Lista de Poemas

É BRUTO!

É bruto o sentimento,
Quando é solitário,
Sem ser correspondido,
Melhor nem existir.

Mas a vida é uma louca,
Leva a gente na conversa,
Promove alguns encontros
Sem pé nem cabeça.

E depois o coração,
Esse outro maluco,
Cisma em amar,
Quer viver uma paixão.

É bruto, meu amigo,
O que faz um amor,
Te deixa destruído,
Sentindo muita dor.

E não acaba aí, não,
Vem mais coisa pela frente,
Parece que com satisfação,
Ainda deixa o corpo doente.

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SINTO FRIO

Sinto frio,
Mas não frio físico,
Alma fria, gelada,
Como pode? Desconfio.

Ainda que seja quente,
O sangue que corre,
A alma se resfria,
Mas nem por isso morre.

Fria mesmo, ela vive,
Vaga sobre o chão ardente,
Seus pés não se queimam,
Num calor escaldante.

Frio, muito frio, um frio devastador,
Causa dor, que dói em silêncio,
Grito surdo, frio, congelado,
Sinto frio, dos dois lados.

Hoje o céu está azul,
O sol a pino,
Vejo gente suando,
E eu aqui encolhido.

Frio que dói sei lá aonde,
Apenas dói sem parar,
Minha alma se esconde,
Não está em nenhum lugar.

Um frio avassalador,
Sai de meus olhos,
Eu já não te vejo
Com aquele meu velho desejo...

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A PARTE DOÍDA

Sou sempre eu,
A parte mais doída,
Desse amor que morreu, 
Ainda em vida.

É aqui que dói,
Nesse peito calejado,
Uma dor que corrói,
O que já está detonado.

Não é drama que eu faço,
É a mais pura verdade,
Meu coração todo rachado,
Não se cola com saudade.

Vai, segue o seu caminho,
Eu não tenho nenhum,
Sou um exilado,
Sem lugar e nem carinho.

Enquanto isso, não acho a cura,
Desse meu desconforto,
Tentei até rapadura,
Mas só fiquei gordo.

Não é nada fácil,
Você está em outra,
Te viram em um bar,
Aos beijos todos quentes.

Eu poderia me curar
Me jogando em outros braços,
Mas seriam todos tão banais,
Ficariam no bagaço.

Depois que a noite vem,
No meu mundo vazio,
Deixo a porta entreaberta,
E só entra vento frio.

A vida faz das suas,
Quem sofre sou eu,
Que tenho a alma nua,
De tanto que se deu.

Pode ir! Você já foi!
Eu juro que te vi,
Estava aqui na frente
A sorrir. Era ilusão.

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O MEU CANTO TRISTE

Canto uma canção triste,
Da vida que me leva,
Ela, de dedo em riste,
Toda hora me cancela.

Então eu canto pelos cantos,
Uma música chorada,
Que envolta em prantos,
É sempre desafortunada.

Alegria, onde ela foi?
Tomara não ter ido longe,
Eu não tenho mais forças
Para ficar ao seu alcance.

Caso sério de sofrimento,
Quase sem cura,
De difícil tratamento,
Uma alma impura.

Como vai a minha vida?
Vê lá se isso é pergunta!
Ela é tão sofrida,
Mal vale uma luta.

Pode ir, me deixe só,
Senão vai sucumbir também,
Daqui não se tira o nó,
Nem você e nem ninguém.

Onde foi minha fé,
Que anda falhando?
Eu preciso buscar
Um tantinho que tiver.

Me virei nessa hora,
Na próxima não me viro mais,
Quero ir embora,
E não voltar jamais!

👁️ 53

ESTOU TÃO CHATO...

Nesses dias que passaram
Eu tenho estado diferente,
Muitas coisas me chatearam,
Me deixaram impaciente.

Desde então fiquei só,
Parecendo um ser ausente,
Não queria muito papo,
Nem chegar perto de gente.

Quando estou acompanhado,
Faço tudo para ficar sozinho,
De modo escancarado,
Boto fora quem está comigo.

Estou tão chato,
Que nem eu me aguento,
Tenho que resolver esse babado,
Mas não vejo o momento.

E se me dizem a verdade
Saio batendo os pés,
Feito menino mimado,
Que não suporta um revés.

Mas fazer o quê,
Se estou descontrolado?
Já tentei até tomar remédio,
Mas aí durmo e acordo piorado.

É coisa da cabeça,
Muita complicação,
Na minha porta a tristeza
Vem batendo de montão.

👁️ 11

LOUCURA, SIM!

Ah, loucura!
De onde veio,
Para onde me levará?
Para o poço fundo,
De onde ninguém me salvará.

Sai daqui, vai embora!
Tento a sanidade,
Mas nada colabora.
Que maldade!

Atormentado todo dia,
Corro sem sair do lugar,
As paredes me prendem,
E me sufocam devagar.

Dias cinzas me esperam,
Chuva ácida em meus olhos,
Que se fecham queimando,
Luzes me desesperam.

Sou o fim, estou no fim,
Mas não vejo o final,
Ele brinca comigo,
Me fazendo mal.

Barulhos me amedrontam,
Os pássaros foram embora,
Só uma voz estridente
Fala coisas que não entendo.

Então a luz se acende,
E continua tudo escuro,
Meus olhos não se abrem,
Estou cercado por um muro.

Eu grito, cada vez mais alto,
Um grito silencioso,
Que ninguém ouve, de fato,
Um grito interno, perigoso.

👁️ 106

EU SOU SEM SENTIDO

Se pareço equilibrado
É porque não me conhece,
Eu sou sem sentido,
E isso não aparece.

Quem fica comigo
Logo vê minhas falhas,
Nada em mim faz sentido,
Talvez eu seja... um canalha?

Pode ser, mas eu resisto,
Nessa vida atribulada,
Em amores rasos eu insisto,
E nunca dá em nada.

Se eu sofro nem percebo,
Aprendi a viver como sou,
Penso que gosto de ser brinquedo,
E até de brincar com quem estou.

Entro e saio de relacionamentos,
Assim como quem troca de roupas,
Não me causa estranhamento
O fato de ter amado as loucas.

Sou o brejo onde se afundam
As boas intenções,
Se é que tenho alguma,
São apenas invenções.

E nem sofro a vergonha,
Essa eu já perdi faz tempo,
Minha vida é medonha,
Nela planto muito vento...

Sou feliz sendo infeliz,
Sei lá, ou algo parecido.
Causo em todas a tristeza,
E assim fico resolvido.

E se choram por mim
Eu caio na gargalhada.
Como podem viver assim,
Sendo enganadas?

👁️ 133

SAÍ DESSA PRISÃO

Era uma agonia,
Aquele lugar escuro,
Onde você me colocou,
E ainda tinha muros.

Um lugar sem ventilação,
Fétido como uma latrina,
Doía meu coração,
Toda noite e todo dia.

Eu pedia para sair,
Que tivesse alguma compaixão,
Mas você fazia só mentir,
Dizendo ser meu o seu coração.

Não era, nunca foi,
Eu era sua obsessão,
Me tratava como um bicho
Que tinha de estimação.

Tudo ali era ruim,
Até o amor que me servias,
Seu corpo era frio,
Não tinha alegria.

Eu te pedia, triste,
Que me deixasse ir embora,
Pois nem eu, nem você,
Tínhamos um pingo de alegria.

Era fria aquela cama,
De colchão duro e rasgado,
Onde nossos corpos estavam juntos,
Mas muito separados.

E depois de muito tempo,
Fugi da masmorra,
Ainda não tive alento,
Não encontrei quem me socorra.

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NÃO SOU CERTEZA

Não tenho certeza alguma
Nessa vida complicada,
Nem sei a próxima palavra,
Nem como esse poema será terminado.

Pode ser coisa da cabeça,
Também pode ser do coração,
Tem que ser alguma coisa,
Acho que não é imaginação.

Talvez eu te ame,
Muito mais do que pensa.
E se for só tesão.
Será para ti ofensa?

Dúvidas povoam minha mente,
Agitam meu pobre cérebro,
Ando para frente,
Mas sempre olho para trás.

Tropeço em incertezas,
Tomo banho de ilusão,
Creio ser a dureza
Dessa minha situação.

Se choro, não sei a causa,
Se sorrio também não,
Se você chega feliz,
Peço logo explicação.

E a vida vai,
Enquanto quero ficar,
Tento pegar o retorno,
Mas ele me traz para cá.

Peço sua ajuda,
Procuro sua mão,
Ela se recolhe,
Mas que louca situação!

Onde, como e por que?
Sei de nada não!
Me deixe por aqui,
E não me julgue, não!

Sei de alguma coisa?
Isso eu duvido,
Tenho dúvidas comigo,
Que levarei para o caixão.

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QUEM ME DERA...

Um amor que fosse legal,
Que não me fizesse sofrer,
Que não me deixasse mal.
Mudaria meu viver!

Passaria os meus dias
Te fazendo festa,
Te traria belos presentes,
Faria de você minha rainha.

Quem me dera você
Me dar um pouco de atenção,
Descobrir que existo,
Que tenho um coração.

Me daria sossego,
E paz de montão.
Mas não é assim,
Que decepção!

Quem me dera você saber,
De tudo o que sinto,
Estar livre para ouvir,
E, quem sabe, me dar a mão.

Mas a vida nos deixou
Como que perdidos,
Cada um do seu lado,
Em casamentos falidos...
 

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Comentários (2)

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celso ciampi
2026-02-03

Obrigado!!

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-02-03

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.