Escritas

Lista de Poemas

A AMO EM SILÊNCIO

Estou em amor por ela silenciosamente,
Disto ela não sabe, diria que de repente
Meu coração não suporte mais a falta,
E num dia desses a encontre ingrata
E lhe conte todos os meus segredos,
Principalmente o de amá-la ingrata,
Como num filme sem ensaios e enredos.

Ela é perfume que dura e de mim não sai,
Impregnada em minha pele em essência,
Entrou em meus poros e pelo sangue vai,
Viaja todo o meu corpo em abrangência,
Como um entorpecente dependência sua,
A desejo em meus abraços nua e crua.

Mas ela é ingrata e isto tudo não basta,
Nem movendo uma montanha de lugar,
Diria: pode se esforçar é pouco arrasta,
De joelhos me implore para eu ficar.
E eu que a amo em silêncio que direi pois?
Como posso aos teus braços tornar?

Ipatinga, 01/10/2018
Erimar Lopes.
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O REFLEXO DA SOLIDÃO


Eu sofro sem um amor, me sinto tão só, puxa, como é difícil e triste a solidão. Na juventude me sentia forte e não dava atenção para estas coisas. Hoje depois de tantos anos acompanhado de uma esposa fiquei sozinho. Perdi o chão, desconcertei os meus passos, parece que caí num abismo sem fim. Meus olhos, minha mente buscam um novo amor, mas verdadeiro, a esta altura me sinto incapaz. Tudo muda, fica estranho, não estamos mais acostumados com a vida de conquistas, de namoros, passamos por um período de readaptação. Ficamos carentes de repente e lutamos para não nos entregarmos à primeira oferta de amor que aparece sem antes analisarmos minuciosamente. Mesmo assim corremos o risco e acabamos nos envolvendo, não fomos criados para sermos sozinhos, acreditamos que dará certo e investimos alto na esperança de resolvermos o principal que é o não ficar só. Depois vem a necessidade do preenchimento do vazio que outrora havia ficado, um coração em partículas, fragmentado, esperando por alguém que junte e condense suas partes. Podemos estar iludidos, todavia não queremos aceitar, pois o que parece ser, o que é apresentado aos nossos olhos é tão real e verdadeiro quanto ao que a nossa consciência sã e perfeita discerne que é hipocrisia e engano. Passamos a lutar por uma resposta, um simples testemunho que não seja igual tal qual o que é oferecido e mostrado aos nossos olhos. Do oculto para poucos, exceto a você que ignora certos episódios para seguir firme no propósito de amar de novo com fé na vontade que há a esperança de transformação nos indivíduos para serem honestos, leais, fiéis, respeitosos, transmissores e expressadores da verdade, e concessores de honra.

Erimar Lopes.
👁️ 5 149

SEM SENTIDO

O que é um homem sem um amor? É um objeto sem cor, uma pétala sem flor, uma baqueta sem tambor, um alimento sem sabor, um choro sem rancor. Uma via sem pavimento, a massa sem cimento, um corpo ao relento, a tempestade sem vento. A vontade sem a razão, uma via de contramão, um sol sem verão, um voo sem avião. Um barco sem motor, sem remo ou remador, à deriva em alto mar, sem saber aonde chegar. A língua sem a fala, um perfume que não exala significante odor. Um coração que não bate, um olho que não vê, a fome que não se acaba, o mundo quando desaba diante de você. A loucura controlada pela força aplicada doa a quem doer. O trem sem os trilhos, o sabugo sem os milhos, os pais sem os filhos, o morcego durante o dia, sem paz na agonia. O banco sem vigia, a virgem sem pudor, sem compromisso sem pastor, as nuvens sem o céu, as castas sem o véu, as prostitutas sem bordel, as abelhas sem o mel. A caneta sem a tinta, a rainha indistinta, um pincel que não pinta. Quantas coisas se podem enumerar querendo explicar um homem sem um amor, porque Deus o Criador ao fazê-lo teve o zelo de uma companheira arranjar, vendo-o triste sem um par, de suas costelas foi tirar uma mulher para ele amar.

