Lista de Poemas
Poema ao inconstruído rio
eu te percebo rio
pelo que contas de minhas veias
e não importa que incolor
exemplifiques o rubro dos meus medos
toda tua trajetória
é um desembocar inato
do mar que trazemos no peito
guardado a sete chaves
pelo que contas de minhas veias
e não importa que incolor
exemplifiques o rubro dos meus medos
toda tua trajetória
é um desembocar inato
do mar que trazemos no peito
guardado a sete chaves
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Da saudade e suas direções
É que a saudade é um jeito
que até parece um enredo
de sermos certo do longe
no tardio curso do cedo
é assim como uma lembrança
de que se guarda o medo
de que o futuro se esconda
nas curvas de um segredo
e se transforme num passado
atravessado no desejo
a saudade é uma avenida
de todos os nossos becos.
que até parece um enredo
de sermos certo do longe
no tardio curso do cedo
é assim como uma lembrança
de que se guarda o medo
de que o futuro se esconda
nas curvas de um segredo
e se transforme num passado
atravessado no desejo
a saudade é uma avenida
de todos os nossos becos.
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pequena concisão da vida
a vez que nascer
é quase tanto
que morrer
e desde viver
que não se finja
de prazer
o quanto morrer
da sempre luta
de nascer.
é quase tanto
que morrer
e desde viver
que não se finja
de prazer
o quanto morrer
da sempre luta
de nascer.
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Palavras a Rita Nunes
de onde não estejas
inventarás um riso enorme
e anunciarás a vida
mesmo na morte
e dos degraus do tempo
em que te convocas
haverá manhãs risonhas
batendo em nossas portas
tua fuga é apenas um gesto
dos risos em que te postas.
inventarás um riso enorme
e anunciarás a vida
mesmo na morte
e dos degraus do tempo
em que te convocas
haverá manhãs risonhas
batendo em nossas portas
tua fuga é apenas um gesto
dos risos em que te postas.
👁️ 47
Pequeno itinerário
Eis a simetria:
a vida é maior
que qualquer dia
é que sua metragem
deve-se ao tempo
como se fora régua
de medir cada momento.
Eis a simetria:
o amor é maior
que toda ventania
é que sua paisagem
no peito dos viventes
constrói assim um amanhã
nos ontens da gente
Eis a simetria:
morrer é quase um tempo
de alegria
é que sua metragem
quando houve vida consome
todas as réguas
de quem fica.
a vida é maior
que qualquer dia
é que sua metragem
deve-se ao tempo
como se fora régua
de medir cada momento.
Eis a simetria:
o amor é maior
que toda ventania
é que sua paisagem
no peito dos viventes
constrói assim um amanhã
nos ontens da gente
Eis a simetria:
morrer é quase um tempo
de alegria
é que sua metragem
quando houve vida consome
todas as réguas
de quem fica.
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Pequena Balada Jungiana
dentro de mim
vivem todos
desde sempre
e tudo de novo se inventa
o que penso
nunca é apenas
a manhã é que por tanta
ainda orienta
um dia de sentidos e dilemas
dentro de mim
vige a multidão
como um deposito
de todos meus senões
e arrumá-los todos
é um ofîcio imanente
de quem traz a vida
no meio dos dentes
dentro de mim
caminham muitos passos
em pés que nem adivinho
como inventar outro de mim
pelos caminhos?
dentro de mim
todas as soluções
e uma leve compreensão
de que eu sou um
pelo rumo de minhas mãos
trançadas todas as vias
traçadas as rebeliões
em que eu me invento quase todos
em plena revolução
vivem todos
desde sempre
e tudo de novo se inventa
o que penso
nunca é apenas
a manhã é que por tanta
ainda orienta
um dia de sentidos e dilemas
dentro de mim
vige a multidão
como um deposito
de todos meus senões
e arrumá-los todos
é um ofîcio imanente
de quem traz a vida
no meio dos dentes
dentro de mim
caminham muitos passos
em pés que nem adivinho
como inventar outro de mim
pelos caminhos?
dentro de mim
todas as soluções
e uma leve compreensão
de que eu sou um
pelo rumo de minhas mãos
trançadas todas as vias
traçadas as rebeliões
em que eu me invento quase todos
em plena revolução
👁️ 127
Dos plurais de mim em rasa feição
o que me coletiviza
é a multidão que trago
na singularidade exata
dos palmos da vida
é que a tenho
assim indivídua
guardadas as proporções
dos plurais que me diga
trago em mim,
assim, escondidas,
todas as auroras do mundo
pelas noites da vida.
sou um singular
adredemente coletivo.
é a multidão que trago
na singularidade exata
dos palmos da vida
é que a tenho
assim indivídua
guardadas as proporções
dos plurais que me diga
trago em mim,
assim, escondidas,
todas as auroras do mundo
pelas noites da vida.
sou um singular
adredemente coletivo.
👁️ 57
Pequena digressão com laivos de poema
sósia de mim
me desconheço
nos outros tantos eus
em que me teço
é que viver
é só um jeito
de trazer multidões
dentro do peito
me desconheço
nos outros tantos eus
em que me teço
é que viver
é só um jeito
de trazer multidões
dentro do peito
👁️ 149
Palavras ao felino Zeca
toda noite
é parda
om Zeca correndo
atrás da alma
apenas a cova
e a felina saudade
restaram na esquina do muro
como uma planta
que miasse ao infinito
e parisse vaginas
e fosse antes de gato
um homem primitivo
em Zeca
existiu a solução
de toda a dialética
entranhada nos seus olhos
Zeca, como homem,
via o sono e a morte
como uma forma de fugir
do desencontro
e hoje
faz-se consciência
daquilo que ficou
gatamente
como ausência
é parda
om Zeca correndo
atrás da alma
apenas a cova
e a felina saudade
restaram na esquina do muro
como uma planta
que miasse ao infinito
e parisse vaginas
e fosse antes de gato
um homem primitivo
em Zeca
existiu a solução
de toda a dialética
entranhada nos seus olhos
Zeca, como homem,
via o sono e a morte
como uma forma de fugir
do desencontro
e hoje
faz-se consciência
daquilo que ficou
gatamente
como ausência
👁️ 129
Patriótica
o raciocínio não medra
quando a bruta fome ensina
a sofreguidão de todas as pedras
que vige tão latente e intestina
qual a definitiva pose
como se fora definitivo
o que não houve
e rói o peito da pátria
a pan-nacional sentença
de que cada pátria
é apenas um instante
da hora definitiva
da humana consciência
e há de viger o coração
no brasileiro drama imbuído
nesse pulsar da exausta consciência
que pulsa em vão todos os sentidos
quando a bruta fome ensina
a sofreguidão de todas as pedras
que vige tão latente e intestina
qual a definitiva pose
como se fora definitivo
o que não houve
e rói o peito da pátria
a pan-nacional sentença
de que cada pátria
é apenas um instante
da hora definitiva
da humana consciência
e há de viger o coração
no brasileiro drama imbuído
nesse pulsar da exausta consciência
que pulsa em vão todos os sentidos
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.