Escritas

Biografia

Canto versos sem me perguntar, sem procurar, sendo o quanto há de ser sem algemas

Lista de Poemas

Total de poemas: 40 Página 4 de 4

MUJER

En la forma de nada comparable en este mundo;
tan noble y hermosa, que me pierdo en un latido profundo

de mi corazón entregado a los encantos de ese vivir.
De tu vientre brota la vida y el amor: servir…
Y en tus brazos, en tu mirada tierna, el sobrevivir
de tu semilla, que amas y quieres bienvivir.

Eres fuerte, mujer; eres suave, delicada: pétalo de vida
Todos los días, temprano florece, comprometida

al hacer de este mundo un lugar más feliz cada segundo.
Y ese es el sentido de la vida: contigo convivir
con respeto y gratitud por tu amor sin medida.

 
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BRUMAS DE OUTONO

raia a aurora em brumas de outono
um véu cobre meus olhos nesse dia,
mas um vento permeia
como raio de luz a dizer-me:
não tens mais um coração seco
como folhas amareladas caindo no chão,
sem sentido no caminhar

as folhas caem e pousam
mexem-se e remexem-se no chão
levadas pelo vento

quando caio, pouso e me levanto 
não me remexo, apenas sigo,
apenas sinto o sumir das brumas
e o ar fresco de um dia de outono.

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JARDIM BOTÂNICO – PRELÚDIO

- Ⅰ -
Há um orvalho que desce e corre em direção a carne
No inverno: senti à meia-noite na praça Itália
No andar apressado, na solidão da noite
O vapor gélido persegue a alma e diz: 
— Passo manso que te alcanço, apressa-te para eu te ferir os ossos na esquina da Sabbag
Ruas dizem o destino das lareiras: prédios redondos 
Há lembranças impregnadas do inverno curitibano
Dos estrangeiros acolhidos no jardim do Éden


- ⅠⅠ -
Há uma brisa suave e doce nos dias de verão
Que se renovam a cada manhã: senti ao meio-dia no Botânico 
Deitado na relva, afagado pelo céu
Ventos levitam a mente pesada, dissipa o cinzento 
Os olhos se abrem ante o fulgor do dia
Um espelho d’água reflete o infinito 
E os mistérios da vida se abrem no pergaminho da esperança
Há uma pequena mata com trilhas que levam para além da morte
Penso ser aos andantes, o renovar da carne e o conservar dos ossos

 
- ⅠⅠⅠ -
Retas de pedras, abertas sem ermo
O sol se levanta e a relva floresce
O viver da lembrança levada a bom termo
Em paz, na esperança, a vida efervesce

Há uma saudade que fica na esquina da memória
Olho e apenas varais se acham além da realidade

Os dias se vão e o passado implica
No que foi, e o que pode ser
A mente explica, mas a saudade fica
Da cerejeira: a sua sombra ter

 

 

 

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CORAÇÃO PIEDOSO

Desejo um coração piedoso.
O que não se acha orgulhoso,

o que não sabe fazer contas
e que transborda em horas tantas...
Ó coração, como me encantas
por fazeres das tuas mãos, santas!

Com gestos de amor, tu alivias
tais pobres vidas arredias...

E não te cansas, caridoso:
o bebê órfão, tu acalantas
no doce colo, em noites frias.
 

*(rima jotabé)
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NÃO ME BASTA A TERRA O CALOR

Não me basta a Terra o calor
As águas ao céu elevar-se
Às nuvens, e então despencar-se
Trazendo a mim o frescor

Não me basta a luz clarear
O dia, que à noite dormiu
Nem a noite, do sol que partiu
Se a luz dela a mim não chegar

Não me basta a boca dizer:
Esqueça esse amor, é melhor!
Pois em meu coração é maior
Essa falta que só faz doer

Mas, se a vida a mim me propor
Que o frescor e a luz venham dela
A minha amada, luzente flor bela
Transbordante serei de amor

 
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TODOS OS DIAS SÃO DIAS

Tão logo aponta o dia, o cantar do pardal
Escolho o destino deste mundo, que me vem em retalhos 
E me diz a rotina dos dias, do levantar-se e cursar

Começo a remendar uma estrada
Para caminhar do bocejo ao sono
Um tapete vermelho
Quero um tapete vermelho sobre os remendos
Um sossego, sossego de rei
Ao saborear a alegria do povo
Um banquete diário quero
Um caminho notável
Aconchego da igualdade

Remendo meus dias, uso linha forte…
São dias de renovo, dias de arrepender-se 
Dias de perdoar, sim, de esquecer 

   BOM DIA!

Dias de acolher e descansar
   De dizer palavras mágicas
Dias de acalentos
   Incansáveis dias
Diariamente  
   Dias de criança
Inesgotáveis
   Afáveis
Inefáveis, escolho

 
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ÉGIDE

Das torres do mundo
Do alto vejo longe
Longe de todos os olhos
O mundo dos outros

No meu mundo — ais
Não vejo das torres
Preciso dos olhos teus
Para decifrar meu mundo

Das torres do mundo 
Longe de todos os olhos
O que me importa
Os ais que vê em mim     

Em súplica recorro
Porque não vejo e sinto
Preciso dos olhos teus
Saber porque sinto

Que seja num corcel
Que venhas galopante
Decifrar o que vês
Das torres do mundo

         
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EXANIMATIONES INCIDAMOS IV

Há um chicote que fere

— Prisioneiro e carcereiro 
porque a tua maldade não cessa?

Há lágrimas num sorriso
Quem pode ver, senão os céus!

Há solidão na multidão
O que transita num mundo sem cor

Há um grito mudo
Quem ouve a silenciosa dor?

Há um pedido decifrável
é urgente
decifremos a tempo

Há alguém para alguém
E se não houver?

 Há esperança
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O DESNUDO

Falar do ser desnudo é insidioso
Não é como um ser normal em seu viver
Conquanto os dois sejam sujeitos a sofrer
Por vezes, o desnudo não é maldoso

Não é como julgar o ser perverso
O desnudo erra, faz careta e não esconde
É enganado nas perguntas que responde
Mas, sabendo o fato, sofre em seu reverso

Seus ossos são iguais aos de qualquer criatura
Entretanto, totalmente decifráveis
Acusam o corpo em mentiras (são instáveis)
Ao serem incitados por sua mente in natura 

Os ossos que mantém a mentira: os do rosto
Os que sustentam o olhar em cólera serena
E o ranger de dentes em sintonia plena
Aos desnudos são os ossos do desgosto:

Ossos do ofício.
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A NOSSA VERGONHA

Tanta coisa para fazer
Correr, correr sem saber andar
Assim começa a vida para muita gente
E como machuca tentar!
Sair de um buraco que mais parece um poço sem fundo
Profissão: enxugador de gelo
Desistir jamais, esperança sempre
Porque é hora de preparar o solo seco e torrado
A chibata do sol castigando a pele que já virou couro Curtido
Semeia olhando para o céu pedindo “Misericórdia, Senhor!”
E a autoridade do outro lado da cerca na dúvida se almoça lagosta ou salmão
Sugiro que pule a cerca e veja a lavoura do enxugador de gelo
Mas há quem prefira ficar e ouvir Ivan Dzerzhinsky
De qualquer forma essa gente continuará correndo
Porque sobreviver é preciso.
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