Lista de Poemas
Certidão vital
lavre-se a vida
como fato
quando contê-la
como instaurada
seja vivê-la coletiva
mesmo privada
na certidão
de tais apelos
lavre-se o sonho
como só enredo
da privada condição
do coletivo segredo
Da coletiva unidade
militante das ruas
móvel coletivo
dou-me à razão
de estar comigo
tudo que é tempo
corre indivíduo
como se fora em mim
súbito vestígio
de que sou apenas tanto
quando coletivo
ao homem cabe traduzir-se
na parcimônia do seu infinito
Das cercanias do tempo
tardo em mim
quando amanheço
o sonho no sono
ainda meço
as larguras da vida
em que me teço
tardo em mim
quando anoiteço
as franjas do sonho
já medem súbitas
seus novelos
nas esquinas do tempo
em que me esqueço
Do poema em causa
a palavra
em procissão
traz o poeta
à profana razão
na coleira da forma
o verbo tramita
todas as liberdades
que as letras admitam
o poema
em habeas corpus
intenta livrar a vida
de seus falsos ócios
tudo que lhe diz imenso
discursa chamas da memória
Vindouro curso
e fosse quando
um tempo avulso
pudesse vestir-se
quase do futuro
braço das horas
vontade a pulso
e fosse quando
um tempo no espaço
gravasse o povo
em cada laço
e pousasse na vida
todos os abraços
Saudade consumida
largo em mim
lascas do tempo
nas lonjuras próximas
do pensamento
cheio de tanto
a saudade resiste
em ser apenas lapsos
postos em cabides
o armário da vida
abarrotado
dá-se à fantasia
de viver o passado
Humana insistência
a memória
delação premiada
joga no tempo
os ofícios da alma
construção da matéria
que a vida declara.
navega-la
em trânsito lúdico
é concebê-la mar
de intenso curso
tudo que é passado
atravessa seu futuro
Chamas navegantes
inflamada
a vida crepita
todas as fogueiras
consentidas
as que queimam sozinhas
as que vivem coletivas
as chamas
desenhando o pensamento
escrevem no peito
aquilo que se sente
as chamas da vida
futuram o presente
Da profana origem
terçado o tempo
vasto exercício
na africana paisagem
prolatou-se o rito
a matéria em transe
caindo em si
deu-se humana ao infinito
Pássara manhã em vaga
o pássaro
solfejando a vida
tecia a manhã
quase distraído
voando o tempo
em natural ofício
tangia o homem
no vão das asas
jogando lembranças
em suas páginas
as escritas nos sentidos
as arquivadas na alma
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.