Biografia
Canto versos sem me perguntar, sem procurar, sendo o quanto há de ser sem algemas
Lista de Poemas
Total de poemas: 40
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CARNE FRESCA
às pressas veio e sorriu
sem dó, foi-se, partiu
sangrou a carne fresca
e não olhou para trás
malvadeza, por que sorriu?
por que deixou tua presa
às moscas?
na agonia, no delírio
anêmico, amarelado
necessitado do sangue teu?
a sede do teu suor
por que me deste
de beber a tua seiva?
prometido foi seu corpo e alma
guilhotinada a promessa
encapuzada, com pressa
sem piedade
carne fresca sem idade
sem chão, prisioneiro
no tempo aprisionado
pisoteado pela saudade
por que me escolheu?
por que a mim?
por que não chocolates?
por que cortou minhas asas?
ralei-me a andar
não te achei
o deserto ressecou
meus olhos
não mais te vi
secou minha garganta
não mais gritei
secou meu coração
não mais te amei
amei-te muito
com o sorriso teu
teu, era teu
viu minha liberdade
e quis voar
me amarrando
ao pé da tua vontade
porque minha carne
era fresca
era doce
era inocente
era necessitada
de tudo
você era tudo
eu, o efêmero
descartado no tempo
levado no vento
no torto caminho
eu no tempo
tempo seco
rachava o chão
estéril nos ventos
levado ao ermo
se tu não viesses
não me farias um homem
não me farias um verme
não me farias um reles
não me farias um troço
estaria chovendo
as cores voltariam…
mas se te culpo
por que te culpo?
eu sou o culpado
fiz-me tudo isso
por ter amado
consentir
o teu sorriso
e ir às pressas
ao teu encontro
sem dó, foi-se, partiu
sangrou a carne fresca
e não olhou para trás
malvadeza, por que sorriu?
por que deixou tua presa
às moscas?
na agonia, no delírio
anêmico, amarelado
necessitado do sangue teu?
a sede do teu suor
por que me deste
de beber a tua seiva?
prometido foi seu corpo e alma
guilhotinada a promessa
encapuzada, com pressa
sem piedade
carne fresca sem idade
sem chão, prisioneiro
no tempo aprisionado
pisoteado pela saudade
por que me escolheu?
por que a mim?
por que não chocolates?
por que cortou minhas asas?
ralei-me a andar
não te achei
o deserto ressecou
meus olhos
não mais te vi
secou minha garganta
não mais gritei
secou meu coração
não mais te amei
amei-te muito
com o sorriso teu
teu, era teu
viu minha liberdade
e quis voar
me amarrando
ao pé da tua vontade
porque minha carne
era fresca
era doce
era inocente
era necessitada
de tudo
você era tudo
eu, o efêmero
descartado no tempo
levado no vento
no torto caminho
eu no tempo
tempo seco
rachava o chão
estéril nos ventos
levado ao ermo
se tu não viesses
não me farias um homem
não me farias um verme
não me farias um reles
não me farias um troço
estaria chovendo
as cores voltariam…
mas se te culpo
por que te culpo?
eu sou o culpado
fiz-me tudo isso
por ter amado
consentir
o teu sorriso
e ir às pressas
ao teu encontro
👁️ 198
PRÓXIMO DE CASA
As vezes que saio ao mercado
Passo por um lugar estranho, próximo de casa
Uma esquina que leva desprevenidos à cova rasa
E no fim da rua fica um de feitio fechado
Creio ser o coveiro bebendo água na esquina
No caminho do mercado, estranho também aos gatos
Lugar (em sua maioria) dominado pelos ratos
Está dona Margota encostada no muro: a sua sina
Nesse lugar estranho, tem o que não diz ‘boa noite!’
Porém, seu olhar acompanha uma alma até o cemitério
Tal como a coruja compenetrada num mistério
De alguém correndo do estalar de um açoite
Estranho não ver mais o gambá na madrugada
Anormal que se tornou habitual nesse lugar estranho
À meia-noite, passeava, talvez para um banho
Ou quem sabe, para encontrar a amada
O sol queima no verão sem sombra
A alma insola nesse lugar que assombra
De tanto andar, meu corpo dá câimbra
O que a mim não é estranho são as donas de casa
Andam com um sorriso largo nas maçãs do rosto
Vão e vem, bailando, vivendo com bom gosto
Nesse lugar, não se preocupam com a cova rasa
Tem também nesse lugar aquele que diz:
— Você vai ganhar na loteria hoje
Outro:
— Hum! Você está magrinho
E outra:
— Você não tem onde cair morto
E tem o manco, uma fingidora, o bêbado, as más línguas,
O carro do ovo, da fruta, do pão, do gás, do...
E.
Passo por um lugar estranho, próximo de casa
Uma esquina que leva desprevenidos à cova rasa
E no fim da rua fica um de feitio fechado
Creio ser o coveiro bebendo água na esquina
No caminho do mercado, estranho também aos gatos
Lugar (em sua maioria) dominado pelos ratos
Está dona Margota encostada no muro: a sua sina
Nesse lugar estranho, tem o que não diz ‘boa noite!’
Porém, seu olhar acompanha uma alma até o cemitério
Tal como a coruja compenetrada num mistério
De alguém correndo do estalar de um açoite
Estranho não ver mais o gambá na madrugada
Anormal que se tornou habitual nesse lugar estranho
À meia-noite, passeava, talvez para um banho
Ou quem sabe, para encontrar a amada
O sol queima no verão sem sombra
A alma insola nesse lugar que assombra
De tanto andar, meu corpo dá câimbra
O que a mim não é estranho são as donas de casa
Andam com um sorriso largo nas maçãs do rosto
Vão e vem, bailando, vivendo com bom gosto
Nesse lugar, não se preocupam com a cova rasa
Tem também nesse lugar aquele que diz:
— Você vai ganhar na loteria hoje
Outro:
— Hum! Você está magrinho
E outra:
— Você não tem onde cair morto
E tem o manco, uma fingidora, o bêbado, as más línguas,
O carro do ovo, da fruta, do pão, do gás, do...
E.
👁️ 14
O PESSIMISTA
Há um defunto sempre pronto na boca de um pessimista
Ah, morte morte certa é a morte!
Oh, vida vida breve é a vida que segue de forma atabalhoada!
Entre mais ou menos ou quem sabe, toca-se as horas
Mas tudo é nebuloso, emperrado e incerto
Nesse mundo difícil de dar certo
E quem pensar o contrário é louco varrido
Ah, morte morte certa é a morte!
Oh, vida vida breve é a vida que segue de forma atabalhoada!
Entre mais ou menos ou quem sabe, toca-se as horas
Mas tudo é nebuloso, emperrado e incerto
Nesse mundo difícil de dar certo
E quem pensar o contrário é louco varrido
👁️ 192
NÃO ME ABANDONE
Céus, esperança!
Não aprontes comigo
Se fores embora
Deixares minha vida
Quem de mim cuidará?
Não aprontes comigo
Se fores embora
Deixares minha vida
Quem de mim cuidará?
👁️ 194
RETA VELHA
Deu a mim as cousas boas…
E eu as tratei tão corriqueiras...
Serenamente sobre a palha das esteiras
Me esquecia desse mundo de pessoas
Caneca velha carregada de lembranças
Pão na manteiga e aquela atenção
Do seu Jacinto me falando ao coração
Sábias falas, como as bem-aventuranças
Naquela roça aprendi simplicidade
Com a família desfrutei da vida boa
Lá vivi com dona Zeca em pessoa
Uma mulher de riso fácil à liberdade
Família grande; que aperto, uma saudade
Da Reta Velha tão batida e sem luz
Dessa herança minha memória produz
Uma vontade de voltar na minha idade
E eu as tratei tão corriqueiras...
Serenamente sobre a palha das esteiras
Me esquecia desse mundo de pessoas
Caneca velha carregada de lembranças
Pão na manteiga e aquela atenção
Do seu Jacinto me falando ao coração
Sábias falas, como as bem-aventuranças
Naquela roça aprendi simplicidade
Com a família desfrutei da vida boa
Lá vivi com dona Zeca em pessoa
Uma mulher de riso fácil à liberdade
Família grande; que aperto, uma saudade
Da Reta Velha tão batida e sem luz
Dessa herança minha memória produz
Uma vontade de voltar na minha idade
👁️ 181
FLERTE
Espreito de canto de olho
Insinuações contidas
Em tua forma de sentar-se
No que hesitas, não escolho
Tampouco nego (e quero)
Não na forma, contudo, no olhar
A tua chama a me chamar
No que levantas, flertas
Com todos tua beleza
Todavia, quando percebes...
Ao meu notar, te desconcertas
Tu inclinas a cabeça...
O que te sentes, doce dama?
Que seja toda sua chama
Porque te espero em cada olhar...
Insinuações contidas
Em tua forma de sentar-se
No que hesitas, não escolho
Tampouco nego (e quero)
Não na forma, contudo, no olhar
A tua chama a me chamar
No que levantas, flertas
Com todos tua beleza
Todavia, quando percebes...
Ao meu notar, te desconcertas
Tu inclinas a cabeça...
O que te sentes, doce dama?
Que seja toda sua chama
Porque te espero em cada olhar...
👁️ 191
AMOR ANALFABETO
Se eu pudesse em uma palavra abrandar seu dia
Se num pequeno gesto eu fizesse você sorrir
Sentiria sua ternura e meu prazer conseguiria
Ser maior que minha tristeza no porvir
Porque desejo a suavidade de um momento
Paz no coração ao suspirar sua beleza
A leveza de andar em contentamento
Vencendo a real vida com destreza
Desejo a plenitude da sua serenidade
Impelir o dia ruim a sair do meu caminho
Desejo os ares livres da maldade
Vendo o sol realçar-te de puro linho
Tão delicada! Suas mãos me tocando como veludo
Tão amada! Sua inocência me conquistando por completo
Pois, que ao conseguir abrandar seu dia transmudo
Ao fazer você sorrir, sinto o meu amor analfabeto
Se num pequeno gesto eu fizesse você sorrir
Sentiria sua ternura e meu prazer conseguiria
Ser maior que minha tristeza no porvir
Porque desejo a suavidade de um momento
Paz no coração ao suspirar sua beleza
A leveza de andar em contentamento
Vencendo a real vida com destreza
Desejo a plenitude da sua serenidade
Impelir o dia ruim a sair do meu caminho
Desejo os ares livres da maldade
Vendo o sol realçar-te de puro linho
Tão delicada! Suas mãos me tocando como veludo
Tão amada! Sua inocência me conquistando por completo
Pois, que ao conseguir abrandar seu dia transmudo
Ao fazer você sorrir, sinto o meu amor analfabeto
👁️ 170
BEGÔNIAS
Ganhei presentes de pardais no meu jardim
Ouvi os cantos, mas não pude perceber
Que os presentes brotariam sem eu ver
Na primavera: eram begônias para mim
De cor singela rebentaram entre os verdes
Rosa floral em dégradé, quão flores belas!
De muito encantos, como fossem aquarelas
Se espalharam fartamente entre as paredes
Pardais bondosos alegraram meu viver
Deram calma ao meu revolto coração
No meu jardim, uma amável inspiração
Para agradar o meu amor, meu bem-querer
Ouvi os cantos, mas não pude perceber
Que os presentes brotariam sem eu ver
Na primavera: eram begônias para mim
De cor singela rebentaram entre os verdes
Rosa floral em dégradé, quão flores belas!
De muito encantos, como fossem aquarelas
Se espalharam fartamente entre as paredes
Pardais bondosos alegraram meu viver
Deram calma ao meu revolto coração
No meu jardim, uma amável inspiração
Para agradar o meu amor, meu bem-querer
👁️ 173
LA PAZ
¿Lo que sabemos del mañana, aún hoy?
Siquiera conocemos el convoy
que pasará por la estación del alma.
Sin embargo, una palabra nos encalma.
Que, en todos nosotros, ella está empalma
y, no hay otro verbo que lleve la calma.
Una canción, un poema: la paz
palabra que amansa la guerra voraz.
Sí, yo creo; con mi semejante, voy
proponer con cariño la paz que espalma
el corazón al completo amor vivaz!
*(rima jotabé)
Siquiera conocemos el convoy
que pasará por la estación del alma.
Sin embargo, una palabra nos encalma.
Que, en todos nosotros, ella está empalma
y, no hay otro verbo que lleve la calma.
Una canción, un poema: la paz
palabra que amansa la guerra voraz.
Sí, yo creo; con mi semejante, voy
proponer con cariño la paz que espalma
el corazón al completo amor vivaz!
*(rima jotabé)
👁️ 167
ALMA
O sono, um sonho. Desperto
Corpo e espírito entrelaçados
Pois, os tenho desejados
Na jornada, sem ser um deserto
Um oásis esverdeia ao redor
Intacto, e assim seja a vida
Essencialmente enaltecida
E que dela, se extraia o melhor
Corpo e espírito entrelaçados
Pois, os tenho desejados
Na jornada, sem ser um deserto
Um oásis esverdeia ao redor
Intacto, e assim seja a vida
Essencialmente enaltecida
E que dela, se extraia o melhor
👁️ 168
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