A PARTE DOÍDA
Sou sempre eu,
A parte mais doída,
Desse amor que morreu,
Ainda em vida.
É aqui que dói,
Nesse peito calejado,
Uma dor que corrói,
O que já está detonado.
Não é drama que eu faço,
É a mais pura verdade,
Meu coração todo rachado,
Não se cola com saudade.
Vai, segue o seu caminho,
Eu não tenho nenhum,
Sou um exilado,
Sem lugar e nem carinho.
Enquanto isso, não acho a cura,
Desse meu desconforto,
Tentei até rapadura,
Mas só fiquei gordo.
Não é nada fácil,
Você está em outra,
Te viram em um bar,
Aos beijos todos quentes.
Eu poderia me curar
Me jogando em outros braços,
Mas seriam todos tão banais,
Ficariam no bagaço.
Depois que a noite vem,
No meu mundo vazio,
Deixo a porta entreaberta,
E só entra vento frio.
A vida faz das suas,
Quem sofre sou eu,
Que tenho a alma nua,
De tanto que se deu.
Pode ir! Você já foi!
Eu juro que te vi,
Estava aqui na frente
A sorrir. Era ilusão.
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