Escritas

Lista de Poemas

ELIANE

Você que foi o amor por uma década,
Deste que se acovardou em dizê-la
Em virtude da timidez neste aplacada,
E por medo de não poder merecê-la.

Você que meu coração tanto almejava,
Que te contemplavam os olhos meus,
Que nos meus sonhos te imaginava,
Um dia poder estar nos braços teus.

Tenro adolescente e apaixonado,
Burburinhos no horário do recreio,
Eu sempre com o coração gelado,
Você sempre radiante em todo meio.

A menina se fez moça formosa,
Matava-me aos poucos a timidez,
Naturalmente ela era amistosa,
Mas não pude vencê-la uma vez.

Amigos desde anos no colegial,
Crescemos juntos, sempre te via,
Eu era puro e muito sentimental,
Disfarçava, mas no fundo você sabia.

Você cada vez mais linda e confiante,
Sofria te vendo em outros braços,
Eu não fui corajoso o bastante,
Noutros beijos, carinhos, e abraços.

Quando ficávamos a sós uns instantes, 
Meu coração pulsava mais forte,
Mas sempre imperava o medo de antes,
Todavia nada fluía, oh timidez da morte!

E muito se passou, outras épocas,
Eu te amei calado há tempos,
Você se embrenhou noutras bocas,
Eu em alguns passatempos.

Já não me importava contigo, juro,
Mas você estava só e sabia de mim,
Encontrou-me num dia muito inseguro,
E reacendeu todo o passado enfim.

O amor em meu coração despertou,
Fazendo-me sentir muitíssimo especial,
Durante um ano nosso namoro durou,
Muito forte e firmado como essencial.

Acovardei-me durante aqueles anos,
Não te declarando os meus sentimentos,
Se os tivesse revelado antes sem enganos,
Talvez me correspondesse sem julgamentos.

Pois sabia deles em mim, não havia perigo,
Por muito tempo me senti tão esnobado,
Fui covarde, me contentei ser vero amigo.
Mas me dei por insatisfeito como um coitado.

Hoje me peguei lembrando da gente,
De como se acabou a nossa história,
Tanto tempo eu consegui ser indiferente,
Mas bem depois tivemos um ano de glória.

Enquanto pôde me esnobou incontigente,
Depois sozinha apostou todo o seu amor,
Eu vulnerável não te resisti por conseguinte,
Mas brinquei contigo te deixando sem vigor.

Erimar Lopes. 






 
👁️ 308

VOLTA PRA MIM

Amor, minha preciosa! Venha, volte
Eu ainda te quero tanto em meus braços 
Te preciso comigo, me tenha, se solte
Em meu coração estão nossos laços.

Abate-me solitário a noite infinda
Emudecido, fico sensato a pensar
Tu és brilho, és força, amor, e vida
Para minh'alma sofrida consolar.

À noite o silêncio surta-me aturdido
Ouço os teus sussurros e os teus passos
O gotejar da lamúria por ter te perdido
O medo de não ter mais teus abraços.

Nesta vida digo, sou teu fiel devedor
Pelo valor que eu não soube te dar
Amor se voltas, te pagarei com amor
Te farei a plena felicidade encontrar.
👁️ 215

NO OLHO DA ESCURIDÃO

No arcabouço que sustenta os órgãos, em perfeita simetria os membros, tantos e tantas por aí, não há iguais, semelhanças sim. Memórias e pensamentos, rudimentos desde a fundação dos tempos, homens, mulheres e animais, todos providos de alma e espírito. Capacidades intelectuais humanas, instintos animais originam de homens e mulheres. Belezas, grandezas, e riquezas, elevadas criaturas, suas faces em suas molduras. Disparate à realidade do outro mundo, desprezadas belezas, pobrezas. Criaturas inumanas. Quem as abandona no olho da escuridão? Talvez as suas próprias sortes ou um destino fatídico. De que vale um rico sem o pão da alma e um miserável sem o perdão da fome? Quem governa o sentimento da maldade? Não o homem e sim o lobo que nele habita. As classes do desequilíbrio, malabarismos para ver um dia aceitável no olho da escuridão. Teus membros, teus órgãos, tua afeição; tuas vestes, teus calçados, tua imaginação; tua alma, teu espírito, tua aura longe da tua habitação, aonde se chega andando vai-se de avião, para quê adianta dois olhos no olho da escuridão, se se é humano e não um irracional com noturna visão, porque a fome, a sede, e a doença não pedem licença e não há quem convença um ventre vazio sem um pedaço de pão.
👁️ 314

PRECIOSAS

É a terra que consome calada,
Em teu seio, sulcos, e ocos,
É o choro que aguça a risada
Do inimigo fugindo aos sufocos.

São as marcas numa face oculta
Que não mostra ressentimentos,
Em um corpo que tanto labuta
Pela preciosa coroa aos ventos.

Com a morte na forca ao relento
Sorve a vida preciosa porção,
Fortalece ao instinto sangrento
Aniquilando sem qualquer reação.

Ao oponente só resta a junção
Da preciosa gama de saberes
Para conservar o seu coração
Livre e isento de certos prazeres.

Se necessário o faz querer viver
Pela rica e preciosa sabedoria,
Se não convém debalde morrer
Pelas mãos do inimigo à revelia.
👁️ 284

AO TRONCO DE UMA ÁRVORE

Ao tronco de uma árvore frondosa
Deitei e adormeci entre as folhagens,
Sonhei com enverdecidas paisagens
Banhadas ao sol de uma virgem fogosa.

Via por entre os ramos e galhos
Teus braços iluminando a alcançar,
Com a tua luz brilhante a tocar
Meu rosto empalidecido a acordar
Por teu calor meus agasalhos.

Era a criação mais linda afeiçoada
Toda resplandecente e dourada,
Do teu corpo emanava a aurora,
Era o início afora, hora apaixonada.

Envolveu-me nos lábios aquecidos,
Por tão quentes já havia despido
Das tristezas levadas nos sentidos,
Pois queimou-as o fogo concebido.

Cachos de fachos os teus cabelos,
Em teus olhos uma energia vivaz,
Uma entranha flamejante e veraz,
Entreguei-me à paixão sem apelos.

Saciou-me o coração com devoção,
Cuidando aos pássaros orquestrarem,
Ninando-me com uma linda canção.
Raios de sol após me acariciarem,
Foi-se luz do arrebol minha emoção.

Ipatinga, 14/11/2018
Erimar Lopes.
👁️ 1 484

SENTENCIADO A MORRER DE FOME

Turbo-me quando imagino a ausência
Da tua presença dentro do nosso lar
Das lembranças que exalam a essência 
Do teu amor que me faz tanto te amar.

Não penso mais, nem de mim saberia
Não sei aonde iria pois ficaria perdido
Tu és muito além do que eu queria
Se fosses de mim viveria desiludido.

Aonde andasse proclamaria teu nome
Estaria sentenciado a padecer frustração 
E como corpo fadado a morrer de fome
Imploraria a ti conclamando uma porção. 

Que me alimentasse e a vida me trouxesse
Absolvendo-me de um estado de inanição 
Que me fortificasse e minha alma sustesse
Deliberando uma nova chance ao meu coração.
👁️ 191

PARADOXO

A vida e o amor, vertentes complexas,
Viver para a morte, amar sem o sofrer.

Tudo a perder sem as ideias conexas,
Relações afetivas, aflições por querer.

Se morder com razão, sem razão ferir,
Chorar por perdão, sem perdão partir.

Ajoelhar-se no chão vendo lágrimas cair,
Estendendo as mãos e o outro a sorrir.

Um dia emoção, paz e tranquilidade,
Outro dia não bom, da paz tem saudade.

Sem solução mágica que se possa gerir,
Não há outro caminho para aonde seguir.

Comunhão de maneira discreta e certa,
Se a vida assim existir e o amor persistir.

Antes lutas amando, à solidão deserta.
Antes vida, à morte por um incerto porvir.
👁️ 299

GUERRA DENTRO DA LUZ

Sem paz firmei a guerra dentro da luz
Estas mãos que têm o peso de uma vida
Num rosto calejado que ama sem jus
Que acaricia as lágrimas da dor sofrida.

Teus passos encurtou o meu destino
Em virtude das veredas em abrolhos
Estes pés descalços de um menino
Na ânsia de um homem em ferrolhos.

Faze-me equívoca a valia do amor
Encerre-me em cadeias amordaçado
Num coração crivado de desamor
Neste corpo há um marco entalhado.

Na frieza da constância da batalha
Em fraqueza se abate e se encurva
Rende o espírito na miséria e na falha
Nesta guerra sem paz que a luz é turva.
👁️ 270

NO LIMIAR DO AMOR QUE NÃO SE PERDEU

Foi-se a luz que antes brilhava doirada,
Ocultou-se tamanha grandeza amada.

Era um pomar carregado de delícias,
Árvores frutíferas de todas as espécies.

Onde os homens provaram as primícias
Alegrando seus corações com benesses.

É o fruto mais desejado que a vida,
O amor puro sem máculas que prevalece.

Em verdade o colo doce que a fornece,
A pedra e a fonte mais preciosa e cristalina.

Perdura-se no tempo e está guardado,
Esse amor poderoso que à vida conduz.

Que os homens o crucificaram calado e,
As mulheres choraram-no ao pé da cruz.
👁️ 282

O QUE DIZER SOBRE O ENGANO

Olha esse fulano é danado, um Judas
Muito avivado, antes de ser enforcado
Lisonjeiro caboclo que oferece ajudas
Mas é um grande abismo disfarçado. 

O bicho é ligeiro, pernas curtas astutas
Ama ostentar as ciladas sem nome
É um ladrão que vive às suas custas
É insaciável e nada mata a sua fome.

Lambuza-te de mel com fel este fulano
Cega teus olhos e ofusca os teus sentidos
Encher-te de alegria vazia é o teu plano
Se faz de santo e fala manso aos ouvidos.

Mas olha! Ele é um mentiroso e se mostra
Em várias astúcias que já cometeu
É um déspota que ao diabo se prostra
Toma tua alma pelo que te prometeu.

Erimar Lopes.
👁️ 333

Comentários (3)

Iniciar sessão ToPostComment
parabéns
parabéns
2024-11-11

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi
2022-09-20

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz
lagazaz
2020-09-12

Belo poema