Escritas

Lista de Poemas

Palavras

Chegam às ondas quando começo a pensar
palavras soltas tropeçam, vão e voltam
num rodopiar.


Sobrepoem-se umas às outras
num fervilhar,
querendo mostrar qualidades.


São altas, redondas, magras
curtas, simples,
outras aparecem para complicar.


Parem lá minhas meninas
diz mente a organizar.


Entendam-se minhas queridas
ordena coração a namorar.


Coladas e caladas em sintonia
Constroem assim uma poesia.

Emílio Casanova, "Ninguém Compra"
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Ofício do Verso





Estranho perturbante mesmo, desafiador...

Que me fez pegar num livrinho estreito

de cento e trinta e seis páginas,

relato de uma lição de J.L.Borges sobre esse ofício do verso,

para ocupar meu tempo da barca entre a Ilha da poesia e a Praça XV ?

Saber que temos a mesma idade eu, que agora o leio,

ele que nesse tempo o escreveu.

Como ele eu acredito...poesia é paixão...poesia é prazer...

como eu penso que a minha vida hoje é poesia...

ele escreve a vida é feita de poesia...

E como ele, sei que a poesia salta sobre nós no instante...a qualquer instante.

Que bom Jorge Luís Borges ter-te encontrado numa esquina do tempo

enquanto fazia a travessia lendo tua lição inglesa do verso à poesia...

Coincidência Jorge ? Não !

Já te conhecia.

Emílio Casanova
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sobressaltos


no horizonte ilha refúgio vem à mente
deliciados instantes de recolhimento
inércia almejada de cansados neurónios
por longa e intensa jornada de meios séculos corridos
construtor de castelos de sonhos frustrados fui
muralhas de fantasia em areias desérticas movediças ergui
templos prazeres orgias rodearam-me em espirais triangulares
olhos ciliares de idolatria ciúme ódio mordomia vi
elevadas pírâmides efêmeras débeis doentes subi
dantescos labirintos em desumanas labaredas atravessei
na procura de puras almas que salvei
décadas sobre décadas caminhando
perfeito Ulisses navegando minha Ilha sem regresso busquei
peregrinando sonhos ideologias a quatro continentes aportei
tudo percorri na procura de mim
agora ilhado em Ilha do sem fim
liberto nas asas das palavras insubmissas da poesia
cálices de sentimentos submersos cristalizados no Tempo
em paz transbordam de mim
Emílio Casanova, in "palavras ninguém compra".
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Navego

Navego...
sem chama navego...
navegar eu preciso...
com chama naufrago...
naufragar não preciso...
com tanto vento e tanto mar...
vou navegar...navegar eu preciso !

Emílio Casanova, in "ninguém compra
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Noite

Noite
O dia hoje tem cor de noite
instável inseguro prenuncia
chuva relâmpagos trovões
fica-se assim como criança
limitada na sua liberdade de
infância.
Desagua-se então como
formigueiro no shopping
das fantasias onde não há
dinheiro mas luzes e alegrias.
Pseudo, falsas sim. As verdadeiras
só nos olhos das crianças...
miram ... remiram
brinquedos doces . Lembranças.
quem veste a veste de pai
natal neste e noutros natais
quem ainda, haverá quem
à meia noite espere ansioso
pelo sapatinho.
A noite fez-se dia só criança
sorria.

Emílio Casanova
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outro tempo

No teu perfume cobri-me de odores de mil e uma noites
Fluí nas ondas étereas da magia de tua cama feita tapete
Percorri florestas incandescentes pelos raios de sol do meio dia
Borboleteei entre pétalas douradas com mil cores
Abri minhas veias aos raios prateados da lua
Cobri-me de mantos e mantos de véus da via látea
Estrelados no deserto da escuridão com vaga lumes
Naveguei por entremares pelo sonho pela ilusão
Voei sem asas nas ondas da tua louca inspiração
Entreguei-me nas tuas mãos trémulas sôfregas de desejo
Gozei sofrido perseguindo um tempo cruel desumano
Fomos felizes no momento de outros tempos.

Emílio Casanova
👁️ 397

Criador

O amor é criador ...
faz brotar a escrita,
inspira poesia do impossível,
recicla sonhos e ri...
O amor existe podes crer e sentir,
ele sorri para ti.

Emílio Casanova, "Coisas do Coração".
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Copa minha

acordei com o sol brincando com meus cabelos
na cama,
senti seus longos dedos matinais primaveris,
acariciando meus olhos
sonolentamente preguiçosos, bocejei.
Decididamente larguei lençóis e almofadas,
sai para a calçada mais pisada da
adorada Copacabana...
Misturei-me com caríocas apressados
em caminhar, caminhar por caminhar,
muitos sem olhar
para a beleza do mar,
como carreiros humanos de formigas,
rotinados autómatos...
e as belas ondas do mar ali,
tão perto do olhar.
Passei por Drummond eternamente
sentado... por Dorival carregando seu violão,
poeta e músico que se deliciaram
com as curvas das belas e da princezinha do mar...
Levantei meu olhar até ao Pão d'Açúcar
invocando deuses e Iemanjá ,
lamentando a vã ilusão humana ... quando não temos
queremos quando temos não vemos...
Copa bela Copa
beleza como a tua não há...
Emílio Csanova, in "ninguém compra"
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Freedom

Freedom ...

Allowing me to walk in your world

In your territory

In your skin

In your home

I opened my heart.



Loved every moment

each wave

Every door you opened.



I promise never to invade you

I love who you are

I want the freedom that is in you

Forever.

(Emilio Casanova, "Things of the Heart")
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Copa minha

acordei com o sol brincando com meus cabelos
na cama,
senti seus longos dedos matinais primaveris,
acariciando meus olhos
sonolentamente preguiçosos, bocejei.
Decididamente larguei lençóis e almofadas,
sai para a calçada mais pisada da
adorada Copacabana...
Misturei-me com caríocas apressados
em caminhar, caminhar por caminhar,
muitos sem olhar
para a beleza do mar,
como carreiros humanos de formigas,
rotinados autómatos...
e as belas ondas do mar ali,
tão perto do olhar.
Passei por Drummond eternamente
sentado... por Dorival carregando seu violão,
poeta e músico que se deliciaram
com as curvas das belas e da princezinha do mar...
Levantei meu olhar até ao Pão d'Açúcar
invocando deuses e Iemanjá ,
lamentando a vã ilusão humana ... quando não temos
queremos quando temos não vemos...
Copa bela Copa
beleza como a tua não há...
Emílio Csanova, in "ninguém compra"
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