Lista de Poemas
NÃO SOMOS CONFIÁVEIS?
Por que negamos um olhar quando gostaríamos de ver dentro dos olhos do outro olhar ao cruzarmos uns pelos outros? Parece um instinto, mas não uma atitude racional. Vemo-nos de longe, muitas vezes nos mesmos lugares, acabamos nos conhecendo pela aparência. Por que não nos permitimos, quando o que realmente queríamos era essa troca de olhar mesmo que de relance? Surgem dúvidas quanto a outra pessoa, medo, incertezas, ou pura timidez. Não permitimos nem um “oi”, ou um “bom dia”, baixamos a cabeça, olhamos para o vazio, parecemos acanhados ou defensivos, ou preocupados com a nossa privacidade. O medo do desconhecido, ou caracteres suspeitos. Permita-nos um olhar quando eu passar por ti, permita-nos olharmos nos olhos um do outro por um instante, é instigante. Não tenha medo, somente quero te descobrir. Descobrir o segredo dos teus olhos.
Erimar Lopes.
QUEM PLANTA AMOR NÃO ERRA
Não amar é terra seca
O amor irriga a alma
Quem não ama peca
Traz pedras na palma.
Ressequida a minha alma
As torrentes de amor
Essa água me acalma
Quando elevo meu clamor.
Uma voz no deserto
Onde a chuva não cai
Minha penitência decerto
Meu louvor ao Grande Pai.
Florescerá a seca terra
Rebentará nela renovos
Quem planta amor não erra
Ele é a salvação para todos os povos.
Erimar Lopes.
QUE SONHO!!!
Que sonho! Uma linda amada em meus braços. Linda, muito linda, até medo de tanta beleza. Um regozijo tão grande, tão memorável. Ainda lembro o seu nome: Érica. Vi tudo como um filme que passa rapidamente, um lapso que fica gravado em sua mente. Foram poucos instantes daquela sensação maravilhosa, daquela experiência tão gostosa. Em meus braços, em seus beijos, em seus olhos, em seus cabelos, em seu sorriso, em seus lábios, em sua empatia, em seu desejo, toda a excelência do amor vivo, toda uma virtude de um coração puro. Muitos eram os presentes naquele sonho, pessoas com seus rostos risonhos, não as conhecia, mas estavam felizes em volta daquela união, parecia um devaneio de amor de um coração para outro coração. Acordei com aquela lembrança, até agora sonho essa esperança em meu mundo real, esse amor glorioso que eu possa encontrá-lo sem nenhuma barreira surreal.
Erimar Lopes.
CAMINHOS SEM FLORES
Homem que caminha
Homem, mulher sozinha
Caminhos sem flores
Estradas de desamores.
Homem, ou mulher qualquer
Sem norte para o que vier
No cotidiano virando réu
Perseguindo seu troféu.
Homem e mulher vividos
Com planos bem providos
Homens filhos ensandecidos
Das suas razões desprovidos.
Que procuram uma saída
Com a dignidade traída
Conformação ou arma na mão
Bilhete ao céu ou a perdição.
Homem simples criança Atravessa o coração com uma lança
Por uma mulher, mulher
Caminhos que arriscou escolher.
Homem como um leão
Réu da carne por copulação
Homens, mulheres, comuns
Mortos pela carne mais uns.
Homens sem caminhos
Por mulheres seus descaminhos
Caminhos sem flores
Estradas de desamores.
Erimar Lopes.
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CHÁ DE GRANDE AMARGURA
Se eu disser que sou feliz
Serei como os mentirosos
Da tristeza sou aprendiz
Por anos inescrupulosos
Voo o pássaro que canta
Canto triste desgostoso
Cativo em minha garganta
Meu canto espalhafatoso
Esta angústia frustrante
Quer ficar a todo custo
Matando-me bem adiante
Como se fosse algo justo
Enganou-me sem critério
Desde aquele dia satírico
Vivo todo este deletério
Que ensaia clima fatídico
Dizer que não estou feliz
É a verdade dita absoluta
Pelo desfavor que me fiz
Labuto contrito nesta luta
Chá de grande amargura
Em dias sem frescor doce
Esta alma sofre a loucura
Por uma união tão precoce
Erimar Lopes.
NÃO É DETERMINADO PELO HOMEM
Morte! Ah! Cessa tudo
Aqui da terra se descansa
É a terra do esquecimento
Não se houve mais críticas
Muito menos humilhações
A dor já não existe mais
Nem medo, nem frustrações
As dívidas ficam para quem tem obrigações
A morte é um mistério
Uns nem nascem, morrem no ventre
Outros morrem assim que nascem
Uns tão sadios morrem de repente
Outros doentes levam décadas
Para morrer
Uns pensam que podem viver mais
Não sabendo eles que não depende somente do pensamento
Não está determinado pelo homem
Uns vivem vagando como vagabundos
E sobrevivem décadas
Outros quase nem põem os pés no chão e se vão tenros
Que mistério que causa medo
A morte!
Cai um avião, capota um veículo, afunda uma embarcação
Mas um sobrevive sem explicações
Não está determinado pelo homem
Cessam os planos, as conjecturas
Cessam os choros
Se vão os bravos, os humildes
Pobres e ricos se igualam na morte
Não há mais discriminação
Tampouco ostentação de valores
Não importa o cemitério, se lindo ou feio, tudo é terra, e todos enterrados são comidos pelos vermes
De que vale a beleza, a realeza, os mestrados, e doutorados? Os que são cremados fogem dos bichos, mas esquecem que tem alma
Viver nem sempre é sinônimo de vida
Uns no auge da fama se degolam
É a morte o mistério
Ela ronda, ela sonda os que flertam com ela
Pensando que estarão livres
Tirando a própria vida
Nela cessam todas as esperanças
Tudo é aniquilado
Uns deixam lembranças boas
Outros nem são lembrados
E como passa o tempo
Muitos pensam que os velhos vão primeiro, seria a regra, mas o mistério
É a morte, e não está determinado pelo homem
Todo crivado de balas e sobrevive
Outro já morre por um susto
Mas muitos já velhos, cansados
Almejam a terra do esquecimento
Doentes, moribundos, terminais
Para se livrarem dos seus ais
Somos pó e ao pó tornaremos
Somos pó e nada levaremos
A morte é o mistério
Que não é determinado pelo homem
A vida é a sorte que o Criador nos dá.
Erimar Lopes.
PORQUE MORRO EU A CADA DIA SUFOCADO
Porque morro eu a cada dia sufocado por mãos invisíveis que diminuem o meu fôlego. A tomada da minha vida está plugada em um ser que furta a minha energia. Nem os raios do sol podem me valer. Vou morrendo sem fôlego nem energia. Elas são sutis, estão em meu pescoço o tempo todo, apertando-me gradativamente. Nada de morte instantânea, mas sim silenciosamente. Até esvair toda a energia. Se me escondo elas estão lá, se fujo me perseguem, no oculto também estão presentes. Se me blindo elas também penetram. Que jogo psicológico, e que pesadelo lógico. Nas correntes do meu ser, nas entranhas do meu respirar, faltam volts, falta ar.
Erimar Lopes.
E AGORA?
E agora José? O que fazes aqui se não é o que quer? E agora Mané? O que será de nós quando a conta vier? Se estivermos a sós o que será de nós. _Mas não sou o José, tampouco Mané, sou o João. Então preste atenção, de antemão não me faça confusão seu João, quando a conta vier é como se estivéssemos caindo de avião. Se estivermos a sós não haverá para nós salvação. Te digo de coração que não entre em nenhum avião de perdição, se Deus é o pai, Jesus o filho, e o Espírito Santo a consolação, embarquemos Neles até o último dia com grande expectação, assim teremos a valia tanto de noite quanto de dia que nos perdurará o perdão.
Erimar Lopes.
AQUI TUDO É ILUSÃO
Eu não quero mais comer, nem quero mais beber, na verdade desta vida não quero mais nada, somente que ela me leve à outra vida de forma sossegada.
Erimar Lopes.
A FORÇA DA MINHA FRAQUEZA
Não consigo mais esconder os meus sentimentos, finjo estar bem, mas sofro em todos os momentos em que te vejo. Falta-me coragem, como me falta, ela é forte como o meu desejo. Suo frio e palpita o meu coração quando de mim se aproxima, sem razão, preciso de uma solução para ir para cima de você. Em mim tudo é emoção, fico congelado, mas somente você não vê. Que sensação gostosa quando te imagino minha, em meus braços formosa comigo sozinha, que ilustre seria se eu pudesse te fazer minha rainha. Ainda não posso ver o tempo limpo, ainda há tempestade lá fora, como se houvessem deuses no Olimpo, a minha fé não corrobora. São lágrimas feito chuva e um medo disfarçado, por sua ausência onde sei que eu posso te ver ao meu lado. Você é linda demais, parece fantasia, pintura, desenhada, Sei que de mim espera uma atitude inusitada, mas acontece que em tudo isto sou triste em minha alma fraquejada.
Erimar Lopes.
Comentários (3)
amei parabéns
Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio
Belo poema
1971
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