partilha de palavras
Cordatas, deixando às apalpadelas aquela
Solidão, dúbia , dolorosa trajada de mil mazelas
Intensa mas intranquila a noite recria sua
Escuridão sempre emancipada, aprimorando
Cada inflexível murmúrio sorrateiramente encorpado
Com desejos ferozes, implacáveis...quase dopados
E assim desaguou todo silêncio juntinho às margens
Daquele riacho estridulando veementemente até que uma
Onda periclitante adormeça no leito do tempo capitulando
Destilam pela madrugada embebedados gomos de
Prazer sempre ensurdecedores adornando meus devaneios
Sibilando entre a conivência de tantos beijos tão apaziguadores
Frederico de Castro
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Burburinhos no silêncio

Subindo eu aos ramos mais altos desta solidão
Empoleiro-me naquele frondoso e perfumado
Fruto da ilusão onde invento gomos de luz que
Permanecem indivisíveis, majestáticos...imperecíveis
A noite presumivelmente estática na sua escuridão
Quase indiscernível alimenta uma assombrosa sintaxe de
Beijos loucos incivilizados, mas convictos e bem optimizados
No pantanal dos dias amordaçados deixo retóricos
Abraços cavalgando qual trote de um fagote bem
Orquestrado...assim como um scotch prazeroso e eufórico
Na ressaca da noite sigo o burburinho do silêncio tão
Meteórico onde cada eco sufraga a vida que palpita num
Tenor prazer colorindo com alaridos meigos e inalienáveis
As caricia longânimes, lúbricas, sempre, sempre inimagináveis
Frederico de Castro
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Algum dia, de alguma maneira, de alguma forma…

Prescrevi ao silêncio uma dose de ilusões
Tão multifacetadas adormecendo uma hora
Que deambula pelas solidões mais exaltadas
Algum dia implantarei no tempo esta eternidade
Encarcerada no ventre das minhas memórias
Içadas pelos desejos mais nobres e requintados
Débil esperança esta que escorrega entre muitas
Fantasias tão precárias deixando até mais vulneráveis
Quaisquer saudades proscritas e sempre prioritárias
De alguma maneira ficaram vulneráveis todas as
Paisagens onde moraram estas pegadas de gratificação
Sempre impregnadas e nutridas de uma sumária solidão
De alguma forma espreito e nutro a penumbra onde moram
Nossas almas mais pacificadas deixando uma desperdiçada
Hora fluir nas palavras delicadas, rimando quase obcecadas
Frederico de Castro
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Até tu...silêncio !
Na lezíria do tempo desnudo todo
Sossego disperso numa lamúria acantonada
Nesta esperança conversa nutrindo o global
Momento de solidão ali imersa e bem escrutinada
Até tu, silêncio ceifas da noite uma ilusão tão sórdida
Peregrinando pela escuridão que agora se desfaz num pranto
Abocanhando até o sonho pontual e convalescente
Enlutando o dia convincentemente complacente
Até tu, silêncio retiras-te e entranhas-te no cântaro das
Minhas solidões onde o tempo tão permeável e flagelado
Se acoita nos breus da saudade padecendo desolada
Até tu, silêncio, agonizas soberano e triste... mais dissimulado
Injectando nas memórias o regenerado desejo de tantas veladas
Palavras timidamente lacrando a vetusta hora morrendo violada
Frederico de Castro
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Reset ao tempo
Fiz um reset ao tempo austero e implacável
Sempre tão inflexível até que o silêncio refrigere
Cada aroma ensurdecedor escalando uma oitava
Dos meus silêncios avassaladores
Se pudesse manipulava esta escuridão que em mim
Pernoita sempre de prontidão
Sorteava a solidão numa tombola de esperança para
Que a sorte prevaleça bramindo, bramindo em profusão
Sem gorjetas deixei madrugada esfolada, corrompida, pedindo
Esmolas a cada hora lacaia que se estilhaça numa vénia tão cordata
Portadora de uma palavra gentil, atrevida...quase estupefacta
Depois de vandalizar cada faminto e grato verso crucial, infesto os
Céus com silêncios sempre bem ressarcidos e cerimoniais...alardeando
Cada momento de tempo bisbilhotado num eco resplandecendo genial
Frederico de Castro
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Desejos imperceptíveis

Foi-se a solidão quase eterna rejuvenescer-se
De uma indomável saudade aqui a intrometer-se
Deixa nos andaimes do tempo uma hora restaurada
Felina a esgueirar-se
Em submissão dormitam meus sonhos embrulhados numa
Tão turgida e cinginda luz escorrendo pelo tejadilho deste silêncio
Qual plataforma da memória e dos desejos mais imperceptíveis
Por baixo do viaduto do tempo escorre escondida a tristeza
Mais imprevisível abastecendo o naipe de lamentos distantes
Impacientes onde por conveniência algemo a madrugada mais
Vulnerável e irredutível
Consumidas repousam agora as noites tão hábeis
Sempre flébeis, confinadas ao subúrbio da vida toda ela
Feliz a escapulir-se subtil, urgente e tão fiável
Frederico de Castro
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Por um drink de solidão
Nula hora captada num imperdível
Silêncio medido neste incasto momento
De tempo pernoitando pendurado na galopante
Luz jardinando o pasto das solidões mais dopantes
E assim vaidosa se vestiu a noite derradeira traçando
Geométricos gomos de ilusão à esbatida saudade que
Se empoleirou em todas as lembranças que deixei
Palpáveis, vigilantes e tão inexoráveis
Fiz-me à estrada alongando a lasciva madrugada
Serena, pontual, vulnerável, embebida num cálice de desejos
Tão cobiçados...quase manipuláveis e tão bem esmiuçados
Ali, no profundo retiro dos meus silêncios, ignifico aquela predadora
Escuridão viciada em tantos drinks de solidão até que ensurdeça a
Delicada gargalhada vitima de tantos queixumes em reclusão
Frederico de Castro
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