Lista de Poemas
E depois...nós

Pensar, divagar, emprestar ao
Olhar a matriz deste silêncio quase
A naufragar...e depois, nós escravizados
Num momento de tempo tão eternizado
O tempo matou uma hora radical
Deixou pestanejar toda esta solidão
Perdida entre os penhascos do tempo
Onde me atirei outrora com tamanha prontidão
Medita minha alma entre as vigílias da noite
Profunda e cordata habitando aqueles sentidos
Soçobrando quase dementes...quase irreverentes
Hoje alimento cada eco que serpenteia a ousada
Florescência de uma caricia mais contundente até que
Em nós fertilize um beijo, ou um desejo mais premente
E depois nós... mais que apaixonados, absolutamente
Reincidentes, quase incriminados
Frederico de Castro
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Dentro das tuas lágrimas

Existe um poço profundo e dele
Retiro cada lágrima vagando numa
Saudade imune à solidão quase
Enfeitiçante...quase redundante
Dentro das tuas lágrimas oiço o choro de um
Grito soluçante algemado a um punhado de
Gigantescas saudades morrendo indigentes,
Fulminantes, com tanta volatilidade
Dentro das tuas lágrimas encontro um
Vazio tão profundo como o abismo deste
Silêncio tão abissal...e ali mergulho qual
Naufrago vadiando numa solidão tão colossal
Dentro das tuas lágrimas encontro o adeus da partida
Fechando as portas a esta masmorra de ilusões onde
Enterro de vez a antiguidade de todas as memórias ampliadas
Pela dor que desenho pra mim com tamanha assiduidade
Dentro das tuas lágrimas jaz um sorriso atlântico
Hibernando no aconchego deste oceano pacifico onde
Pra sempre me banho nessas infinitas maresias quânticas
Serpenteando entre ondas tão palpitantes...tão semânticas
Frederico de Castro
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Em prisão domiciliar

Fiquei como prisioneiro no domicilio
Da noite, suspirando cada eco do seu
Silêncio tenebroso...já tão rotineiro
Amontoei na manhã gratos gomos de
Orvalho tristemente abandonados na
Soleira do tempo desaguando ali sorrateiro
A esperança acomoda-se entretanto numa
Saudade que deixei indecisa...indiferente
Suspiro das minhas ousadias perenes e submissas
Latejam memórias que antes se estatelaram entre
O vão de muitas lembranças ostentosas, vivendo
Pra sempre naquela utopia quase, quase portentosa
Frederico de Castro
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Matriz do silêncio

Na cintura do tempo adelgaçou-se este
Silêncio, deixando os mamilos da solidão
Expostos ao desejo da noite em reclusão
Sob os olhares da madrugada duplico cada
Eco informal sumindo na escuridão impaciente onde
Se curvam as sombras dos meus lamentos tão latentes
Duas margens dividem a saudade que prospera
Nesta severa matemática das horas indivisíveis
Pois ali alimento a matriz de tantas memórias intangíveis
No cubículo do silêncio suam as palavras gritando de
Tal forma vulneráveis, que o dia depois feliz desperta
Debruçado numa longa e encarcerada ilusão boquiaberta
O monitor das minhas memórias apagou aquela imagem
Que a luz envergonhada sempre flerta, velando
Todos os gestos e caricias implodindo em cada hora mais deserta
Deixo a alcunha dos meus lamentos estampada na mordaça
Dos sonhos breves...intransponíveis até estrangular, de vez
A insólita lágrima caindo...caindo encoberta e perecível
Rude caminho este onde palmilho cada lembrança
Eufórica diluída nas boulevards do tempo embriagante
Ternamente filtrado numa bruma matinal e tão retumbante
Frederico de Castro
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Emocional ou passional

Agiganta-se a manhã sincronizando a luz
Que se excita em cada hora mais emocional
Arrebitando tantos desejos de forma sempre passional
Sem deslumbres a memória congratula-se com estas
Lembranças tão ocasionais rasgando as vestes ao
Silêncio que em nós pernoita quase insurreccional
Com imensa suavidade a solidão trapaceia cada
Desejo que ficou encoberto na pasmaceira de tantas
Noites insones enfeitadas de saudades tão inclementes
Resta-me tomar de assalto o gabinete do amor
Onde reunimos tantos beijos e abraços em reclusão
Secretariando nossas paixões regadas com beijos em profusão
Frederico de Castro
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De que cor são as memórias

