Lista de Poemas
Das andanças postas
nas léguas reticentes
quase coagido
o mundo teima o jeito
de dar-se infinito
metros ansiosos
em que se permite
dessa metragem
posta assim humana
deixa seus rastros
nas idéias que derrama
no peito pulsando
como uma batalha
resta infindo
nos passos da alma
Das revelias postas
nada do que tanto
posto assim à revelia
esteja como insumo
num tempo construído
nos desejos dizentes
ancorados nos sentidos
cada gesto usinado
edifício coletivo
esteja consumado
nos braços que consiga
revel da revelia
estandarte de si
na humana trilha
Da variante verbal
em suma
dê-se à vazão
os verbos e vãos
que o poeta traga
em suas mãos
bordados no poema
em suas tramas
laços do mundo
em suas tranças
cada verso
esteja em riste
desaforo verbal
a que se permite
Missivas em auto verbo
as cartas que me fiz
destinatário íntimo
sempre contiveram
intensos discursos
os da jovem rebeldia
os do provecto futuro
os olhos escaneavam
a luta grávida da vida
e jogavam nas letras
os verbos dos sentidos
minhas cartas contavam
assim ensimesmadas
palavras que diziam
do futuro em mim passado
dízima humana
que fosse de tanto
assim constituído
pudesse o homem arcar
com o peso do infinito
na intimidade tensa
da matéria em seu rito
que fosse de tanto
o homem construído
na intimidade de si
abraçado ao coletivo
em todas as desoras
que o tempo lhe persiga
Militância recorrente
sempre será urgente
quando sempre tarde
a razão de estar a postos
militante da liberdade
consumir cada tempo
como gole da vontade
nunca será tanto
consumir a vida
instrumento de si
nas ruas que decida
cada rol da verdade
súmula do novo
dê-se de tanto assim
como parte do povo
Gaza ainda
o menino
rasgado na fome
tramita em si
a magrém do sonho
rasgando o tempo
a bomba tramita
arquivos do ódio
de ladrões da vida
o menino e a bomba
construídos na memória
tramitam Gaza livre
nos ombros da história
Rio em humana corrente
o rio sussurrava
todos os antes
que trazia nas águas
como fora gerente
do tempo que falava
o homem
traduzindo sua fala
jogava na memória
as correntes que pulsava
homem e rio abraçados
fugiam da paisagem
um pela consciência
o outro pelas margens
Rasantes íntimos
voos que fiz
astronauta onírico
das curvas da vida
deram-me íntimo
rastros humanos
da matéria lúdica
nesse estar transeunte
das vias da luta
o tempo viajante
em rito compilado
espalhou o infinito
no vão dos braços
Vagar da vida
a vida
quando voga
vaga no tempo
em cada porta
onda coletiva
lei de tanto
como fora grito
do seu canto
impune argumento
grávida vertente
de todos os verbos
que consente
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.