Então, eu queria dizer: saudades!
Hoje senti saudade de casa, do passado, de viver.
Estou cansado de tanta negatividade, opressão e humilhação.
Não aguento mais pensar; penso demais. Só queria paz.
Talvez um lugar verde, um livro, alguém, um momento... minha família. Saudade da minha mãe.
Fico imaginando: se eu tivesse convivido mais com ela, talvez fosse mais forte.
Saudades...
Tenho poucas lembranças do passado, mas as que tenho me trazem saudade, alegria, eternidade.
O tempo não volta, e você vai entrando num sistema que te esmaga. Pessoas te consomem. Tudo poderia ser simples se cada um cuidasse da própria vida, se não se fizesse de vítima, se não me “nazizisasse”.
Tenho saudade do cheiro da terra molhada, do frescor do vento que vinha das árvores, das matas, das aves, da minha infância.
Saudade de quando meu mundo eram as estrelas das noites que eu observava da varanda, e quando meu despertador era o sol entrando pela porta da sala, iluminando meu quarto. Ao abrir as janelas, os pássaros cantavam.
Saudade do meu tempo de vaquejada, no quintal; eu era tudo que queria ser: boiadeiro, fazendeiro, cantor, poeta, caminhoneiro, cultivador...
Já fui muitos; hoje parece que não sou nada. Já vivi muito; hoje parece que não vivo nada. Já tive tudo; hoje não tenho nada. Já fui cheio; agora me vejo vazio, frio, procurando abrigo.
Estou só...
Queria estar na chuva, tomar um banho, me esquentar no sofá com um café. Nem posso sequer tomar café...
Gastrite, essa infeliz sem educação, passou-se de mim e hoje é minha cruz.
Tenho saudade também do meu pai, dos meus irmãos, da minha avó, dos primos e de toda a família.
Tenho saudade das minhas paixões, daquelas que não beijei, mas amei e ainda amo.
Só queria dizer que sinto saudades. Peço desculpas pela enrolação.
Everson Francisco da Hora Silva
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