Lista de Poemas
Sono em nordestino verbo
o beiço do sonho
manso, cutucava
todos os desejos
plantados na alma
a língua do sono
embaralhava
os roçados da vida
onde arava
o camponês
tardando o cedo
dormia semente
plantado em si mesmo
Reminiscência LXXII
a vida sorria
foragida no tempo
passageira avulsa
abraçada ao vento
seu enredo
esvoaçava a memória
sonhos lambuzados
das veias da história
cheio do passado
o jovem, dado a seu curso,
trançava o presente
íntimo do futuro
Soníferas divergências
divirjo da manhã
quando tardo
nos restos de sonho
em que me largo
objetiva, plástica,
a realidade comporta
as contradições vividas
em cogente lógica
as peripécias do tempo
nas vias humanas
deixam-se vertentes
de quem sonha
Reminiscência LXXI
no muro
desenhando a noite
o pincel dizia letras
aos olhos do povo
a juventude
pulsava nas veias
um futuro grávido
ávido em suas teias
a lua, ainda cheia,
meio esquecida,
cumpria a militância
de enfeitar a vida
Da matéria em conluios
a matéria
em seus conluios
grava na memória
como rápida trama
cacos da história
saudades, sanhas
escreve as horas
como um tempo fugidio
lapsos das demoras
nas fugas do infinito
a matéria é quase atriz
no teatro de seus gritos
Da liberdade medida
toda liberdade
quando concedida
distrata no tempo
os veios da vida
concedê-la à luta
constrói a medida
de tê-la diária
humana guerrilha
metros todos do povo
nas léguas que consiga
Do poeta em farpas
o poeta
na verdade
tramita no verbo
pedaços de saudade
é que o tempo
no infinito passado
ainda vige futuro
no poema em que cabe
ao poeta
resta apenas
poder alinhavá-lo
deita-lo nas palavras
em seu recato
Do humano trânsito
humano, vivente,
dou-me ao futuro
na certeza exata
de quem sente
o tempo avança
os veios da vida
impunemente
nada do que é tudo
deixa de ser tanto
quando a matéria,
ainda em trânsito
no jogral do tempo
declama seu canto
Urbana cena
transeunte da vida
ensaio os atalhos
nas ruas de mim
em que me acho
as vias do tempo
jogadas na idade
sobrevoam o passado
prenhas da saudade
o futuro
como um bólide
voa no espaço
da luta que pode
temporal anistia
anistie-se o tempo
nada das horas
permite rastros
esconderijos da vida
em que me acho
o tempo
é só a estrada
dos passos do mundo
soltos na alma
arruma-los nos ventos
é jeito de passea-los
tudo caminha
a véspera dos saltos
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.