É urgente inventar o silêncio
Lá fora, imune ao ruído ele reverbera
Aos pés da solidão quase impune
As memórias coloridas espraiam-se pelo
Ventre da terra deixando no museu do tempo
O retrato das tranquilas madrugadas por ali
Divagando tão inexactas
Serena e tão formal a noite desnuda-se perante a
Assembleia das minhas ilusões impregnando um subtil
Gomo de luz macerando na escuridão obsoleta e intáctil
Ficam as impressões digitalizadas no semblante deste
Silêncio imemorável, flagelando cada longa hora ancorada
Ao luto que velo nas minhas tristezas desconsoladas
Pingando entre tantas, destelhadas solidões bem enclausuradas
Frederico de Castro
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Como gizar o silêncio

Na tela dos silêncios pinto coloridos
Ecos projectados na mais subtil e
Geométrica brisa espavorida
Contemplo as aguarelas dos céus magistrais
Onde se povoam paixões gigantescas louvando
Cada pasto das minhas solidões mais sofridas e burlescas
Mergulha a noite numa onda energizante rodeando suas
Margens de pitorescas memórias tão insinuantes
Embelezando esta maré espigada e deveras mais perfumante
Deixo na antologia dos meus versos qualquer palavra
Apaixonada e pactuante embebedando e metamorfoseando
Os sentidos que de ti respiro, apetecido, assim contagiante
Apetece rimar tanto quanto amar, falar, respirar
Mergulhar na manhã repleta de beijos a enfeitar
Pensar, sentir desabar em cada murmúrio que quero apurar
Acalorar a vida que escapa pelos silêncios mui nobres
Ou viver-te minha poesia em cada estrofe emocionada
Tateando a alma que transparece numa gargalhada bem gizada
Frederico de Castro
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No exílio da noite

Emaranhados no horizonte dos tempos
Amadurecem grãos de luz silenciando
Todos os ecos e devaneios predestinados
Descansam em soltas partículas de solidão
Espanejando outras lembranças que trago na
Baínha das memórias em reclusão
Regateio da madrugada oclusa toda a negrura
Da noite profusa decapitando aquelas emoções
Sonolentas trazidas pelo silêncio de muitas comoções
Cansada e só a saudade retira-se para o divã das
Minhas fiéis prelecções amorosas ao acudir um
Verso sustido em suspiros e palavras tão fogosas
Numa proposta indecente o dia roubou-me
Aquela hora meticulosamente medida e apaixonada
Estimulando os adornos sensuais da alma ofegante e alucinada
Instável e perene a solidão desgarrou-se no labirinto de
Todos os meus desassossegos complacentes ao patentear
O exílio onde sem lacunas fenece o tempo quase demente
Frederico de Castro
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Desaguando entre o silêncio

Fechei as persianas a este silêncio
Que teima violar a partilha de palavras
Cordatas, deixando às apalpadelas aquela
Solidão, dúbia , dolorosa trajada de mil mazelas
Intensa mas intranquila a noite recria sua
Escuridão sempre emancipada, aprimorando
Cada inflexível murmúrio sorrateiramente encorpado
Com desejos ferozes, implacáveis...quase dopados
E assim desaguou todo silêncio juntinho às margens
Daquele riacho estridulando veementemente até que uma
Onda periclitante adormeça no leito do tempo capitulando
Destilam pela madrugada embebedados gomos de
Prazer sempre ensurdecedores adornando meus devaneios
Sibilando entre a conivência de tantos beijos tão apaziguadores
Frederico de Castro
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Burburinhos no silêncio

Subindo eu aos ramos mais altos desta solidão
Empoleiro-me naquele frondoso e perfumado
Fruto da ilusão onde invento gomos de luz que
Permanecem indivisíveis, majestáticos...imperecíveis
A noite presumivelmente estática na sua escuridão
Quase indiscernível alimenta uma assombrosa sintaxe de
Beijos loucos incivilizados, mas convictos e bem optimizados
No pantanal dos dias amordaçados deixo retóricos
Abraços cavalgando qual trote de um fagote bem
Orquestrado...assim como um scotch prazeroso e eufórico
Na ressaca da noite sigo o burburinho do silêncio tão
Meteórico onde cada eco sufraga a vida que palpita num
Tenor prazer colorindo com alaridos meigos e inalienáveis
As caricia longânimes, lúbricas, sempre, sempre inimagináveis
Frederico de Castro
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Comentários (3)
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asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
ania_lepp
2017-11-04
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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