Ipatinga, 03/08/2018
Erimar Lopes.
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PORQUE A PAZ NÃO É PARA TODOS

Porque a paz não é para todos
Porque é um dos dons Divinos gratuitos
Sem ela a alma vive em desacordos
E o homem se envolve em conflitos 

A paz traz refrigerios constantes
Que norteiam importantes decisões
Sem ela os homens são arrogantes
E tem a força como princípio de opções

A paz, Divina paz inexplicável
A ordem no espírito e na alma
Seu detentor é um manso implacável
Que pode subsidiar com imensa calma

A paz habita em um sábio coração
Este dom saudável e mui poderoso
A lei natural do homem traz violação
Quando a guerra é o meio vantajoso

Erimar Lopes. 

 

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JESUS VÊM

Sem tato descarto o que é santo, sem manto sou rebelde desencanto, sou flagelo. Cúspide  do zangão amarelo, ferrão de morte, sem sorte. Cego vago pelo tato, sou extrato da conformidade que tropeça, que cai e recomeça. Sou um,  sou mil, um milhão sem fronteiras, buscando a paz, um lar, recursos, às eiras nem beiras, besteiras. Todavia nem o crido ou o cético as vezes tem um canto, todavia tem espanto, pranto. Mãos calejadas, cicatrizes não fechadas. Aonde tudo isso vai dar, para o grande ou o pequeno na terra não haverá mais mar. O que esperar, quantos já se foram e quantos ainda virão. Para falarem de lucros e riquezas, quantos ainda esperarão. 
Sou desassossego, vaidade, asperezas, todas as belezas murcharão.  Sou todo olho que cego vaga vão apoiado num frágil bordão. O tropeço, a queda, o recomeço, tudo tem o seu preço para a mão que balança o berço.  Sou diapasão que afina o instrumento, homem  cego que toca a nota distinta no certo momento, e ouve o sonido da trombeta. O arrebatamento. Jesus vêm.  

Erimar Lopes. 

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AS COISAS MUDAM A TODO INSTANTE

As coisas mudam a todo instante, o tempo é volátil. 
E há fases de um sofrimento constante, mas que nunca é táctil. 
Na volatilidade desta vida, o amor. Ele que fomenta sonhos e fantasias. 
Que chega tão cedo ou tão tarde, ou às vezes não tem hora para chegar.
Que arrebata a alma e a faz sofrer por um querer inexplicável, inexplorável.
Mas também a faz triunfar e se jubilar de gozo quando cremos.
Este sentimento inabalável, que suprime a fome e a sede físicas, mas nutre um desejo insaciável de estar junto, de se tocar, de se sentir, de se conhecer, de se acariciar e de nunca mais se distanciar ou se separar um do outro. Não há como detê-lo, não há prisão que possa contê-lo. Ele é livre por natureza por ser abstrato. É como uma brisa que passa, como o vento que vai e que vem, e não sabemos para aonde vai, quando cessa ou é dissipado. Quando nos toca somos capazes de enfrentar a mais dura batalha, doamos nossa vida, morremos de amor e por amor. Ele nos embriaga, nos adoece, nos entorpece, também nos cega, se faz maldito transformado-se em ódio. E nesta fugacidade dos momentos há uma grandiosidade de vidas vazias que apostaram no amor. Quem sou eu para conhecê-lo! Furtivo. Sorrateiro. Errante. Possessivo. Repreensivo. Puro...
Dono de tudo e ao mesmo tempo sem ter nada. E se vai com o vento, e às vezes volta como uma tormenta e é preciso domá-lo. Amamos sempre os duros de coração, amamos os indesejáveis e desagradáveis, os insuportáveis, sempre na esperança de que eles mudem. Os que são amáveis são recíprocos, mas aqueles somente o amor pode acolher. Onde fui eu entrar, pela porta do sofrimento, todavia as coisas mudam a todo instante e o tempo é volátil.  

Erimar Lopes.

