Lista de Poemas
Solidão
Solidão
Reencontramo-nos no amanhecer
Desespero agitado no breu noturno
Gravado veneno do consciente profundo
Culpas que carrego em desalinho
Desamantes adiados desordeiros
Amargo caminho sem futuro destino
Oceano de solidão
Campo infértil de perdão
Emílio Casanova, Coisas do Coração
Reencontramo-nos no amanhecer
Desespero agitado no breu noturno
Gravado veneno do consciente profundo
Culpas que carrego em desalinho
Desamantes adiados desordeiros
Amargo caminho sem futuro destino
Oceano de solidão
Campo infértil de perdão
Emílio Casanova, Coisas do Coração
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Insónia
Insónia
no silêncio das minhas noites claras
faço longas travessias sem destino
nas esquinas escuras do meu quarto
revejo caras e corpos
uns familiares outros opacos
deformados por nunca vistos
galopam sentimentos ritmados
ao compasso do brilho
dos néons iluminados
que penetram as frestas das janelas
dobras de lençol ondulam meu corpo
almofadas envolvem meu rosto
tac tic tic tac dança o tempo
noite branca sem rosto quente
que aspiras da minha insónia
angústias arrependimentos
remorsos por falta de coragem
não sabes que a humana liberdade
é prisioneira da minha mente
odeio teu poder que me impede
de adormecer
no silêncio das minhas noites claras
faço longas travessias sem destino
nas esquinas escuras do meu quarto
revejo caras e corpos
uns familiares outros opacos
deformados por nunca vistos
galopam sentimentos ritmados
ao compasso do brilho
dos néons iluminados
que penetram as frestas das janelas
dobras de lençol ondulam meu corpo
almofadas envolvem meu rosto
tac tic tic tac dança o tempo
noite branca sem rosto quente
que aspiras da minha insónia
angústias arrependimentos
remorsos por falta de coragem
não sabes que a humana liberdade
é prisioneira da minha mente
odeio teu poder que me impede
de adormecer
👁️ 495
vou
Vou...
Por onde voas beija-flor
Sabes
Vou ao encontro de meus amores
Vou saciar-me deles
Empanturrar-me
Extasiar-me
Grudar-me nos afetos
E depois
Voltar a voar
Cheio de amor
Beija-flor
(Emílio Casanova, "Coisas do Coração)
Por onde voas beija-flor
Sabes
Vou ao encontro de meus amores
Vou saciar-me deles
Empanturrar-me
Extasiar-me
Grudar-me nos afetos
E depois
Voltar a voar
Cheio de amor
Beija-flor
(Emílio Casanova, "Coisas do Coração)
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Perdeu
Acordei com pressentimento de quem perdeu,
Amargo sabor de estado desejado,
Inalcansado.
Sentimentos cruzados num labirinto fechado
Qual fervor imaterial que pereceu.
Partiste musa minha,
Alicerce de meus devaneios poéticos,
Âncora de amor querido,
Partiste pelos caminhos da realidade,
Rompendo a magia de flashes de felicidade.
Te encontrar não preciso,
Existes no meu sangue
Circulas em mim em espirais eternas
Que florescem em renovadas primaveras.
Quem te perdeu...não sei, sei que não fui eu.
Emílio Casanova, in "Graça"
Amargo sabor de estado desejado,
Inalcansado.
Sentimentos cruzados num labirinto fechado
Qual fervor imaterial que pereceu.
Partiste musa minha,
Alicerce de meus devaneios poéticos,
Âncora de amor querido,
Partiste pelos caminhos da realidade,
Rompendo a magia de flashes de felicidade.
Te encontrar não preciso,
Existes no meu sangue
Circulas em mim em espirais eternas
Que florescem em renovadas primaveras.
Quem te perdeu...não sei, sei que não fui eu.
Emílio Casanova, in "Graça"
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Poema
Seres Poema e não Poeta
Belo desafio esse
Viveres como poesia
Desde o dia em que nasceste.
Seres luar e raio de sol
Batida de asas de beija-flor
Sorriso de mãe com amor.
Seres flecha de cupido
É bem melhor
Que escrever poemas de improviso.
Seres seiva de caule florido
Olhar de criança embevecida
Amor de casal apaixonado
Sangue de toiro enraivecido
É bem melhor
Que palavras sem sentido
E poema metricamente ordenado.
Para onde vais tu caminhante
Se és caminho passageira viajante
Se és Nuvem deslizando no horizonte
Da Natureza pertencente
Voa poesia voa docemente
Para os braços do poema amante.
Emilio Casanova, "Coisas do Coração"
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sobressaltos
no horizonte ilha refúgio vem à mente
deliciados instantes de recolhimento
inércia almejada de cansados neurónios
por longa e intensa jornada de meios séculos corridos
construtor de castelos de sonhos frustrados fui
muralhas de fantasia em areias desérticas movediças ergui
templos prazeres orgias rodearam-me em espirais triangulares
olhos ciliares de idolatria ciúme ódio mordomia vi
elevadas pírâmides efêmeras débeis doentes subi
dantescos labirintos em desumanas labaredas atravessei
na procura de puras almas que salvei
décadas sobre décadas caminhando
perfeito Ulisses navegando minha Ilha sem regresso busquei
peregrinando sonhos ideologias a quatro continentes aportei
tudo percorri na procura de mim
agora ilhado em Ilha do sem fim
liberto nas asas das palavras insubmissas da poesia
cálices de sentimentos submersos cristalizados no Tempo
em paz transbordam de mim
Emílio Casanova, in "palavras ninguém compra".
👁️ 523
Ofício do Verso
Estranho perturbante mesmo, desafiador...
Que me fez pegar num livrinho estreito
de cento e trinta e seis páginas,
relato de uma lição de J.L.Borges sobre esse ofício do verso,
para ocupar meu tempo da barca entre a Ilha da poesia e a Praça XV ?
Saber que temos a mesma idade eu, que agora o leio,
ele que nesse tempo o escreveu.
Como ele eu acredito...poesia é paixão...poesia é prazer...
como eu penso que a minha vida hoje é poesia...
ele escreve a vida é feita de poesia...
E como ele, sei que a poesia salta sobre nós no instante...a qualquer instante.
Que bom Jorge Luís Borges ter-te encontrado numa esquina do tempo
enquanto fazia a travessia lendo tua lição inglesa do verso à poesia...
Coincidência Jorge ? Não !
Já te conhecia.
Emílio Casanova
👁️ 487
De mim II
Na minha infância conheci
um padre ladrão,
roubava almas,
tinha alcunha de pata larga
e queria que lhe beijasse a mão.
Uma vez mãe manuela pediu-lhe conselho
...que fazer com joaquim estudar ou trabalhar...
...estudar qual quê...melhor é ir trabalhar...
...vai para oleiro....
afirmou padre sem arrepio
que da olaria era senhorio.
Bisavó maria afiançava que ele
no forno da olaria de satanás ardia.
Emílio Casanova, in "ninguém compra".
👁️ 531
metade
da minha liberdade...sou uma metade
metade é minha sombra
metade é minha luz
que me completam
por ela arrasto melancolias
que me confundem o fim de tarde
onde morrem os dias
metade verso
outra metade inverso
arrastando a noite
aguardo a metade dia
Emílio Casanova
metade é minha sombra
metade é minha luz
que me completam
por ela arrasto melancolias
que me confundem o fim de tarde
onde morrem os dias
metade verso
outra metade inverso
arrastando a noite
aguardo a metade dia
Emílio Casanova
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Palavras
Chegam às ondas quando começo a pensar
palavras soltas tropeçam, vão e voltam
num rodopiar.
Sobrepoem-se umas às outras
num fervilhar,
querendo mostrar qualidades.
São altas, redondas, magras
curtas, simples,
outras aparecem para complicar.
Parem lá minhas meninas
diz mente a organizar.
Entendam-se minhas queridas
ordena coração a namorar.
Coladas e caladas em sintonia
Constroem assim uma poesia.
Emílio Casanova, "Ninguém Compra"
palavras soltas tropeçam, vão e voltam
num rodopiar.
Sobrepoem-se umas às outras
num fervilhar,
querendo mostrar qualidades.
São altas, redondas, magras
curtas, simples,
outras aparecem para complicar.
Parem lá minhas meninas
diz mente a organizar.
Entendam-se minhas queridas
ordena coração a namorar.
Coladas e caladas em sintonia
Constroem assim uma poesia.
Emílio Casanova, "Ninguém Compra"
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