Lista de Poemas
TEU AMOR ME CUSTA
Teu amor me custa
Morde e assopra a ferida
E não percebes inflamar
Teu amor me dá febre
E o calafrio me impede sonhar
Procuro a claridade, mas não acho
Em trevas me cobras
Há uma máscara que (tu)sorris para o mundo
Outra que choras em ocasiões especiais
E mais outra com que me amas
Tu feres sem bálsamo
E eu convulsiono a alma.
Teu amor me custa, e não tenho como pagar
(E mesmo que eu pagasse, ainda assim estaria condenado)
Teu amor é prisão
Teu amor é solidão
Teu amor é tudo, menos amor
Pô, tu não me amas!
Morde e assopra a ferida
E não percebes inflamar
Teu amor me dá febre
E o calafrio me impede sonhar
Procuro a claridade, mas não acho
Em trevas me cobras
Há uma máscara que (tu)sorris para o mundo
Outra que choras em ocasiões especiais
E mais outra com que me amas
Tu feres sem bálsamo
E eu convulsiono a alma.
Teu amor me custa, e não tenho como pagar
(E mesmo que eu pagasse, ainda assim estaria condenado)
Teu amor é prisão
Teu amor é solidão
Teu amor é tudo, menos amor
Pô, tu não me amas!
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RETA VELHA
Deu a mim as cousas boas…
E eu as tratei tão corriqueiras...
Serenamente sobre a palha das esteiras
Me esquecia desse mundo de pessoas
Caneca velha carregada de lembranças
Pão na manteiga e aquela atenção
Do seu Jacinto me falando ao coração
Sábias falas, como as bem-aventuranças
Naquela roça aprendi simplicidade
Com a família desfrutei da vida boa
Lá vivi com dona Zeca em pessoa
Uma mulher de riso fácil à liberdade
Família grande; que aperto, uma saudade
Da Reta Velha tão batida e sem luz
Dessa herança minha memória produz
Uma vontade de voltar na minha idade
E eu as tratei tão corriqueiras...
Serenamente sobre a palha das esteiras
Me esquecia desse mundo de pessoas
Caneca velha carregada de lembranças
Pão na manteiga e aquela atenção
Do seu Jacinto me falando ao coração
Sábias falas, como as bem-aventuranças
Naquela roça aprendi simplicidade
Com a família desfrutei da vida boa
Lá vivi com dona Zeca em pessoa
Uma mulher de riso fácil à liberdade
Família grande; que aperto, uma saudade
Da Reta Velha tão batida e sem luz
Dessa herança minha memória produz
Uma vontade de voltar na minha idade
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A NOSSA VERGONHA
Tanta coisa para fazer
Correr, correr sem saber andar
Assim começa a vida para muita gente
E como machuca tentar!
Sair de um buraco que mais parece um poço sem fundo
Profissão: enxugador de gelo
Desistir jamais, esperança sempre
Porque é hora de preparar o solo seco e torrado
A chibata do sol castigando a pele que já virou couro Curtido
Semeia olhando para o céu pedindo “Misericórdia, Senhor!”
E a autoridade do outro lado da cerca na dúvida se almoça lagosta ou salmão
Sugiro que pule a cerca e veja a lavoura do enxugador de gelo
Mas há quem prefira ficar e ouvir Ivan Dzerzhinsky
De qualquer forma essa gente continuará correndo
Porque sobreviver é preciso.
Correr, correr sem saber andar
Assim começa a vida para muita gente
E como machuca tentar!
Sair de um buraco que mais parece um poço sem fundo
Profissão: enxugador de gelo
Desistir jamais, esperança sempre
Porque é hora de preparar o solo seco e torrado
A chibata do sol castigando a pele que já virou couro Curtido
Semeia olhando para o céu pedindo “Misericórdia, Senhor!”
E a autoridade do outro lado da cerca na dúvida se almoça lagosta ou salmão
Sugiro que pule a cerca e veja a lavoura do enxugador de gelo
Mas há quem prefira ficar e ouvir Ivan Dzerzhinsky
De qualquer forma essa gente continuará correndo
Porque sobreviver é preciso.
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EXANIMATIONES INCIDAMOS IV
Há um chicote que fere
— Prisioneiro e carcereiro
porque a tua maldade não cessa?
Há lágrimas num sorriso
Quem pode ver, senão os céus!
Há solidão na multidão
O que transita num mundo sem cor
Há um grito mudo
Quem ouve a silenciosa dor?
Há um pedido decifrável
é urgente
decifremos a tempo
Há alguém para alguém
E se não houver?
Há esperança
— Prisioneiro e carcereiro
porque a tua maldade não cessa?
Há lágrimas num sorriso
Quem pode ver, senão os céus!
Há solidão na multidão
O que transita num mundo sem cor
Há um grito mudo
Quem ouve a silenciosa dor?
Há um pedido decifrável
é urgente
decifremos a tempo
Há alguém para alguém
E se não houver?
Há esperança
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O PESSIMISTA
Há um defunto sempre pronto na boca de um pessimista
Ah, morte morte certa é a morte!
Oh, vida vida breve é a vida que segue de forma atabalhoada!
Entre mais ou menos ou quem sabe, toca-se as horas
Mas tudo é nebuloso, emperrado e incerto
Nesse mundo difícil de dar certo
E quem pensar o contrário é louco varrido
Ah, morte morte certa é a morte!
Oh, vida vida breve é a vida que segue de forma atabalhoada!
Entre mais ou menos ou quem sabe, toca-se as horas
Mas tudo é nebuloso, emperrado e incerto
Nesse mundo difícil de dar certo
E quem pensar o contrário é louco varrido
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NÃO ME BASTA A TERRA O CALOR
Não me basta a Terra o calor
As águas ao céu elevar-se
Às nuvens, e então despencar-se
Trazendo a mim o frescor
Não me basta a luz clarear
O dia, que à noite dormiu
Nem a noite, do sol que partiu
Se a luz dela a mim não chegar
Não me basta a boca dizer:
Esqueça esse amor, é melhor!
Pois em meu coração é maior
Essa falta que só faz doer
Mas, se a vida a mim me propor
Que o frescor e a luz venham dela
A minha amada, luzente flor bela
Transbordante serei de amor
As águas ao céu elevar-se
Às nuvens, e então despencar-se
Trazendo a mim o frescor
Não me basta a luz clarear
O dia, que à noite dormiu
Nem a noite, do sol que partiu
Se a luz dela a mim não chegar
Não me basta a boca dizer:
Esqueça esse amor, é melhor!
Pois em meu coração é maior
Essa falta que só faz doer
Mas, se a vida a mim me propor
Que o frescor e a luz venham dela
A minha amada, luzente flor bela
Transbordante serei de amor
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CORAÇÃO PIEDOSO
Desejo um coração piedoso.
O que não se acha orgulhoso,
o que não sabe fazer contas
e que transborda em horas tantas...
Ó coração, como me encantas
por fazeres das tuas mãos, santas!
Com gestos de amor, tu alivias
tais pobres vidas arredias...
E não te cansas, caridoso:
o bebê órfão, tu acalantas
no doce colo, em noites frias.
*(rima jotabé)
O que não se acha orgulhoso,
o que não sabe fazer contas
e que transborda em horas tantas...
Ó coração, como me encantas
por fazeres das tuas mãos, santas!
Com gestos de amor, tu alivias
tais pobres vidas arredias...
E não te cansas, caridoso:
o bebê órfão, tu acalantas
no doce colo, em noites frias.
*(rima jotabé)
👁️ 182
LA PAZ
¿Lo que sabemos del mañana, aún hoy?
Siquiera conocemos el convoy
que pasará por la estación del alma.
Sin embargo, una palabra nos encalma.
Que, en todos nosotros, ella está empalma
y, no hay otro verbo que lleve la calma.
Una canción, un poema: la paz
palabra que amansa la guerra voraz.
Sí, yo creo; con mi semejante, voy
proponer con cariño la paz que espalma
el corazón al completo amor vivaz!
*(rima jotabé)
Siquiera conocemos el convoy
que pasará por la estación del alma.
Sin embargo, una palabra nos encalma.
Que, en todos nosotros, ella está empalma
y, no hay otro verbo que lleve la calma.
Una canción, un poema: la paz
palabra que amansa la guerra voraz.
Sí, yo creo; con mi semejante, voy
proponer con cariño la paz que espalma
el corazón al completo amor vivaz!
*(rima jotabé)
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POESIA
Essa me faz escapar: conforta
Rompe a barreira da dor: sorrio
Do cansaço se cansa no estio
Essa me faz descansar e exorta
Em versos de raios da aurora
Que o fulgor a mim me cega?
Essa me faz enxergar: entrega
E o sentido da vida me aflora
Na sua lida me desinflama
Do mal, mais que toda a matéria
Na alma me afasta da miséria
Essa é a existência que clama
Rompe a barreira da dor: sorrio
Do cansaço se cansa no estio
Essa me faz descansar e exorta
Em versos de raios da aurora
Que o fulgor a mim me cega?
Essa me faz enxergar: entrega
E o sentido da vida me aflora
Na sua lida me desinflama
Do mal, mais que toda a matéria
Na alma me afasta da miséria
Essa é a existência que clama
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AMOR ANALFABETO
Se eu pudesse em uma palavra abrandar seu dia
Se num pequeno gesto eu fizesse você sorrir
Sentiria sua ternura e meu prazer conseguiria
Ser maior que minha tristeza no porvir
Porque desejo a suavidade de um momento
Paz no coração ao suspirar sua beleza
A leveza de andar em contentamento
Vencendo a real vida com destreza
Desejo a plenitude da sua serenidade
Impelir o dia ruim a sair do meu caminho
Desejo os ares livres da maldade
Vendo o sol realçar-te de puro linho
Tão delicada! Suas mãos me tocando como veludo
Tão amada! Sua inocência me conquistando por completo
Pois, que ao conseguir abrandar seu dia transmudo
Ao fazer você sorrir, sinto o meu amor analfabeto
Se num pequeno gesto eu fizesse você sorrir
Sentiria sua ternura e meu prazer conseguiria
Ser maior que minha tristeza no porvir
Porque desejo a suavidade de um momento
Paz no coração ao suspirar sua beleza
A leveza de andar em contentamento
Vencendo a real vida com destreza
Desejo a plenitude da sua serenidade
Impelir o dia ruim a sair do meu caminho
Desejo os ares livres da maldade
Vendo o sol realçar-te de puro linho
Tão delicada! Suas mãos me tocando como veludo
Tão amada! Sua inocência me conquistando por completo
Pois, que ao conseguir abrandar seu dia transmudo
Ao fazer você sorrir, sinto o meu amor analfabeto
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