Lista de Poemas

Da sua boca brotou poesia dolorida: em mim

No momento certo
Você me envolveu com suas fibras
Eu impregnada de lignina
Dura, oca, vazia
Amei quando sequer
Havia amor em mim

Agora somos
Nós frouxos
Em nossas fotos
As cordas se emaranham
Apertam firmemente
Na intenção de conter

A cada visita que faço a elas
Mais difícil e tumultuoso
O desatar dos nós
Mais sinuoso o caminho de volta

Me deixa em carne viva
A saudade da sua boca
Tornou meus pelos eretos
Em constante alerta

Quando existo
Em seu esquecimento
Minha vida em outra se faz
Quando existo
Em sua lembrança
O mar dos meus olhos
Insistem em retornar
Para o oceano dos seus
E arde
Essa água salgada
Sobre a minha pele

As mãos brancas
Que me tocavam
Retirou abruptamente
Meu amor por nós
Sem considerar as raízes

Restou
Do seu amor por mim
E do meu amor por você
A distância
De 384.400 km

Como se a lua
Cumprimentasse
A Terra
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Ensurdecedor

O barulho que ela ouve
sente quente atrás da orelha
chega como um sussurro
a mil decibéis

A acumulação é a origem
sua cor é chave
mas ela não está preparada
cobre os ouvidos
com algodão macio

No trabalho
o zumbido estridente
a fere
os colegas a olham
homens e mulheres sulfites
em suas expressões
in(diferença)

Nela
choro de fio contorcido
da gargantilha que arranha
e destrói cada anel cartilaginoso
de sua traqueia
antes da morte
eles desejam
calar a sua voz

Tudo sangra
a garganta
os ouvidos
vem de
vermelho vivo

O sangue não estanca
a fúria não coagula
ela tinha acabado de descobrir
e então grita
pós-morte
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Úmido Desejo

Dos teus olhos alagados
Obtém-se a sede
Da tua voz
O canto feliz do pássaro engaiolado
Da tua boca
O meu desejo efervescente
De te sentir mulher
Molhada, nua
Suada, quente
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Indelicada é a vida

indelicada vida
obtém da gente
medo
mesquinharias
e ainda ameaça
com a sua ausência

indelicada vida
seus modos ultrajantes
nos obrigam a gratidão
quando caímos ao chão
ela esconde o band-aid

indelicada vida
jogadas perigosas
nos fazem sorrir
ao imaginar o cenário
da vitória sem ela
descanso
silêncio
paz

indelicada vida
nos últimos 45 minutos
do fim da sua presença
nós pediremos por mais
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A Cartografia do sorriso

As linhas do seu sorriso
Traçam a cartografia
Do perigo
De grito
Desejo

Receio o declive abrupto
Percorro a pressas
Planícies
Por onde não há tropeço
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Anemocoria

O vento convida a árvore para dançar
Ela se move cambaleante
Séssil e aprisionada pela calçada
Ainda se pensa errante

Envolvida pelos movimentos
Vê suas sementes caírem ao chão
E flutuarem distante em ritmo lento
Para outros solos que as acolherão

Tudo ensaiado previamente
Cada passo estudado pelo acordo do tempo
Não há ressentimentos em suas partilhas
O vento cumpre seu papel
De fazer da árvore dispersora de vida
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Entretenimento

Tudo se deteriora
Nessa condição
De vida morna
Na TV
Vozes
Que soam como ruídos

O barulho
É escape sonoro
E afugenta
Minhas lágrimas
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