Lista de Poemas
Vozes que ecoam
Audre diz
Força a escrita
Geruza diz
Grita mesmo sem voz
Ecoo as poetas
Porque há em mim
O choro preso
O gozo reprimido
A coragem inibida
As palavras esquecidas
Mas há também
Impulso
Ânsia
Fôlego
Raiva
E vida
As sinto aqui
Quando cada palavra
Abre
Corta
E sutura
Força a escrita
Geruza diz
Grita mesmo sem voz
Ecoo as poetas
Porque há em mim
O choro preso
O gozo reprimido
A coragem inibida
As palavras esquecidas
Mas há também
Impulso
Ânsia
Fôlego
Raiva
E vida
As sinto aqui
Quando cada palavra
Abre
Corta
E sutura
👁️ 178
Insônia
Você me deixou insone
Afogada em arrependimentos
Meus pulmões queimam
Suplico pelo ar
Você me ajuda
Com suas palavras sufocantes
E me diz que eu deveria saber
Enquanto sou surpreendida pela eutanásia
Afogada em arrependimentos
Meus pulmões queimam
Suplico pelo ar
Você me ajuda
Com suas palavras sufocantes
E me diz que eu deveria saber
Enquanto sou surpreendida pela eutanásia
👁️ 345
Cadê os campos e animais daqui?
Eu gostaria que minha poesia
fosse bucólica
sincretizar pombos
andorinhas e urubus
unir o movimento das folhas
da árvore que me sombreia
ao movimento das asas das aves
é cadarço
amarrar e fazer um laço
tento
não consigo
dou nó
dos pés tortos originam o tropeço
escrevo sem ver o mundo lá fora
escrevo olhando para dentro
onde só tem
órgãos, sangue e
abstração
fosse bucólica
sincretizar pombos
andorinhas e urubus
unir o movimento das folhas
da árvore que me sombreia
ao movimento das asas das aves
é cadarço
amarrar e fazer um laço
tento
não consigo
dou nó
dos pés tortos originam o tropeço
escrevo sem ver o mundo lá fora
escrevo olhando para dentro
onde só tem
órgãos, sangue e
abstração
👁️ 383
TOC TOC TOC
no meio da noite
o vazio
insinuando-se
pela porta fechada
penso:
aqui estou eu
você não pode invadir
de dentro
e me arrancar lágrimas
que secam
pela ação do tempo
o sofrimento lancinante
não perdura
mas sufoca
sigo caminhando
dou conta de só pisar
entre as linhas da calçada
Tempestuosa
Oblitero
Continuamente
o vazio
insinuando-se
pela porta fechada
penso:
aqui estou eu
você não pode invadir
de dentro
e me arrancar lágrimas
que secam
pela ação do tempo
o sofrimento lancinante
não perdura
mas sufoca
sigo caminhando
dou conta de só pisar
entre as linhas da calçada
Tempestuosa
Oblitero
Continuamente
👁️ 173
Coordenadas do desejo
Estes pontos pintam
Pintas que são pistas
Para chegar ao destino
Que se faz desnudo
A primeira pista pinta
Uma estrada em zigue-zague
Apresenta giros e curvas
Ordena passagem
A segunda pista pinta
Um quadro úmido
Que se emoldura com a língua
Dura
A terceira pista pinta
Linhas convexas
Que conectam-se
Boca a boca
A quarta pista pinta
O que se vê na penumbra
Enquanto tateia o caminho
Subvertido em saliva
A quinta pista pinta
Uma paisagem quente
Que desemboca no Éden
Das sensações e sabores
Não pinta a sexta pista
O destino abre-se
Enquanto sussurra
"Vem"
Pincelo em primeira pessoa
O meu desaguar
Em seu aguar
Para virarmos mar
Pintas que são pistas
Para chegar ao destino
Que se faz desnudo
A primeira pista pinta
Uma estrada em zigue-zague
Apresenta giros e curvas
Ordena passagem
A segunda pista pinta
Um quadro úmido
Que se emoldura com a língua
Dura
A terceira pista pinta
Linhas convexas
Que conectam-se
Boca a boca
A quarta pista pinta
O que se vê na penumbra
Enquanto tateia o caminho
Subvertido em saliva
A quinta pista pinta
Uma paisagem quente
Que desemboca no Éden
Das sensações e sabores
Não pinta a sexta pista
O destino abre-se
Enquanto sussurra
"Vem"
Pincelo em primeira pessoa
O meu desaguar
Em seu aguar
Para virarmos mar
👁️ 375
Você foi em frente na direção oposta
Ao perceber amar sozinha
Chorei o lago salgado
Que criei
Ao redor de mim
Fiz do corpo uma ilha
Escondi a balsa de travessia
Embaixo de meus braços
Ansiei a sua vinda
Sem saber que você não tinha
A pretensão de vir
Chorei o lago salgado
Que criei
Ao redor de mim
Fiz do corpo uma ilha
Escondi a balsa de travessia
Embaixo de meus braços
Ansiei a sua vinda
Sem saber que você não tinha
A pretensão de vir
👁️ 214
Quando eu sei que é poesia?
Sem musa
sem inspiração
não sou poeta
sou oca
vazia
pó
decomposição
das horas
e dias
sem direção
vou
ao mesmo tempo
em todas elas
sigo o nada
piso em tudo
arrasto na sola
o que já fui
e quis ser
vivo ou
deixo a fúria
viver por mim
sonâmbula
não sei quando é a vida
se quando invento
se quando imagino
se quando sonho
se quando sinto
se poesia
sem inspiração
não sou poeta
sou oca
vazia
pó
decomposição
das horas
e dias
sem direção
vou
ao mesmo tempo
em todas elas
sigo o nada
piso em tudo
arrasto na sola
o que já fui
e quis ser
vivo ou
deixo a fúria
viver por mim
sonâmbula
não sei quando é a vida
se quando invento
se quando imagino
se quando sonho
se quando sinto
se poesia
👁️ 136
Gemido do coração
Grita em mim
Uma ânsia pelo toque
De recolher
Para dentro
Dois dedos
E a sua boca
Que não me chama
Quente
Tateia minha vulva
Com a língua
Lambe meu aguar
Entre córregos
Atravessando montes
Pubianos
Sente o cheiro
Da chuva ácida
Beija interno
O osso
Esterno
E me fode
O que pulsa
Uma ânsia pelo toque
De recolher
Para dentro
Dois dedos
E a sua boca
Que não me chama
Quente
Tateia minha vulva
Com a língua
Lambe meu aguar
Entre córregos
Atravessando montes
Pubianos
Sente o cheiro
Da chuva ácida
Beija interno
O osso
Esterno
E me fode
O que pulsa
👁️ 184
Seria esquizofrênico se eu não fosse tantas de mim
Não é por você
Que meu corpo grita
O grito brota de mim
Sai estridente
Vergonhosamente afoito
Escavando em você
E outras tantas
Sem encontrar
Vou a procura
Daquilo que sei
Vou a caça
Daquilo que me é
Na ilusão de me achar
Em outras existências
Que nunca me tocaram
Me procuro em rostos alheios
Desejando que me reconheçam
De outras vidas
Mortes
E amores
Grito para redescobrir meu eu
O que sou quando estou só
Como pego em minha mão
E conduzo a mim mesma
No canto do sofá onde bate sol
Na parede branca
Uma sombra se forma
Espelhando meus movimentos
Ela me convida para um chá
Que meu corpo grita
O grito brota de mim
Sai estridente
Vergonhosamente afoito
Escavando em você
E outras tantas
Sem encontrar
Vou a procura
Daquilo que sei
Vou a caça
Daquilo que me é
Na ilusão de me achar
Em outras existências
Que nunca me tocaram
Me procuro em rostos alheios
Desejando que me reconheçam
De outras vidas
Mortes
E amores
Grito para redescobrir meu eu
O que sou quando estou só
Como pego em minha mão
E conduzo a mim mesma
No canto do sofá onde bate sol
Na parede branca
Uma sombra se forma
Espelhando meus movimentos
Ela me convida para um chá
👁️ 153
Domingo
Poetizar os dias
alivia o peso do nada
do tédio que gruda
feito líquen
Emerge feito coisa leve
logo a dor
que é densa
e não afrouxa
Puxa fios de sentido
nesse novelo impaciente
que sai da minha epiderme
arrepio de cotidiano
e vida
alivia o peso do nada
do tédio que gruda
feito líquen
Emerge feito coisa leve
logo a dor
que é densa
e não afrouxa
Puxa fios de sentido
nesse novelo impaciente
que sai da minha epiderme
arrepio de cotidiano
e vida
👁️ 312
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