Lista de Poemas
Lavradio
viva-se o tempo
como humano roçado
nos leirões da vida
que a história lavra
grave-se coletivo
no semear das horas
e flua todas as ondas
dos mares da memória
viceje impunemente
assim vivo nos sentidos
parcimônia humana
de seus infinitos
Reminiscência C
o mundo
dedilhava a vida
no teclado displicente
dos sentidos
ouvindo os bemóis
no cantar dos fatos
acendia a música
dos seus olhares
o menino
solfejando o tempo
inventava as mágicas
do pensamento
Humana corrida
da arquibancada
jogos do tempo
dê-se assim à deriva
invada sem freios
o campo da vida
terçar as horas
descaminhos
inventando estradas
raias coletivas
desembestar o tempo
na humana investida
vistas da vida
das vigas do tempo
como usufruto
estejam veias
as vias do futuro
construídas
no vão da matéria
enfeitem o homem
contra os muros
estrada tanta
em suas trilhas
dos passos humanos
ao redor da vida
Reminiscência XCVI
cada manhã
o sol dizia
todas as razões
de ser o dia
no menino
os olhos desenhavam
as noites que escondia
no sol que inventava
o tempo infante
era só a máquina
que o mundo vivia
e o menino sonhava
Reminiscência XCVII
da manhã vivida
como ainda tanta
os gritos da vida
sobram na garganta
gesto resumido
grávida escuta
discursos no peito
dos cordéis da luta
no curso do tempo
o verso afrontava
todos os limites
postos nas palavras
Reminiscência XCVIII
o pião
roda a vida
enrolado nos sonhos
em que gira
da mão do menino
salta no tempo
farpa onírica
contra o vento
a vida, redemoinho,
fingia todos os piões
em que se tinha
jogava a infância
na liberdade lúdica
de todas suas rinhas
Comício
na praça, assim,
como arma
o comício arranha
as farpas da palavra
drama cívico
em militar postura
costura os vincos
bordando a luta
o povo
gritando as horas
atravessa nos verbos
as ruas da história
Quântica lida
a matéria
em ondas e partículas
joga no tempo
os movimentos da vida
dá-se à consciência
quântica dúvida
no espaço contrito
dos metros que usa
a matéria tanta
mesmo infinita
esconde dos homens
as léguas que siga
Reminiscência XCIX
o tempo
apressado
ainda noite
tangia a madrugada
a vida
desleixada
passeava o jovem
pelas calçadas
a ordem
inteiramente violada
amanhecia nas paredes
posta em palavras
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.