Lista de Poemas
Saudade temporal dita
a fronteira do tempo
dada, assim, ao infinito
deixa restos de saudade
abraçados aos sentidos
arquivado nos olhos
cada gesto das horas
arrumado fortemente
no colo da memória
a saudade transgride
no roçado do peito
qualquer leirão da lógica
tudo que lhe cabe
é habeas corpus
Futuro andante
o futuro
quando coletivo
mede sempre mais
que os sentidos
dá-lo como repente
trai os seus indícios
tudo do tempo
cheira a infinito
cabe-lo na razão
lupa cognitiva
é deixá-lo estrada
das sinapses da vida
Das larguras dos sentidos
estar humano
pela matéria
na insistência lúdica
intensamente histórica
de deixar-se todos
pelas horas
exata continência
de cada indivíduo
na tarefa única
de inventar os sentidos
os dos rumos da luta
os intimamente vividos
Da futura marca
até que os homens,
lutando, ultrapassem
os pedaços da vida
em que só se cabem
até que o verbo
tenha-se qual invento
necessidade humana
de rir o tempo
até que a vida
entranhada no riso
seja em cada homem
coisa do infinito
Sonhada fala
a fala do sonho
súplica quântica
comício neural
desejos em dança
rastros do mundo
sinapses arguidas
croqui humano
desenhos sentidos
cada sonho entoa
os bemóis que decida
na fartura vivente
dos palcos da vida
Pública permanência
público
dê-se à clausura
de estar indivíduo
no vão da luta
permanência humana
coletiva e única
estado beligerante
paz combatente
construção do tempo
em sua urgência
públicos sejam os atos
da sua permanência
Africana saga
as Áfricas que possam
acordar na vontade
discursam humanas
inata liberdade
manhã da matéria
tentando a tarde
adormecida
noite orquestrada
negra a razão de tanto
inventando madrugadas
o tempo vige a áfrica
em tudo que caiba
Nesgas do futuro
e quando fosse o amanhã
um tempo garantido
na precisão da vontade
na prontidão dos sentidos
como se fosse desenho
nas lonjuras do infinito
e pudesse ter-se intacto
no sonho consentido
das avenças de todos
com a fartura do riso
na brincadeira geral
do que fosse construído
Crônica rima
crônica
a vida declama
todo poema
em que se arma
transe verbal
da lúdica trama
de estar vivente
na via humana
crônica
a vida habita
no rumo dos fatos
os poemas que diga
a construção do tempo
é uma humana rima
Poema cangaceiro
dado ao cangaço
o poema expressa
as balas verbais
que arquiteta
espingarda retórica
pontarias do verbo
dá-se aos rompantes
de seus manifestos
cangaceiro falante
entoa estrofes
sonhando as léguas
dos sertões que pode
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.