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Desvelando sentimentos ocultos em palavras existentes.

Lista de Poemas

Total de poemas: 10 Página 1 de 1

Às águas, sempre às águas

Às águas, sempre às águas!

Elas lavam a alma,
são frescor.

Escorrem dos olhos
como lágrimas de tristeza
ou de felicidade.

Ecoam sonoras
nas cachoeiras,
mas seu canto não inquieta o íntimo:
apenas repousa a alma cansada
pelo peso da urbanização árida,
sem cor
e sem respiro.

As águas estão por toda parte.

Contudo, aquelas que habitam as cachoeiras,
que se ocultam nas entranhas das matas —
ah, essas! —
exigem caminhos longos,
passos persistentes,
quilômetros percorridos
para serem encontradas.

Às águas, sempre às águas!

Outrora riachos,
hoje geradoras de vida,
elas umedecem o agreste sofrido
do coração humano.

Às águas, sempre às águas!

Mas o que seriam sem a sombra?
Sem as árvores que as velam,
que as guardam
e protegem?

Às águas, sempre às águas.

Pois elas nos ensinam
que, ainda que ricas em si mesmas,
sozinhas
não sobrevivem.

Everson Francisco da Hora Silva 

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O Mesmo Motivo

Por saudade eu parti, mas por saudade eu voltei.

Everson Francisco da Hora Silva 

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A Angústia da Decisão

Sabe quando o coração parece dividido?

Onde me encontro é bom,
é confortável,
é estável,
mas arranca pedaços:
é exigente,
é cansativo.

Ao mesmo tempo em que as multidões aplaudem
ao término da presença,
depois,
a solidão existente,
sem um presente,
escurece toda e qualquer iluminação.

O tempo,
ao mesmo tempo em que parece rápido,
revela sua crueldade:
a distância,
a demora sem esperança.

Então,
quero ser um outro,
mas ambos contêm incertezas.

Assim,
a alma fica angustiada:
para onde vou?

Àquilo que me deixa distante —
ao que é grande, pesado
e que priva —
ou àquilo que pode me deixar próximo,
embora seja trabalhoso?

Pois, perto deste segundo,
a alma encontra
seu repouso na terra.

Everson Francisco da Hora Silva 

👁️ 55

Comentário sobre Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski

Infeliz do homem que levanta da sua solidão, arranca seu coração em sangue e o entrega a uma flor artificial que não o ama verdadeiramente, que o quer, somente, por momentos de ilusão, enquanto a flor se destina a um outro. 
Infeliz do homem que se desfaz, que volta coercivamente para sua escuridão, enquanto a mulher que tanta amara, se escorre, sem dizer adeus, feito cachoeira, ferindo o limite da sua visão. 
Para esse homem, o que resta, afinal? Perdoar? Recomeçar? Tentar de novo? Não, não, não.... 
O que resta é a solidão e o fim de ser, ou seja, a morte de sentido.

Everson Francisco da Hora Silva 
 

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Entre Começos e Fins: a Beleza do que Somos

O fim de algo sempre nos faz recordar o caminho percorrido —
os passos dados, as pontes atravessadas, as pedras que nos fizeram parar.
Alguns chegam inteiros, outros, com as marcas do trajeto.

Há sempre um sussurro no coração: poderia ter sido melhor... poderia ter feito melhor.
Mas o que foi vivido já é motivo de louvor.

Olhar o passado com gratidão é aprender a agradecer pelo bem recebido
e, nas feridas, reconhecer que somos apenas humanos.

Não precisamos ser tudo, nem saber tudo —
muito menos correr atrás daquilo que não preenche a alma,
só porque brilha fora de nós.

É belo lembrar o antes do começo
e perceber o quanto já somos em cada sorriso presente,
em cada abraço escolhido,
enfim, em cada um de nós — seres únicos,
nem grandes nem pequenos, apenas singulares e complexos;
alguém vivendo sem medo de deixar o tempo passar,
saboreando cada segundo de paz,
cada encontro inesperado,
cada destino que ainda será traçado.

Everson Francisco da Hora Silva 

👁️ 63

Identidade Perdida

Ao querer ser tudo e todos, se constrói - se forma - alguém que não sabe quem é. 

Everson Francisco da Hora Silva 

👁️ 62

Ela Vem Sem Avisar

A angústia me visita e, muitas vezes,
não tenho forças nem ânimo para enfrentá-la.
Nesse momento, sinto falta de alguém,
de um abraço quente,
de um porto seguro para ficar.

Temos sentimentos —
alguns bons, felizes —
e outros que nos destroem:
o amor não correspondido,
o futuro incerto,
o medo de nunca encontrar um sentido
pelo qual lutar
e, até mesmo, a sensação de estar perdido,
seguindo sem saber o porquê do meu caminho.

Até posso saber,
mas falta-me coragem
para acreditar e confiar.

Não sei...
A angústia é algo que não se entende;
ela apenas aparece sem avisar
e afeta tanto...

É tristeza,
é choro,
parece que até o oxigênio tem medo dela.

Como disse,
o remédio é apenas um abraço —
de alguém que está longe
ou que já se foi,
de um lugar que não mais existe
e de um tempo que nunca mais voltará.

Ah!
Como dói ser,
viver
e continuar
quando a angústia vem nos visitar.

Everson Francisco da Hora Silva 

👁️ 50

Hoje Choveu

Hoje choveu,
e eu lembrei de quando era criança,
no sítio da minha vó, na serra,
cercado de mata.
Tudo era fantástico.

Quando a chuva chegava,
já buscávamos a roupa de frio.
Eu me deitava na rede,
perto da janela,
observando os pingos caírem ao chão,
formando poças d’água.

Pela janela entrava
aquele frescor divino
que trazia paz.
Depois, o frio,
mas o cobertor me aquecia.

Como não lembrar também
do cafezinho quente,
do pão caseiro,
nesse tempo de chuva?

Naquele frescor divino
eu me sentia vivo.
Era tudo tão lindo,
e só queria ali permanecer.
Para mim, todos os dias
deveriam ser nublados,
com chuva
e até trovões.

Minha vó dizia
que o trovão era
“Deus ralhando com o mundo”.
Tão simples,
mas sempre falando de Deus.
Depois compreendi
que era apenas um fenômeno natural:
sonoro,
imponente,
e bonito também.

Enfim, não sei vocês,
mas a chuva sempre me recorda
vida e paz.
Ela é fresca,
mas me traz calor —
não o do corpo,
mas o da alma.

Ah, como amo a chuva!
Ela faz as cores mais vivas,
a alma mais leve.
Certo que é obra de Deus:
quão maravilhoso é ver chover
no jardim,
no mundo,
em casa,
em mim.

Lembro ainda:
quando chovia,
eu corria para sentir
seus primeiros pingos.
Era tão bom!
Depois voltava para casa
e já entrava no banho,
sem que minha mãe percebesse.
As roupas molhadas?
Colocava na máquina
em segredo.

Essa é a chuva para mim:
um recomeço de memórias,
uma criança sonhante
que hoje sorri sem perceber,
quando sente novamente a chuva
penetrar na alma
e a tornar feliz.
 

Everson Francisco da Hora Silva

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Então, eu queria dizer: saudades!

Hoje senti saudade de casa, do passado, de viver.
Estou cansado de tanta negatividade, opressão e humilhação.
Não aguento mais pensar; penso demais. Só queria paz.

Talvez um lugar verde, um livro, alguém, um momento... minha família. Saudade da minha mãe.
Fico imaginando: se eu tivesse convivido mais com ela, talvez fosse mais forte.
Saudades...

Tenho poucas lembranças do passado, mas as que tenho me trazem saudade, alegria, eternidade.
O tempo não volta, e você vai entrando num sistema que te esmaga. Pessoas te consomem. Tudo poderia ser simples se cada um cuidasse da própria vida, se não se fizesse de vítima, se não me “nazizisasse”.

Tenho saudade do cheiro da terra molhada, do frescor do vento que vinha das árvores, das matas, das aves, da minha infância.
Saudade de quando meu mundo eram as estrelas das noites que eu observava da varanda, e quando meu despertador era o sol entrando pela porta da sala, iluminando meu quarto. Ao abrir as janelas, os pássaros cantavam.

Saudade do meu tempo de vaquejada, no quintal; eu era tudo que queria ser: boiadeiro, fazendeiro, cantor, poeta, caminhoneiro, cultivador...
Já fui muitos; hoje parece que não sou nada. Já vivi muito; hoje parece que não vivo nada. Já tive tudo; hoje não tenho nada. Já fui cheio; agora me vejo vazio, frio, procurando abrigo.

Estou só...
Queria estar na chuva, tomar um banho, me esquentar no sofá com um café. Nem posso sequer tomar café...
Gastrite, essa infeliz sem educação, passou-se de mim e hoje é minha cruz.

Tenho saudade também do meu pai, dos meus irmãos, da minha avó, dos primos e de toda a família.
Tenho saudade das minhas paixões, daquelas que não beijei, mas amei e ainda amo.

Só queria dizer que sinto saudades. Peço desculpas pela enrolação.


Everson Francisco da Hora Silva

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Poema Sobre a Natureza Ancestral

Oh! Natureza, és bela, és forte, és vida,

Para mim, és beleza, para os animais, és morada;

Para as plantas, és lugar, para o vento, és repouso

De Deus, sois criação, aos povos originários, contemplação, és cultura

No ano és estações: inverno, primavera, verão, outono;

Tu és paz, tu és mãe, tu és reconstrução. 

Aos filósofos foi espanto, princípio de investigação;

A mim, és encanto e passagem para a ressurreição, 

Na religião, és “casa comum”, cosmo da “ecologia integral”,

Na arte, és imagem, na música melodia, na física és realidade

Na ciência, és exploração, na química, elementos

Para alguns, és pura, para outros, és ambição.

Aos ricos, és destruição, desmatamento, apropriação 

Aos pobres, és alimento, fartura e descanso

No Nordeste, és Mata, Cerrado, Caatinga, és Atlântica  

És agreste, és sertão, és chapada, és gruta, és também explorada

És calor, mormaço, és amor, ao povo que sofre nas mãos dos charlatões.

No Norte, és Amazônia, maternidade ancestral, és biodiversidade

És pulmão dos continentes, ecossistemas, tropical e úmida

És florestas, várzeas, savanas, és rios, lagos e igarapés

És minerada, és adoentada pelo homem esclerocardico 

Mesmo assim, és Amazônia, és Negro e Solimões.

No Sudeste, és plantação, és serra e litoral 

No Centro-Oeste, és Pantanal; triste que és exportação 

No Sul, és subtropical, és fria, és planaltos, depressões e planícies 

Mas tu mesmo és natura, curso das coisas, és o próprio universo

Tu és essencial para toda existência dos seres vivos, tu és geradora,

És contemporânea, já fora moderna, medieval e antiga,

Mas sempre foi e sempre será ancestral. 


Everson Francisco da Hora Silva 

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