Lista de Poemas
das certezas de tudo
a possibilidade de tudo
nunca é definida
não há um tempo que lhe caiba
sob medida
para havê-la era preciso um metro
que contivesse todos os palmos da vida
e coubesse no desconforto
de não se acabarem
as desmedidas
num tempo inexato e incontido
de tudo que é infinito.
a possibilidade de tudo
é apenas um jeito
de viver-se avulso
nunca é definida
não há um tempo que lhe caiba
sob medida
para havê-la era preciso um metro
que contivesse todos os palmos da vida
e coubesse no desconforto
de não se acabarem
as desmedidas
num tempo inexato e incontido
de tudo que é infinito.
a possibilidade de tudo
é apenas um jeito
de viver-se avulso
👁️ 230
da latina américa e da prontidão
da américa
com a faca nos dentes
diga-se latino
o gesto recorrente
e das cordilheiras
dos tempos oprimidos
resultem todos os andes
que jazem nos sentidos
aprontar o futuro
é tarefa e vaticínio
com a faca nos dentes
diga-se latino
o gesto recorrente
e das cordilheiras
dos tempos oprimidos
resultem todos os andes
que jazem nos sentidos
aprontar o futuro
é tarefa e vaticínio
👁️ 297
Dos cohibas manifestos em larga jornada
a fumaça
nos ombros do cohiba
escreve lembranças
nos costados da vida
o ar em chamas
parece bandeira
abraçando todas as ilhas
da noite brasileira
o charuto discursa o tempo
nos lábios de quem queira
nos ombros do cohiba
escreve lembranças
nos costados da vida
o ar em chamas
parece bandeira
abraçando todas as ilhas
da noite brasileira
o charuto discursa o tempo
nos lábios de quem queira
👁️ 286
Das construções do levante em pacífica tese
quando a crise
ensaiar-se avante
deite-se a manhã
no colo do levante
e nos homens
assim decidida
encaminhe o mundo
no sentido da vida
é que a revolta
traz embutida
uma paz em sementes
adredemente construída
ensaiar-se avante
deite-se a manhã
no colo do levante
e nos homens
assim decidida
encaminhe o mundo
no sentido da vida
é que a revolta
traz embutida
uma paz em sementes
adredemente construída
👁️ 272
das cores em desatada viagem
no dorso do tempo
como uma bravata
o pincel discursa a vida
nas cores que prolata
transparente
a cor delata
a constância etérea
da prática
a imagem, sobretudo,
joga o pintor, em cores,
nas profundezas do mundo
como uma bravata
o pincel discursa a vida
nas cores que prolata
transparente
a cor delata
a constância etérea
da prática
a imagem, sobretudo,
joga o pintor, em cores,
nas profundezas do mundo
👁️ 220
Da revolução em doses homeop(r)áticas
a revolução
não é o desejo
de achegar-se ao futuro
dentro do peito
entende-la urgente
como circunstância
é não percebe-la estrada
de larga itinerância
e que no desvão da prática,
nas paredes da memória,
o poder é só a ponta
do novelo da história
não é o desejo
de achegar-se ao futuro
dentro do peito
entende-la urgente
como circunstância
é não percebe-la estrada
de larga itinerância
e que no desvão da prática,
nas paredes da memória,
o poder é só a ponta
do novelo da história
👁️ 259
Dos tempos da pressa em lenta jornada
a pressa
esconde-se do tempo
como uma tardia manha
do pensamento
o tempo
aparentemente imutável
alinhava as horas
em seu vasto calendário
e a vontade,
insistente e apressada,
deixa os dias sem tempo
para as madrugadas
esconde-se do tempo
como uma tardia manha
do pensamento
o tempo
aparentemente imutável
alinhava as horas
em seu vasto calendário
e a vontade,
insistente e apressada,
deixa os dias sem tempo
para as madrugadas
👁️ 286
Mais uma vez, do tempo corrente
aos setenta
a puberdade solidifica
todas as infâncias
e as juventudes da vida
o prazer é o algoritmo
em todas as medidas
as que multiplicam os anos
e as que os dividem
tudo é uma infância latente
adredemente consentida
a puberdade solidifica
todas as infâncias
e as juventudes da vida
o prazer é o algoritmo
em todas as medidas
as que multiplicam os anos
e as que os dividem
tudo é uma infância latente
adredemente consentida
👁️ 315
samba em liberdade e dependentes
o samba
escorrendo na avenida
é um tambor atravessado
na melodia da vida
é coisa solta de bemóis
que alinhavam o passado
nas costas de todos nós
transeuntes de escravos
e o cerne da liberdade
de canta-lo impunemente
é assim como uma saudade
do futuro que se sente
escorrendo na avenida
é um tambor atravessado
na melodia da vida
é coisa solta de bemóis
que alinhavam o passado
nas costas de todos nós
transeuntes de escravos
e o cerne da liberdade
de canta-lo impunemente
é assim como uma saudade
do futuro que se sente
👁️ 287
viagem em torno da amada
é que quando visto
os ares do teu riso
deixo-me astronauta
de cada infinito
os que nem meço
e os que trago comigo
e dos sonhos que cometo
em mares que nem posso
atraco todas as naus
nos braços do teu porto
os ares do teu riso
deixo-me astronauta
de cada infinito
os que nem meço
e os que trago comigo
e dos sonhos que cometo
em mares que nem posso
atraco todas as naus
nos braços do teu porto
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.