Lista de Poemas
Ode ao Rio São Francisco
francisco, viés de tanta vida,
talvez te queiras retrato
de todas as avenidas
nesse aconchego das àguas
em que desajeitado deslizas
rio
és apenas indício
de que a jusante de ti
completa um infinito
que se mede pelo povo
montado no teu riso
tudo que te represa
é só um grande comício
das pedras que se conjugam
no dorso dos teus gritos
(a pedra
fita o rio
com seu jeito de encanto
e desafio
tudo que lhe compraz
é ser enfeite do rio)
francisco
traças teu curso
como norma perene
do abuso
tudo que te mede
é a franqueza das águas
que discursas
assim caminha esse povo
quando São Francisco te postas
como um verso definitivo
escrito nas tuas costas
Rascunhos astrais
são só um rabisco
entre mim e o infinito
melhor dizê-las astros
talvez dos sonhos
em que me abraço
é que vivê-las
é só um jeito
em que me traço.
Pequena alegoria de capitalista trama
sem valores
desagua no povo
suas dores
e a multidão
desarma
os cifrões da vida
pela alma
Das nervuras dos quadrantes
o tempo não teria espaço
para decretar-se em tudo
nada é restrito
o todo sempre cabe
em cada infinito
a gente é que dá um jeito
de teima-los incontidos
Dos alvoroços públicos e privadas doações
nos ombros das avenidas
do gosto assim do futuro
o povo inventa a vida
e nesse roldão exato
que se avoluma no peito
o sonho vira um fato
na amplidão do seu jeito
e a ninguém é dada a razão
de não se dar por inteiro.
Dosimetria da vigência humana
a vida é só o esforço
um completar-se de si
na esperança do outro
ninguém é humano sozinho
nas cordilheiras da vida
tudo é o tanto de todos
nos mares, nas avenidas
ao homem só cabe o tempo
de navegar essas medidas.
da confluência dialética do futuro
é um espaço disfarçado
minutos, larguras e metros
são quilos do mesmo fardo
tudo que lhes medem
é a constância do abraço
é como se o mundo
vive-se em sobressalto
arremessando o futuro
num imenso descampado
Exercício popular do tempo
quando cessarem os verbos
abra o peito na avenida
e abrace o jeito do povo
entornado pela vida
navegue o sonho de todos
na simples dosimetria
de quem inventa o novo
nas costas da alegria
é que o futuro encosta
nos alvoroços dessa lida
e fareja a igualdade
no descampado da vida
Da necessidade verbal das horas
apenas avança
os verbos que atiçam
a esperança
palavras são o fardo
que os ventos em mim habitam
nas curvas do que faço.
como não dizer a vida
se o futuro é só um jeito
de desenrolar o passado?
onírica paisagem
é um esconderijo
que a alma dá ao futuro
quando preciso
como fato
só anuncia
os gestos da vontade
e a permanência baldia
o sonho
navega no presente
todos os futuros
em que se cria
todas suas jangadas
impunemente
drapejam as velas infinitas
dos ventos todos da gente.
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.