Escritas

Lista de Poemas

Palavras

 

o poeta

nem percebe

o poema sofrendo

sua verve

é que a palavra

quando cala

rasga o verso

em sua fala

o poema

em cada lavra

é só um discurso

pela alma

tudo que lhe conversa

é um verbo astronauta

voando versos

nas brechas do poeta

👁️ 23

Navais instâncias

contumaz navegante
dou-me ao exercício
de construir meus mares
como civil ofício
submarino de mim
milito a vontade
na naval contingência
da liberdade
os navios do tempo
porventura encalhados
teimam na consciência
como uma saudade
o foro da minha resistência
são as ondas em que caibo

👁️ 53

Parto em cena

o palco

era o útero

grávida cena

a cortina fingia

como placenta

o ator

dava-se ao parto

como parteiro inato

de seus atos

a vida ensaiada

montava o tempo

na vulva do teatro


 


 

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Navais instâncias

 

contumaz navegante

dou-me ao exercício

de construir meus mares

como civil ofício

submarino de mim

milito a vontade

na naval contingência

da liberdade

os navios do tempo

porventura encalhados

teimam na consciência

como uma saudade

o foro de minha resistência

são as ondas em que caibo

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Vivência in loco

 

o propósito

é estar in loco

vivendo tanto

a matéria posta

fração humana

sua lógica

o propósito

dá-se ao rito

de dividir possível

cada infinito

os que estejam vigentes

os que estejam consumidos

as dúvidas ainda sãs

as certezas pretendidas

a proposta é ser mar

das ondas consentidas

👁️ 4

Ode à parteira Dinalva

motorista da vida

cegonha fictícia

Dinalva voava as mãos

o tempo, asas e vaginas

acostumada em tanto

da humana instância

Dinalva instrumentava

o parto como dança

do vão de seus braços

assim como alavancas

a matéria pulsante

deixava-se criança

o parto havia Dinalva

como bailarina circunstância

infante rastro em tudo

palco grávido do mundo

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Panfleto em rimas

 

derramado nas letras

Marx ainda tramita

as veias rubras do mundo

pulsando a vida

deixá-las abertas

varizes do povo

vão das hemoptises

na insurgência do novo

o fulcro das ruas

perpetrando assaltos

deixa o peso dos ombros

derramar-se nos passos

o caminho exato do futuro

vive assim desembestado

como um tempo ainda roto

que precisa de bordados

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Passadas viventes

 

envelhecer como tanto

não é deixar-se no tempo

antes é um debulhar-se

em coletivas presenças

assim como uma tempestade

de todos nossos ventos

é como montar as horas

em minutos divergentes

que leiam o rol da luta

nos manifestos que sente

envelhecer é montar as rugas

na mocidade do tempo

👁️ 22

Ode à parteira Dinalva

 

motorista da vida

cegonha fictícia

Dinalva voava as mãos

o tempo, asas e vaginas

acostumada em tanto

da humana instância

Dinalva instrumentava

o parto como dança

do vão de seus braços

assim como alavancas

a matéria pulsante

deixava-se criança

o parto havia Dinalva

como bailarina circunstância

infante rastro em tudo

palco grávido do mundo

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Parto em cena

 

o palco

era o útero

grávida cena

a cortina fingia

como placenta

o ator

dava-se ao parto

como parteiro inato

de seus atos

a vida ensaiada

montava o tempo

na vulva do teatro

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !