Às águas, sempre às águas
Às águas, sempre às águas!
Elas lavam a alma,
são frescor.
Escorrem dos olhos
como lágrimas de tristeza
ou de felicidade.
Ecoam sonoras
nas cachoeiras,
mas seu canto não inquieta o íntimo:
apenas repousa a alma cansada
pelo peso da urbanização árida,
sem cor
e sem respiro.
As águas estão por toda parte.
Contudo, aquelas que habitam as cachoeiras,
que se ocultam nas entranhas das matas —
ah, essas! —
exigem caminhos longos,
passos persistentes,
quilômetros percorridos
para serem encontradas.
Às águas, sempre às águas!
Outrora riachos,
hoje geradoras de vida,
elas umedecem o agreste sofrido
do coração humano.
Às águas, sempre às águas!
Mas o que seriam sem a sombra?
Sem as árvores que as velam,
que as guardam
e protegem?
Às águas, sempre às águas.
Pois elas nos ensinam
que, ainda que ricas em si mesmas,
sozinhas
não sobrevivem.
Everson Francisco da Hora Silva
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