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A MÃO ESTENDIDA

Meus olhos, eles já estão cansados
Os meus braços já perderam as forças 
Meus rins estão um pouco surrados 
E a minha senda tornou-se-me em forcas.

Meu querer sempre foi ignorado 
Minha paz por cruéis foi roubada
Fazendo o meu lar alvoroçado
Minha amada de mim foi tirada.

Não há quem me queira ou console
Quem devolva minhas conquistas 
Só sinto desprezo em cada gole
Do fundo do poço que me faz visitas.

Às vezes via uma mão estendida
Já tentei segurá-la e me firmar nela
Mas meu coração bateu em recaída 
E a minha fraqueza foi vil sentinela.

Já desprezei a solidão e a morte
Que me confortem poucas lembranças 
Nesta escuridão tenho tido sorte
Pois ainda vivo sob más ordenanças.

Quem me dera as suas mãos 
Quem me dera águas passadas
Quando me esperavam corpos vãos
E eu entrava a ti nas noites douradas.

Quem me dera mais uma única canção 
Sob doces olhares de melancolia 
Quando sentia sua aveludada mão 
Nos desfechos sussurros de alegria.

Ah meu querer, sempre desprezado
Eu não posso morrer sem redenção 
Nem seguir tragando cálice batizado 
Para que eu possa alcançar minha bênção.

Erimar  Lopes. 









 

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O LOBO SAGAZ

O lobo noturno sagaz, mas diurno é perspicaz 
Um cheiro de sangue, farejar de longe ele é capaz
Na casa, os moradores a caça que o satisfaz
A fome desse lobo é uma doença eficaz.

Os olhos que não veem o que esse lobo faz
Esse lobo é de fato um enviado de Satanás 
Transtorna a casa e se diverte com que o apraz
Leva outros miseráveis famintos atrás dele audaz

Esta casa invadida está fadada à Alcatraz 
Prisioneiros da desgraça deixados para traz 
Onde o limbo enlouquece a cabeça de um vivaz
Esses lobos ideologicamente entram em sua casa em paz

O lobo sagaz, se não morto, mata de forma voraz
Come a sua carne, bebe o seu sangue e a sua alma jaz
Cuidado com o lobo enviado de Satanás 
Na escuridão traz maldição, de dia à porta é sábio loquaz.

Erimar Lopes. 

 

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EU SEI O QUE BRILHA

Eu sei o que brilha, é inevitável, eu sei.
Para os céticos a morte os assombra.
Muitos deles sabem o caminho, eu sei.
A morte os assombra, eu sei.
Não há riquezas, poder ou sabedoria humana. São teimosos eu sei.
São relutantes, obstinados, eu sei.
Perecerão em seus bankers ou estações espaciais, eu sei.
Eu sei o que brilha, a luz para todos os homens, Ela é inevitável, eu sei.
Não há para onde fugir, eles pensam que há, mas eu sei que não há. Ainda é tempo aceitável, sem ser remediável
O destino está à porta, a ira, a vingança. A palavra da verdade.
Eu sei o que brilha, a luz que não cessa. Jesus, a porta estreita, o caminho apertado que leva à salvação da alma.

Erimar Lopes. 

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FAÇA DE MIM

Faça de mim pequenino grão de terra esquecido. 
Pisado pelos homens, cuspido e humilhado. 
Deixado como milhões de grãos esparramados pelo chão. 
Faça de mim espetáculo do Seu poder
para que os homens possam crer.
Faça com que os olhos cegos vejam um minúsculo grão de areia. 
Na sua penúria debaixo dos pés que pisam sem piedade mostrar a Sua grandeza. 
Faça de mim a Sua justiça e a Sua verdade para os grãos que são pisados pelos homens sem piedade. 
Faça de mim alguém importante num cenário de ceticismo onde reinam as trevas. 
Faça de mim pequenino um trunfo contra a perdição das almas dos pequeninos grãos nesta geração. 
Faça de mim segundo a Tua vontade. 

Erimar Lopes. 

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Comentários (3)

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parabéns
parabéns
2024-11-11

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi
2022-09-20

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz
lagazaz
2020-09-12

Belo poema