Escritas

Lista de Poemas

pequena ilustração da luta

a vida, assim, fluirá adredemente
pelo curso que se forje como rumo
e inventará os nuncas e os sempres
que determinam a vigência do seu prumo.
 
e na indizivel dialética do que cria
prescindirá, muitas vezes, da presença
dos cabrestos que o tempo anuncia
naqueles que não a tangem nas ausências.
 
e nesse dar-se às necessidades do dia
inventando noites nos ombros da madrugada
lavre um tempo grávido das asas da alegria
escoltando seu prazer pelas calçadas.
 
 
e como um navio adernado na esperança
construa o seu riso mais exato
e diga de todos a vida que se trança
nas larguras da luta que se faça
👁️ 111

Da metragem temporal das normas

o relógio não leva o tempo nas costas
nós é que medimos os ponteiros das demoras
como a inventar um jeito manso
de arrumar o destempero das horas
 
é como se fora uma régua
de medir os ombros da memória
tudo que lhe sobra falta
nos vincos ávidos da história
👁️ 103

pequena intrusão lacaniana

trago-me do outro
em demandas
como um espelho
dos eus que me mandam
 
explícito
deixo-me intruso
nas pulsões que invento
e desuso
 
e valho-me da vida
para estar na morte
nos mares que construo
nos dias de ócio.
 
tudo é só o outro
no outro que sou
e me conformo.
👁️ 113

Das tangências inexatas

cavaleiro de mim
invento em tudo
essa mania enorme
de tanger o mundo
 
é que viver é quase assim
um incompleto absurdo
👁️ 116

Dos trânsitos da vida

A prostituta
instaura o trânsito
em suas curvas
tráfego de gente
e de culpas
 
jangadas de um amor baldio
navegam  sua luta.
👁️ 109

Das minúcias do viver

lúdico
nada me joga
público
 
andante
de mim
súbito
deixo os repentes
em que me uso
como uma jangada
adernada
nos mares que curso.
👁️ 181

Do futuro e suas vagas

o povo ausculta
nos ombros da praça
o ruído da luta
 
comício de tudo
o verbo disputa
as razões urgentes
de todas as culpas
 
e nos olhos do povo
envolto na palavra
o futuro toma o jeito
de quem lhe abraça
👁️ 103

Da construção vindoura

o futuro
está no passado -
tempo ainda magro -
embutido nas curvas
do que luto e  faço
 
é preciso sabê-lo
como presente enviesado
que habita as bordas de um infinito
que habita o passado
 
na vida e na luta
é só o (p)rumo da disputa
há que vivê-lo antes pelas ruas
como se depois só fosse
uma lembrança prematura.
👁️ 277

Da dialética manhã dos meus instintos

sou e não sou
como me sinto.
avesso do sonho: rebelião,
eis a minha síntese
 
tudo que me tange
é a construção da paz
e o vermelho do sangue
meu coração é um barco
de navegar horizontes
👁️ 174

Do poema e seu transcurso

O poema
é uma guerrilha avulsa
tudo que lhe tange
é o discurso
entre a certeza do verbo
e a incerteza da luta
a que os humanos se prestam
na humanidade que pulsam
 
o poema apenas é a alma
dos verbos que disputa
👁️ 88

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !