Escritas

Lista de Poemas

INFINITO SEIO

Enquanto houver sol haverá vida e calor
Porquanto na vida haverá esperança
Havendo esperança expectará o amor
Enquanto houver amor provar-se-á confiança 
Entretanto na confiança resistir-se-á a dor.

Há quem insista a se fortalecer na dor
Resistir a dor por amor a uma vida
Na fraqueza, talvez eu já não tenha valor
A minha memória passará despercebida 
Após cessadas minhas alegrias e labor.

Será que muitos me coroarão com flores
Ou me trarão um laurel como galardão?
Afligidos por quem expirou por amores
Naquele dia mágoas e dores chorarão
Mas minha alma esperará no infinito seio redenção.
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MENINA MATREIRA, MOÇA SAPECA

Menina matreira é o teu argumento
Tua boca rosada, cabelos esvoaçantes 
No teu corpo sarado teu documento
Além dos teus lábios carnudos inebriantes.

Moça sapeca que anda cascavelando
Distribuindo doces com desenvoltura
Onde se apresenta deixa todos sonhando
Tu és doce em teu corpo toda estatura.
 
Está ornada de armadilhas de amores
Clamando nas ruas aos moços dizendo
Eu vos encho de aprazíveis favores
Comprem-me doces que estou vendendo.

Moços tomem bastantes cuidados!
Andem de largo senão serão enredados
Os que provaram ficaram atordoados
Pareciam ter sido esbofeteados 
Pois não distinguiam os leões dos veados.

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OXALÁ UM CÃO SEM DONO

Nascemos feitos um pro outro sem utopia
Você é tão agradável, tem autoestima alta
A amo sem receio, o teu amor me recreia

Te quero sem rodeios, te amar me exalta
Somos compatíveis no amor que irradia
Dois desprezados corações separados
Nos mantendo em pensamentos unidos.

A sanção que pagamos por este amor
É solidão e privação por nos separarmos.
Feliz é um cão abandonado sem rumo
Que encontra um dono que o alimente,
Dê carinho, respeite, e lhe dê valor.

Porquê meu amor já não é assim comigo,
Quem dera eu fosse um cão sem dono,
E encontrasse por aí ao menos um amigo
Que cuidasse de mim e me desse abrigo.
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PRAZERES MÁGICOS

Nesta dimensão uma inspiração pura
Que me leve a desenhar as tuas rosas
Projetar teu corpo numa tela escura
Nas expressões das tuas faces amorosas.

Há segredos obscuros que tu guardas
Que matam os mortos pela fome curiosa
Quantos já caíram nas tuas delicadas
Insinuações de pureza e virgem graciosa.

Tuas dádivas se deveras foram tocadas
Não existem testemunhas vivas a dizer
Sorvidas foram entranhas embrenhadas
Sucumbiram-se pela magia do prazer.

Eu que um dia fui um desses famélicos
Sucumbi-me em ti em prazeres mágicos.
Como descrever os teus traços trágicos?
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DENTRO DO MEU EU

Quisera eu andar na linha dos meus sentimentos nobres, não desviar nem para a direita, nem para a esquerda, seguir em frente, olhar adiante, ver o horizonte, ver além. Estar seguro de que todas as coisas estarão no devido lugar, esperando-me quando ela voltar. Quem sou eu nesta guerra? Um soldado valente, cheio de cicatrizes causadas pelos inimigos nas batalhas, mas vivo persistente. Carregando os fardos, as dores e o medo na constância da morte, por sorte ainda sigo andando. Sou afligido todos os dias, vejo loucuras nos campos de batalhas, nas ruas, homens e mulheres clamando, seus filhos chorando, para que no plano do inimigo hajam falhas, para que não os consumam sem piedade, em verdade também presencio deliberada maldade. Andar na linha dos meus sentimentos virou tormentos, quem curará as minhas abertas feridas pelas ceifadas vidas, quem me dará conselhos, quem apagará da minha mente toda a angústia que assisti nos dias negros em que vivi? Me dirá: o tempo. Ah! Este já nos consome, ele é implacável, irreversível, intangível, ele sim apaga as nossas memórias, mas apagam-nas e apaga-nos por completo, o invisível. Enquanto vivemos carregamos resquícios de tudo que há em nós, passado ou recente e nisso tudo está pensativa a minha mente, enquanto escrevo a minha alma geme, os meus olhos puseram-se a chorar um chôro triste, o meu espirito pôs-se a clamar, o meu coração quase fibrila e os meus sentimentos fervem dentro de mim, volte para me acalmar, me fazer dormir com a sua voz da melodia do som da harpa, e me fazer sonhar com a melancolia dos seus carinhos do som do violino. Assim faze-me esquecer de tudo sobremaneira sem me apagar por completo e, auxilia-me na luta desta guerra que batalha dentro do meu eu.
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TIMIDEZ

Tudo se enche de graça aonde ela passa,
Sua beleza rechaça a tristeza na praça
Em que os moços aguardam para vê-la
Com graça e o teu perfume sentir.

Veja que natureza bela, isso tudo é ela
Em uma passarela arrancando aplausos,
Causando delírios, sendo ovacionada
Pelo público a sorrir.

Essa beleza rara me prende, me ampara,
E me deixa de cara caída às claras
Quando se declara que não tem ninguém,
Porém fico de fora na noite a refletir.

Mas quando por mim ela passa,
Eu fico sem graça e não tenho coragem,
De olhar no teu rosto e me declarar,
Meus olhos veem-na passar,
Se põem a brilhar, mas eu a deixo partir.
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ESPERANDO AO QUE NÃO CRIA

Quando disse que me amava confesso que não acreditei, não era o que eu esperava. Hoje o meu coração se elevou e nele perpetrou fortes sentimentos por ti em que eu pensava, despertou em minh’alma o amor, oh! Quão excelso amor por ti que eu senti no momento, lágrimas de contentamento na solidão, na exaustão da minha existência que aguarda confiante e anelante o cumprimento da promessa em excelência. O amor se aportou em minh’alma, ele é imenso, despertou em meus olhos o desejo de ver-te tão intenso, me alegraria em te encontrar e novamente te abraçar, tocar o teu corpo e sentir o teu enigma difícil de descobrir. Moça confesso-te, grande falta me faz, não tenho forças para correr atrás do teu amor, estar sozinho isto não me satisfaz, neste frio sem nenhum calor. Moça diga logo o que queres de mim, não me deixes na solidão assim, esperando o que seja o meu fim. Pois em você muito já se cumpriu, o que não era visto muito do invisível se viu, ainda mais em luz se verá, fico feliz que muito mais se fará, em sua vida todo gozo provará e, em teus pés todo fundamento firmará daquelas coisas que pareciam impossíveis, aos olhos vagos, de naturezas intangíveis. Por amar-te, eu te espero, o alimento, a água, o ar que respiro se me tiram, ainda vivo e resisto porquê te quero. Se vai à angústia tanta em minha percepção, que lúgubre desvaira o meu coração, na incerteza de toda fomentação em não saber, que o que há de existir há de vir, que o que mata a sede na sequidão, não são águas torrentes, correntes em vão, que não alcançam a língua na boca em um deserto sertão, na provação de vidas, aguardando uma gota de salvação no calor excessivo do exílio em desunião. Ademais moça, tudo isto são sombras do porvir, eu existo por forças Daquele que fez tudo existir, que mudou o teu coração para a Ele servir, que cercou os teus caminhos e os teus olhos abriram, mudou o teu semblante em tua face e o teu riso e, encheu a tua alma de eterno regozijo. Agora moça como antigamente, quero você meu presente, por tudo que ainda se sente em nossos corações, que se indagam: por que nos privarmos de nós? Como se estivéssemos a sós escalando uma longínqua barreira, acreditando que as nossas forças por si só nos levaríamos a chegar ao final do percurso, onde nos encontraríamos ao final da carreira.
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O QUE TENHO EU CONTIGO?

Por que faz isso comigo se ainda quero amar você, o que tenho eu contigo? Se não mais quis me querer, se me fechei por ti e não quis me esperar, se me traz à lembrança o que não quero mais lembrar.

O que tenho eu contigo, se está me fazendo sofrer, por que faz isso comigo? Se não quis nem mais saber da nossa história tão linda, vivida com prazer, em que nós nos entregamos amar por querer.

O que tenho eu contigo? Se ainda não é tempo de eu te dizer te amo num ditoso casamento, de se declarar o nosso amor em eternas alianças e entrelaçar nossas almas com total confiança.

O que tenho eu contigo e com o desejo que nos chama e a verdade que ainda clama? Na esperança de unir o meu coração ao teu, que declarou que me ama, mas somente se perdeu porquê não entendeu que está vivo e não morreu o lume que tem a flama.
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DIVAGAÇÃO

Eu na minha simplicidade, na minha humilde forma de pensar, na divisão das águas que seguem o curso para o mar, no meu mínimo entendimento, por uma alma que no seu penar se convence ao arrependimento.

Eu com os meus olhos que pouco veem, com as minhas mãos que poucas forças têm, com os meus braços que não podem ir além, por uma vida que não está anelante por se redimir dos erros em evidência constante.

Eu com os meus passos curtos, com os meus pensamentos lentos, com os ventos de um tufão, com o coração na mão, por um amor em ilusão indo em outra direção em iminente colisão ao que lhe causa aflição nos sentidos em sua mente.

Eu nada sinto, não minto, admito que a razão de amar sem ser correspondido é rasgar o peito, sangrar o amor, furor em desconsolo na dor, é cegar-se com límpida visão, é tentar matar a sede com água salgada, é alimentar-se de ar, morrer a viver-se como alma penada.
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SEPARAÇÃO

Vivemos tempos de paz, que paz absurda! Na guerra lutei contra mim mesmo, com o inimigo dormindo comigo. Vencê-lo, matá-lo e pendurar a sua cabeça em um mastro e exibi-la para que muitos temessem durou longos anos. Ao teu lado foi como se eu estivesse no abandono. Como o vento forma as ondas no mar, assim formou o meu desgosto, sugar a minha alma, destilar o mosto que embriaga o meu espirito e acaricia a lamúria dentro do âmago exposto, controvérsia, desacordo, total desconforto, não vislumbrava saída, era a prisão em vida sem cadeias, algemas em pulsos de vidro, afloradas peleias, espinhos na carne, adagas no coração, calos duros nos pés, cravos pregados nas mãos, sangue nos olhos, no olho do furacão, pisando em ovos, fardos pesados no lombo, sentir-se culpado sem culpa, cair e levantar-se de um tombo. Assim passaram-se os tempos, se verdade ou mentiras tamanhos contratempos, a comprimir minha paz, a exalar meu alento, a secar minha boca, aquecer meus tormentos, expandir minhas dúvidas e dilacerar fragmentos ao que os meus olhos viam e meus ouvidos ouviam, a loucura desnuda, a indiscrição aguda, o desrespeito a soar, males, fingimentos, cheiro de morte no ar. Como fugir, como partir para bem longe estar, círculo de fogo fechado, medo de me queimar, meu matrimônio arruinado e agora provado, sendo obrigado a deixar, aquela que era paz, mas tornou-se em guerras, que de tudo foi capaz até levar-me assaz a fugir do terror daquilo que iniciou-se em luz e transformou-se em trevas.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns
2024-11-11

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi
2022-09-20

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz
lagazaz
2020-09-12

Belo poema