Lista de Poemas
Reminiscência XCIV
a história
ruminando a vida
tecia suas rugas
pelas avenidas
relâmpago
o comício dizia
os trovões do povo
e suas trilhas
o jovem camarada
bebendo a tarde
revolvia a emoção
posta nas palavras
Coletiva trama
assim humana
seja a estirpe
esse abraçar o mundo
com a alma em riste
assim urgentes
sejam os atos
construção da vida
em seus palcos
assim coletiva
seja a intensa luta
de armar o futuro
em todas suas curvas
Humanos arquivos
dado assim a tanto
nas ondas dos sentidos
o homem arquiva unânime
o tempo gasto da vida
as horas tidas alheias
as inteiramente cometidas
dado assim a tanto
tramitando a memória
o homem desarquiva
o coletivo das horas
mergulhando a vida
do convés da história
Reminiscência XCIII
no rio
líquida insistência
a vida boiava
mansamente
o menino
infante barco
navegava a si
lúdico espaço
o mundo
assim corrente
inventava sonhos
impunemente
Matéria viajante
o programa
vivido da matéria
é manter-se tanta
em tantas eras
as que se foram
as que a esperam
dada ao homem
sujeito navegante
o tempo rasga a si
no espaço pulsante
refregas das demarchas
dos laços que avance
Fluvial retórica
o leito do poema
rio confuso
enchente de verbos
em busca do mundo
o barco do poeta
navegando as horas
pesca palavras
com a isca da memória
as veias do tempo
nas brechas dos sentidos
dizem no poema
a jusante da vida
Desamanhecido
quando sonho
nem amanheço
a noite, baldia,
esquece o tempo
e adia a manhã
no pensamento
o sonho
embrulhado na vida
amanhece o tempo
como decida
nos olhos de quem sonha
nos braços de quem viva
Reminiscência XCII
em militar postura
Mihail saudava
no vão do aeroporto
os viajantes camaradas
Mihail Egorovitch
rindo, pelos corredores,
discursava ao vento
as cervejas em que coube
Mihail Egorovitch
sempre demonstrava
a soviética razão
de sua fala
Metragens consumidas
a matéria
em plena passeata
discursa o mundo
com seus átomos
mágica da razão
na quântica postura
disfarça seus quarks
em intensa luta
ver-se construído
na razão de tanto
é abraçar o infinito
e a pequenez do gráviton
estender os metros da vida
nos partos do futuro
viver a multidão que somos
nos braços do mundo
Voos do tempo
a saudade voa
nave desgarrada
em cada pássaro
pela madrugada
o homem
agarrado ao tempo
inventa o passado
singrando os ventos
nas asas da paisagem
impunemente
a saudade infinita a vida
embrulhada no presente
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.