Escritas

Lista de Poemas

Certidão vital

 

lavre-se a vida

como fato

quando contê-la

como instaurada

seja vivê-la coletiva

mesmo privada

na certidão

de tais apelos

lavre-se o sonho

como só enredo

da privada condição

do coletivo segredo

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Da coletiva unidade

 

militante das ruas

móvel coletivo

dou-me à razão

de estar comigo

tudo que é tempo

corre indivíduo

como se fora em mim

súbito vestígio

de que sou apenas tanto

quando coletivo

ao homem cabe traduzir-se

na parcimônia do seu infinito

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Das cercanias do tempo

 

tardo em mim

quando amanheço

o sonho no sono

ainda meço

as larguras da vida

em que me teço

tardo em mim

quando anoiteço

as franjas do sonho

já medem súbitas

seus novelos

nas esquinas do tempo

em que me esqueço

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Do poema em causa

 

a palavra

em procissão

traz o poeta

à profana razão

na coleira da forma

o verbo tramita

todas as liberdades

que as letras admitam

o poema

em habeas corpus

intenta livrar a vida

de seus falsos ócios

tudo que lhe diz imenso

discursa chamas da memória

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Vindouro curso

 

e fosse quando

um tempo avulso

pudesse vestir-se

quase do futuro

braço das horas

vontade a pulso

e fosse quando

um tempo no espaço

gravasse o povo

em cada laço

e pousasse na vida

todos os abraços

👁️ 1

Saudade consumida

 

largo em mim

lascas do tempo

nas lonjuras próximas

do pensamento

cheio de tanto

a saudade resiste

em ser apenas lapsos

postos em cabides

o armário da vida

abarrotado

dá-se à fantasia

de viver o passado

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Humana insistência

 

a memória

delação premiada

joga no tempo

os ofícios da alma

construção da matéria

que a vida declara.

navega-la

em trânsito lúdico

é concebê-la mar

de intenso curso

tudo que é passado

atravessa seu futuro

👁️ 1

Chamas navegantes

 

inflamada

a vida crepita

todas as fogueiras

consentidas

as que queimam sozinhas

as que vivem coletivas

as chamas

desenhando o pensamento

escrevem no peito

aquilo que se sente

as chamas da vida

futuram o presente

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Da profana origem

 

terçado o tempo

vasto exercício

na africana paisagem

prolatou-se o rito

a matéria em transe

caindo em si

deu-se humana ao infinito

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Pássara manhã em vaga

 

o pássaro

solfejando a vida

tecia a manhã

quase distraído

voando o tempo

em natural ofício

tangia o homem

no vão das asas

jogando lembranças

em suas páginas

as escritas nos sentidos

as arquivadas na alma

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !